domingo, 23 de fevereiro de 2014
Desmascarar a violência na Venezuela e no Brasil
As circunstâncias do protesto e a ala violenta da oposição
Os protestos contra o governo venezuelano ocorrem em meio a uma crise de abastecimento de alimentos e aumento da inflação provocada, segundo o governo, por uma guerra econômica da oposição, que controla as redes de distribuição de alimentos e boa parte das importações. Chama atenção que os protestos violentos ocorram a noite, promovidos por motoqueiros que apedrejam instalações públicas, bancos e estações de metrô. Foram encontradas em Aragua 2 mil munições de alto calibre em uma casa, ao lado de galões de gasolina. Há indícios fortes de uma tentativa de golpe incentivada pelos Estados Unidos.
É preciso separar o joio do trigo. Nem toda a oposição a Maduro apoia a violência. Henrique Capriles, derrotado nas eleições por Maduro, rejeita a tomada do poder pela violência e diz que sem apoio popular não haverá mudanças. A Constituição venezuelana prevê a possibilidade de um referendo no meio do mandato que pode revogar o mandato presidencial.
Os protestos venezuelanos da última semana tem sido protagonizados por uma juventude de classe média que acha o povo humilde ignorante por apoiar o chavismo. O povo das favelas venezuelanas tem rejeitado e expulso os antichavistas. A escalada de violência preocupa e ameaça as instituições nesse país. O presidente Maduro convocou para esta semana uma Conferência da Paz onde procurará dialogar com todos os setores sociais para neutralizar os movimentos violentos.
A ala violenta da oposição brasileira
A violência de uma pequena parcela da oposição é uma semelhança entre a situação venezuelana e a brasileira. O alinhamento desse setor violento ficou nítido após manifestação ocorrida dia 20/02 em Porto Alegre/RS, onde pichação na sede do PT iguala a presidenta Dilma do Brasil ao presidente Nicolás Maduro da Venezuela. Uma diferença notável nos dois casos é que na Venezuela a crise é de abastecimento de alimentos, enquanto que aqui as dificuldades estão fundamentalmente na questão da mobilidade urbana, que são o mote para os protestos de rua.
No caso brasileiro, essa pequena oposição violenta, que já queimou fusca, depredou bancos públicos e assassinou um cinegrafista, recebe críticas até mesmo da própria oposição. Luciana Genro, pré-candidata do PSOL a vice-presidência da república, criticou os black blocs por assustar e intimidar com suas ações violentas a população, afastando a grande massa dos protestos."A tática black bloc afasta o povo das mobilizações", criticou Luciana.
A despeito da violência, na Venezuela a população mais humilde segue apoiando Maduro. A despeito da violência, as pesquisas apontam que Dilma venceria no 1º turno e a Copa do Mundo é aprovada por quase 60% dos entrevistados.
A quem interessa a violência?
Considerando todos esses elementos, fica a reflexão: a quem interessa a violência? Se não interessa nem mesmo a oposição liderada por Capriles na Venezuela, e nem a oposição liderada por Luciana Genro no Brasil, interessa a quem? É certo que a instabilidade de países não-alinhados com a política estadunidense na América Latina beneficia as pretensões do imperialismo de Obama. A autodeterminação e a política soberana de Venezuela e Brasil incomodam os EUA em franca decadência econômica, e que por isso mesmo aumenta sua violência, manifesta por intervenções militares, espionagem, treinamento e incentivo de grupos de oposição extremista em países cujos governos incomodam sua hegemonia.
Já fizemos aqui um apêlo para que Freixo não se venda a Globo. Acrescentamos que não se venda também ao imperialismo. Os problemas nacionais devem ser resolvidos pela sociedade brasileira. A violência deve ser desmascarada: somente interessa a manutenção da hegemonia do imperialismo.
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014
Ser oposição ao governo é ser de esquerda?
Navegar por certas páginas de colegas de universidades é um passeio pelo pensamento que vem sendo chamado de coxinha.
