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sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

10 anos de Alternativa

10 anos de Alternativa para quem o sistema não oferece alternativas

Vencedor do Prêmio "Mérito extensionista Dr. José Mariano da Rocha Filho 2009", o PVP alternativa já completa 10 anos de contribuição na luta pela democratização do ensino superior. Leia mais sobre o Alternativa clicando aqui.



O Pré Vestibular Popular Alternativa é um Projeto de Extensão da UFSM que visa o acesso consciente ao ensino superior. É destinado a pessoas comprovadamente carentes, não tem fins lucrativos e é totalmente gratuito. Tem como princípios o desenvolvimento educacional, a inclusão social, o acesso ao ensino superior gratuito e de qualidade.

O Alternativa visa promover a interação entre comunidade acadêmica e a comunidade local, tornando possível, através de atividades extracurriculares, o crescimento de futuros professores e futuros universitários, resultando na formação de agentes sensibilizados para os problemas da educação em nossa sociedade.

As atividades desenvolvidas pelo Projeto são realizadas através do trabalho voluntário de estudantes de graduação e pós-graduação da UFSM e de outras IES de Santa Maria, que além das aulas promovem atividades complementares, como simulados, oficinas, exibição de filmes, sarau, tendo contato com o contexto educacional ainda durante sua formação.

Ao comemorarmos os dez anos do PVPA propomos a reflexão em torno da relevância social do Projeto após uma década. O Alternativa só existe por que o acesso ao Ensino Superior no Brasil ainda tem caráter elitista, uma vez que beneficia menos de 15% da juventude, em detrimento de uma maioria que não possui a alternativa de ingressar no ensino superior, especialmente numa universidade pública como é o caso da UFSM.

Nesses dez anos de atuação o trabalho desempenhado pelo PVP Alternativa além aumentar as condições de disputa por uma vaga no ensino superior de estudantes carentes, contribuiu na formação de muitos profissionais formados pela UFSM.

fonte: http://alternativadeletras.blogspot.com/

sexta-feira, 13 de março de 2009

Rádios Comunitárias

Rádio Perifa (89.3 FM): Aqui os manos e as minas têm voz!


A Rádio Nova Santa Marta(89.3 FM), de Santa Maria/RS é comunitária como tantas que existem. Irradia as expressões da gente humilde de uma das maiores ocupações urbanas do país. O programa Rádio Perifa, dos rappers Magrão e MC Borracha, procura ser a voz dos manos e das minas da periferia, todos os domingos, das 18 às 19h.



Na foto, MC Borracha (ao centro) e Magrão (à dir.), apresentadores do Rádio Perifa, do 89.3 FM de Santa Maria/RS



Acabei de conversar por telefone com os rappers MC Borracha e Magrão, que tem um grupo de rap intitulado “Guerrilheiros da Perifa”. Eles são do Alto da Boa Vista, uma das sete vilas que compõem o Bairro Nova Santa Marta, em Santa Maria/RS.



Eles estão muito animados com o Programa de rádio que estão fazendo na Rádio Nova Santa Marta (89.3 FM). O programa é exibido ao vivo todos os domingos, das 18 às 19h. “Nas rádios comerciais não toca rap nem funk, mas aqui os manos e as minas têm voz”, garantem os organizadores do programa. A idéia do programa é valorizar as produções das pessoas da periferia.



Segundo Borracha e Magrão, o Rap é uma manifestação da periferia que ainda é muito criminalizada pela grande mídia. A idéia de que “rap é coisa de bandido” ainda é dominante. Na Rádio Perifa, a idéia é mostrar a verdadeira cara do rap. Sobre a mídia burguesa que ainda trata o rap como coisa de bandido, Borracha e Magrão disparam o verbo: “se ser bandido é lutar pelo povo e família e pelo direito de viver com dignidade e acima de tudo igualdade, então vocês podem nos considerar os maiores bandidos de Santa Maria”.





Mais democracia para as rádios comunitárias

No Fórum Social Mundial, que ocorreu recentemente em Belém, o governo Lula prometeu a realização de uma Conferência Nacional de Comunicação. Já estava mais do que na hora. É preciso construir uma outra política de comunicação que garanta espaço para as rádios comunitárias. Hoje em dia, elas são muito perseguidas e tratadas como criminosas.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

O que é racismo?

Este vestibular da Universidade Federal de Santa Maria tem um diferencial. Pode ser considerado o primeiro vestibular efetivamente com cotas raciais e sociais da Instituição, já que é o primeiro em que o ponto de corte será diferenciado entre grupos cotistas e não-cotistas.

Neste momento em que se implementa em boa parte das universidades brasileiras uma mudança no sistema de acesso a universidade, convém fazer o questionamento: mas afinal de contas o nosso país é racista? Que conceito de racismo tem sido utilizado para a implementação das ações afirmativas no ensino superior?

Em palestra proferida em vários estados brasileiros sobre educação e racismo, o Professor Renato E. dos Santos da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) – uma das pioneiras na adoção da política de cotas – afirma que o conceito de racismo deve ser muito mais amplo do que a experiência individual.

Segundo ele, comumente se entende como atos racistas "xingamentos, humilhações ou constrangimentos” que alguém possa sofrer por causa da cor de sua pele. Para ele, o racismo é muito mais complexo do que estas manifestações individuais. Ele se refere também a mecanismos que impedem o acesso de determinados grupos étnico-raciais a riquezas como o conhecimento, o emprego e a renda, por exemplo. Segundo Santos (2007), a reprodução de barreiras sociais baseadas na raça torna o racismo um dos principais produtores da concentração de riqueza em nosso país.

O professor da UERJ se baseia em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para demonstrar as desigualdades raciais no acesso à educação. Segundo estes números, para 53,6% de jovens brancos cursando Educação Superior em nível de graduação tem-se apenas 15,8% de negros.

Tal cenário demonstra, ainda segundo o professor, que existem barreiras sociais que impedem que um jovem negro tenha o mesmo acesso a educação que um jovem branco. Estas barreiras, segundo a perspectiva apontada por Santos (2007), indicam que a sociedade brasileira é racista, mesmo que não se expressem com freqüência xingamentos ou humilhações a pessoas negras. A desigualdade no acesso a educação é uma forma – talvez muito mais cruel – de racismo.

Com as cotas, o Estado brasileiro está admitindo que, no que diz respeito a educação, as trajetórias de brancos e negros não são marcadas pela igualdade. Assim, para a construção de uma política educacional anti-racista, são necessárias a adoção de reserva de vagas para negros.


*publicado no jornal "A Razão" de 16/01, e do jornal "Diário de Santa Maria" de 30/01/09