Eis que o colega Walmir Jacare Penedo posta a notícia sobre a possível vitória de Dilma no 1º turno em página de debate dos técnicos e o que se seguem são comentários de oposição ao governo pela direita.
Um dos comentários insinua que o motivo da vitória de Dilma é o bolsa-familia, que seria a suposta compra de votos do PT para se manter no poder a custa de supostos ignorantes.
O outro comentário vai mais além: diz que eleger Dilma, a quem qualifica pejorativamente de "guerrilheira", significa instaurar um regime cubano no Brasil.
E por fim, o terceiro comentário critica a Venezuela como suposta agressora de direitos humanos de opositores.
Perecebemos com isso a presença de uma oposição a Dilma pela direita, que tem aversão a pobre, a socialistas, a tudo que seja remotamente próximo da esquerda.
É por isso que ser contra o governo não significa (necessariamente) ser mais esquerda, revolucionário, etc. Depende muito o motivo pelo qual se é contra o governo. Eu acho que o bolsa-família foi e é importante mecanismo de distribuição de renda, penso que a relação Brasil-Cuba é interessantíssima vide o caso do Mais Médicos que tem sido um sucesso e acho que a política cubana tem muito mais a nos inspirar que a estadunidense. E penso também que a Venezuela tem dado exemplos de ter uma democracia muito mais consolidada que a nossa, a julgar pelo número de plebiscitos e referendos realizados, tendo um governo democratizamente eleito.
Tenho críticas a Dilma, mas com certeza não por essas razões. Em todos esses aspectos, ela acertou. E talvez como nunca antes na história desse país.
Eis que o colega Walmir Jacare Penedo posta a notícia sobre a possível vitória de Dilma no 1º turno em página de debate dos técnicos e o que se seguem são comentários de oposição ao governo pela direita.
Um dos comentários insinua que o motivo da vitória de Dilma é o bolsa-familia, que seria a suposta compra de votos do PT para se manter no poder a custa de supostos ignorantes.
O outro comentário vai mais além: diz que eleger Dilma, a quem qualifica pejorativamente de "guerrilheira", significa instaurar um regime cubano no Brasil.
E por fim, o terceiro comentário critica a Venezuela como suposta agressora de direitos humanos de opositores.
Perecebemos com isso a presença de uma oposição a Dilma pela direita, que tem aversão a pobre, a socialistas, a tudo que seja remotamente próximo da esquerda.
É por isso que ser contra o governo não significa (necessariamente) ser mais esquerda, revolucionário, etc. Depende muito o motivo pelo qual se é contra o governo. Eu acho que o bolsa-família foi e é importante mecanismo de distribuição de renda, penso que a relação Brasil-Cuba é interessantíssima vide o caso do Mais Médicos que tem sido um sucesso e acho que a política cubana tem muito mais a nos inspirar que a estadunidense. E penso também que a Venezuela tem dado exemplos de ter uma democracia muito mais consolidada que a nossa, a julgar pelo número de plebiscitos e referendos realizados, tendo um governo democratizamente eleito.
Tenho críticas a Dilma, mas com certeza não por essas razões. Em todos esses aspectos, ela acertou. E talvez como nunca antes na história desse país.
Globo tenta liderar a oposição ao governo
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| O que significou a matéria do JN de retratação a Freixo? |
A edição do Jornal Nacional de ontem (17/02) corria como de praxe. Talvez uma pitada maior de antibolivarianismo e antigovernismo, mas tudo dentro do usual. Sem perder o costume, o jornal agourou a Copa mostrando os perigos de acompanhar a seleção brasileira na primeira fase da Copa no trecho Fortaleza São Paulo, revelou os protestos contra o governo venezuelano pela democracia e liberdade versão america way of life, e desancou os crimes contra a humanidade cometidos pela Coreia do Norte. Até aí, nada de novo, a velha linha editorial dos Marinho. No fim do JN é que a coisa virou surreal.
Numa matéria de mais de 2 min (muito tempo para o horário nobre) o JN fez uma mea culpa que se negou a fazer durante toda a recente vida democrática do país. A matéria, intitulada, "Ato de desagravo em favor de Marcelo Freixo é realizado no Rio" mostra de maneira quase inédita no destaque algo que sempre ocorreu e a Globo nunca mostrou: "Artistas, políticos e intelectuais criticaram a mídia - e a TV Globo, em particular".
Mas isso não é tudo. Depois de dar quase um minuto de retratação ao deputado Freixo, onde ele atribui o ato de desagravo a várias entidades omitindo partidos políticos, a matéria dos Marinho desfecha com um parágrafo digno de emolduração: "A TV Globo entende o desconforto do deputado Marcelo Freixo e dos que o apoiam. Mas está segura de que cumpriu fielmente sua missão de informar - a todos ouvindo e dando espaço para que todos se manifestassem. Omitir dos telespectadores o episódio seria, aí sim, um erro".
Oi? É isso mesmo produção? A Globo finalmente aprendeu e está fazendo um jornalismo isento, garantindo direito de resposta a quem se sente ofendido por suas matérias? Estaríamos também errados quanto a existencia de Papai Noel e o coelhinho da páscoa?
A última vez que vi os Marinho darem direito de resposta foi para o velho Brizola. E foi por decisão judicial, onde o Cid Moreira teve que ler com aquele vozeirão o texto do velho Briza desancando as organizações Globo. Dá-lhe Briza. Mas uma retratação assim, na moleza, só pela "consciência jornalística" da Globo, eu nunca tinha visto.
Ou melhor, já. Temos o caso do Jabor que mudou de opinião em 48h sobre as manifestações de junho. Me parece que agora o motivo da mudança é o mesmo. A Globo está decidida a liderar a oposição a Dilma, e para isso vale até mesmo pedir desculpas em horário nobre. #FreixonãosevendapraGlobo. Fica a dica.
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
Movimentos sociais se unem em torno da luta por transporte público de qualidade
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| Gilmar e Neves da Carris e do Comando de greve dos rodoviários, explicam a pauta dos trabalhadores para lideranças de movimentos sociais. |
Pela CTB participaram da reunião Guiomar Vidor, Izane Matos e Igor Pereira, além de Antõnio Lopes. Pelo Sindicato dos Municipários de Porto Alegre participou Alexandre Dias. Esteve ainda representante da UBM Fabiane Dutra, da UNE Alvaro Lotterman e da UJS Marcos Puchalski e o representante da CNBB Waldir Bohn Gass, além dos dirigentes do PCdoB Edison Puschalski, Ivandro Latino Morbach e Clóvis Silva e o assessor da deputada Manuela Giovanni Mangia.
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| Gilmar da Costa |
Segundo ele, nunca tinha se interessado por manifestações e protestos, embora os achasse justos, pois "nunca tinha tempo". Estudou junto com dirigente do Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (SIMPA) Alexandre Dias na educação básica, mas na época, enquanto o amigo era presidente do grêmio estudantil, ele se interessava mais por futebol e namoros. Passados anos, os amigos se encontram na greve dos rodoviários, e o mesmo Gilmar que antes não se interessava por manifestações, agora madruga em piquetes e fala no microfone em massivas assembléias de mais de mil rodoviários no ginásio Tesourinha.
A pauta explicada por Gilmar nessa audiência é a mesma estampada nos cartazes e piquetes nas garagens espalhadas pela cidade. Longe das bandeiras difusas dos protestos de junho, os rodoviários sabem exatamente o que os incomoda: jornadas de trabalho extenuantes com os malfadados bancos de horas e intervalos de mais de 3 horas, onde precisam permanecer na empresa, condições de trabalho com alto grau de periculosidade. Na fase final da greve, a luta por 6h parece emergir como a bandeira mais importante do que os próprios índices de reajuste salarial. Gilmar insistiu na tecla de que os benefícios são também uma bandeira importante: se eles obtivessem 30% de adicional de risco de vida, aceitariam inclusive reajuste zero no salário, argumenta.
No longo discurso, entrecortado por perguntas e falas de incentivo dos interlocutores, Gilmar pontuou ainda a falácia empresarial de que o reajuste salarial demandaria aumento da tarifa. Para ele e o colega Neves, a tarifa é reajustada com base numa planilha que é totalmente controlada e distorcida a bel prazer dos empresários, sem controle nenhum
da prefeitura. "Colocam o lobo cuidando do galinheiro", resumiu Gilmar. E o seu colega, complementou, falando sobre as licitações. "Todo mundo fala que as licitações são a salvação. Mas ninguém fala de que licitação se quer. Não adianta nada licitar e ficar tudo como está", argumenta.
O presidente da CTB Guiomar Vidor se pronunciou parabenizando a luta dos rodoviários e dizendo ser importante que o movimento saia vitorioso. Fez ainda uma reflexão que esse movimento de base que impuslionou a greve deve ser capaz de eleger uma direção que de fato represente os interesses da categoria, diferente desta direção que foi desmoralizada.
A vereadora Jussara Cony pontuou que o principal responsável dessa crise no transporte público é o prefeito Fortunati. "A cidade cenográfica que ele pintou nas eleições ruiu em menos de um ano de gestão. A Carris, que era um modelo de transporte público, está sucateada. É preciso que, para além do atendimento da pauta dos rodoviários, se aprove um plano municipal de mobilidade urbana e se crie um conselho municipal das cidades", defendeu.
O representante da CNBB e fundador da União das Associações de Moradores de Porto Alegre Waldir Bohn Gass disse que a greve dos rodoviários demanda uma reflexão sobre a saturação do sistema de transporte público de Porto Alegre e acredita que o debate deva evolver toda a população para superar essa crise.
A reunião aprovou amplo apoio dos movimentos presentes a greve, com participação nos piquetes. O PCdoB realizará hoje (05/02) Plenária sobre crise dos transportes públicos às 19h na FECOSUL, para ajustar sua opinião e intervenção nesse tema na capital gaucha.
terça-feira, 28 de janeiro de 2014
Vem pra rua por serviço público de qualidade
Por Igor Corrêa Pereira*
Eu vou comentar aqui uma pesquisa que foi divulgada pelo IPEA, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, que entrevistou quase 4 mil pessoas em 217 cidades brasileiras perguntando quais suas prioridades, e essa pesquisa revelou que saúde e educação são as principais prioridades dos brasileiros.
Eu sei que tem muita gente querendo interpretar a voz das ruas desde que ocorreram as famosas manifestações de junho, todo mundo acha que sabe qual é o motivo das manifestações, mas essa é uma primeira pesquisa que realmente investigou as vontades populares pós-junho.
Os resultados foram muito claros: a melhoria dos serviços de saúde foi a opção assinalada como prioridade por 87,64% dos 3.810 entrevistados. Uma educação de qualidade foi indicado por 72,97%. Anseio por um governo honesto e atuante foi assinalado por 59% dos participantes da pesquisa. Outras questões como melhores oportunidades de trabalho e proteção contra a violência também foram apontadas.
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| Saúde e educação: prioridade dos brasileiros |
Mas se a população e os servidores querem saúde e educação de qualidade, porque não tem aumento de investimento suficiente nessas áreas?
Para entrar nesse debate, novamente os números são necessários. Foi divulgado o orçamento da União para 2014, que é em torno de 2 trilhões e 400 bilhões. Dessa grana toda, que é toda a grana do governo, cerca de 30% desse montante, ou seja 654,7 bilhões serão usados para o refinanciamento da dívida pública. Isto quer dizer que um terço de todo o dinheiro do povo vai para bolso de banqueiro, pra pagar uma dívida que já se arrasta a décadas e nunca é paga.
Vamos pensar um pouco. Tem muita gente dizendo que o problema de não ir recurso pra educação e saúde é que tem a Copa do Mundo. Acontece que foram investidos na Copa 26 bilhões, e esses recursos nem são do montante da União, a maioria é empréstimo que vai ser devolvido. E ademais, dos gastos da Copa, apenas oito bilhões vão para construção de estádio, o resto vai pra segurança, infraestrutura, aeroporto, ou seja, vai pra estrutura que fica nas cidades. Então que papo é esse de que o problema é a Copa?
Não vejo ninguém falando do verdadeiro problema, que consiste no fato de quase um terço de todo o orçamento da União ser destinado a banqueiro. Enquanto meia dúzia de engravatados e endinheirados sugam uma boa parte do dinheiro do nosso país, tem gente esperando na fila do SUS e professor com salário de fome.
Penso que a hora é de ir todo mundo pra rua de novo, reivindicar a inversão dessa lógica. Garantir que serviço público de qualidade não sejam prioridades só da população. O governo precisa espelhar os anseios da população, não do capital financeiro. Se os brasileiros querem saúde e educação, que se cumpra. O poder emana do povo, e banqueiro não é povo, sendo assim, que se aprove o Plano Nacional da Educação, 10% dos recursos líquidos da receita da União pra saúde e que se valorize os trabalhadores do serviço público, dando política salarial permanente com data base. Que se faça, sem medo de ser feliz.
É esse diálogo que os Servidores públicos querem fazer com a sociedade. Vem pra rua pra garantir o Brasil dos nossos sonhos, com serviço público de qualidade pra todos. O Brasil tem dinheiro para isso, a questão é política, e só com muita pressão a gente vai fazer o país avançar. Vem pra rua.
* Igor Corrêa Pereira é da direção estadual da CTB/RS e direção da Assufrgs sindicato
segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
Por que a campanha "eleições limpas" é importante?
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| Aldo Arantes (OAB), argumenta que financiamento de campanha por empresas é inconstitucional, porque a Constituição estabelece que "todo o poder emana do povo" e empresa não é povo. |
Por Igor Corrêa Pereira*
Aldo da Silva Arantes, presidente da UNE na Campanha da Legalidade em 1961 e deputado federal nota 10 na Constituinte, parece ter uma energia inesgotável. Nesse Fórum Social Temático em 2014, lançou seu livro "Alma em Fogo", debateu cidades justas e sustentáveis (já foi secretário do meio ambiente em Goiás), mas sua principal bandeira atual tem sido a da reforma política. Discorreu sobre o tema em dois espaços no FST, defendendo uma mobilização em torno da causa semelhante a que foi a da "Diretas Já" no final dos anos oitenta. O advogado comunista é da comissão nacional de mobilização da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para o projeto de lei Eleições Limpas. O projeto de lei conta com apoio das centrais sindicais e UNE, além da CNBB, e pretende atacar principalmente o sistema de fianciamento eleitoral.
A OAB entrou com uma ação direta de inconstitucionalidade (ADIN) sobre o financiamento de campanha. Segundo informações de Aldo Arantes, a ADIN já recebeu 4 votos favoráveis no Supremo Tribunal Federal (STF). Arantes conta que o deputado Henrique Fontana (PT/RS), prestando depoimento perante o STF, denunciou que os gastos gerais da campanha eleitoral de 2002 foram de 827 milhões de reais e na eleição de 2010 de 4 bilhões e 900 milhões, o que é um crescimento escandaloso. A ADIN da OAB, portanto, baseia-se num argumento simples: "financiamento de campanha por empresas é inconstitucional, porque a Constituição estabelece que 'todo o poder emana do povo' e empresa não é povo". Ao financiar candidatos, as empresas distorcem o sistema representativo. Uma minoria (empresários) são representados pela maioria dos políticos, enquanto que o cidadão comum (não-empresários, a maioria da população), consegue eleger uma ínfima parcela dos representantes.
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| Não ao financiamento de campanhas por empresas! |
Para o representante da OAB, o projeto de lei pode inclusive ser aprovado ainda para as eleições de 2014, mas precisa pra isso de muita pressão popular. "No congresso nós temos uma pequena parcela de deputados de esquerda, e outra pequena de direita. Esses são ideológicos, dificilmente mudam suas opiniões. A maioria contudo está no centro, vai de acordo com a pressão popular. Se houver clamor das ruas, eles se unem às causas democráticas e progressistas. Por isso que se houver uma mobilização popular suprapartidária semelhante a que foi a das Diretas, semelhante as manifestações de junho de 2013, pedindo eleições limpas, esses deputados cederão e aprovarão esse projeto de lei", argumenta Aldo Arantes.
Tendo tudo isso em vista, quando coloco na balança essa causa da reforma política contra o financiamento de campanhas eleitorais por empresas, em comparação a pauta "não vai ter Copa", eu não consigo ter dúvida de qual é mais relevante para responder à crise de representatividade. Pensem comigo por apenas uns minutos: se o problema é descrença nas instituições representativas, não é lógico que a mobilização deve ser para combater as causas da corrupção? Sendo assim, para que serve "não ter Copa"?
Pode servir a uma direita saudosa de voltar ao comando do país, assim como a uma esquerda que alimenta a ilusão de construir uma alternativa inviável eleitoralmente. Ao restante dos brasileiros, penso que a bandeira avançada, capaz de aprimorar a jovem e falha democracia nacional, seja a bandeira da reforma política, que passa pelo projeto Eleições Limpas.
A voz das ruas precisa clamar alto denunciando a verdadeira roubalheira deste país: o fato de que a grana das empresas "compra" candidatos eleitos e portanto determina o que será ou não será aprovado. A corrupção se combate atacando os corruptores.
Sim à Reforma Política Democrática!
Sim à ampliação da representação popular nas instâncias de poder!
Não ao financiamento de campanha por empresários!
Não à compra de votos e de parlamentares!
*Igor Corrêa Pereira e diretor de juventude da Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) do RS e coordenador de imprensa da ASSUFRGS.
terça-feira, 21 de janeiro de 2014
Copa do Mundo para além da Torre de Babel
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| Charge de Latuff ironiza escolha de mascote para a Copa do Mundo pelo prefeito Fortunatti em Porto Alegre: crítica implícita não pode ser classificada como "fascista" ou "coxinha" |
Existem múltiplos interesses que às vezes se unem, às vezes se chocam. Essa é a beleza da complexidade social. Existe a mídia hegemônica, aquela famosa dominada por meia dúzia de famílias, muito simpática a ideia do quanto pior melhor. Não é a toa que a Folha de São Paulo estampa um editorial intitulado "Não vai ter Copa", bandeira que não poderia ser mais falsa. Dá pra acreditar que a mídia realmente quer acabar com um evento onde vai faturar bilhões? Dá pra realmente acreditar que esteja a mídia preocupada com um país melhor? Derrotar o governo é seu principal objetivo, a eles interessa um governo mais manipulável e dócil (ainda) a seus interesses. Afinal, Lula e Dilma ainda não enfrentaram seus interesses, mas bem que tentaram e sempre podem tentar, Venezuela e Argentina estão aí como um exemplo ameaçador aos interesses do monopólio midiático. Esse risco eles não querem correr.
Existe a miríade de grupos que se situa de alguma forma na oposição ao governo e está atuando nos movimentos sociais na perspectiva da esquerda. Há uma diversidade bem grande nesse setor. Rotulá-los simplesmente de "coxinhas" ou "fascistas", como o fazem alguns sinceros defensores do governo, é simplificar a realidade de uma maneira estranha a dialética. Aqui situam-se partidos que vão do PCO ao PSB, passando pela REDE da Marina. E tem os não-partidários. Dá pra encontrar alguma homogeneidade nisso tudo? A diversidade é tão grande que só na categoria "mascarado" há a opção dos anonymous e a dos black blocks, que são propostas completamente diferentes. Estamos falando de uma Babel de propostas, interesses, aspirações.
Não precisa muito esforço para apreender preocupações legítimas vindas dessa diversidade de críticas só em relação ao tema "Copa do Mundo". Não tem nada de "coxinha" ou "fascista" a preocupação com deslocamentos e reassentamentos de populações urbanas decorrentes de Copa do Mundo e Jogos Olímpicos. O Diretor da Escola de Educação Física da UFRGS, Alberto Reppold Filho, que dificilmente poderia se encaixar na definição de coxinha ou fascista, já expressou essa preocupação. E argumentou em brilhante artigo publicado na revista Princípios: "Um aspecto fundamental é garantir reassentamento com infraestrutura, em condições adequadas, com acesso a escola, saúde, espaços de esporte e lazer".
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| Serviço público "padrão FIFA" é uma bandeira "coxinha"? |
É pertinente que a população se preocupe com desvios de recursos da Educação e da Saúde para a Copa. E preciso contudo, localizar esse desvio. O orçamento em 2013 para educação e saúde foi estimado em 180 milhões de reais. E o dinheiro para estádios não sai do orçamento, ou seja, não sai do governo federal. Sai de empréstimos do BNDES, que empresta não só a empresários interessados em construir arenas, mas a vários setores da economia. Lembrando sempre que empréstimo implica devolução, portanto retorno do dinheiro para os cofres do BNDES.
Outra origem do financiamento da Copa - um megaevento privado - vem de recursos indiretos como o da renúncia tributária, renúncia que o governo resolve aplicar levando em conta o interesse público, a geração de empregos, geração de renda. Não é primeira vez que o governo faz esse tipo de renúncia. Essa é uma medida que tem ajudado a manter o Brasil numa situação de pleno emprego. Pergunte a qualquer grego em meio a crise econômica se ele gostaria de estar nessa situação e vocẽ verá a resposta.
A insistência em pintar a Copa como um mal que impede o Brasil de avançar na educação, na saúde, no transporte não se sustenta na análise concreta da realidade. Que tal substituir a negação da Copa pela disputa de seus legados? Sou parceiro na luta por reassentamentos decentes das populações deslocadas em construções da Copa e Olimpíadas. Bem como, estarei ao lado de qualquer manifestação que defenda a efetiva construção de legados para as cidades, principalmente no quesito mobilidade urbana, infraestrutura, segurança, mas ainda saúde e educação.
Quero prestação de contas sobre a efetiva construção de obras de mobilidade em Porto Alegre, por exemplo. Vai ter ou não BRT? O que está sendo feito para melhoria do trensurb, dos ônibus? Existe plano cicloviário? Todos são debates nada coxinhas.
Em relação a saúde, quero saber sobre a construção de hospitais em Porto Alegre e região metropolitana. O que vai aumentar de leitos? Como serão tratados os profissionais da saúde? No quesito educação, como o esporte será tratado na escola? Vai ter infraestrutura melhorada, construção e melhoria de ginásios, valorização do profissional da educação física? Esses são temas nada "coxinhas", que tem a ver com um projeto de nação, que eu sempre vou querer tratar.
Como se pode notar, o antagonismo binário não contribui para debater o país. Não existe bem contra o mal, e penso que haja dentro e fora do governo setores com interesses convergentes. E você? Qual é o seu interesse? Fuja dos rótulos, e antes de se mascarar pense exatamente no que você quer. Em tempos de profusa comunicação, é fácil perder-se no ruído. Navegar é preciso, mas é imprecisa a vontade que se resume a centena de caracteres da rede social, e a slogans genéricos como "contra tudo que está aí", ou "não vai ter copa". Se não quer Copa, diga claramente o que quer que tenha. Desafie-se a ir mais fundo do que o mera palavra de ordem. Na superfície não se descobre a extensão do iceberg.
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