quarta-feira, 13 de julho de 2011

II Encontro Estadual Juventude CTB/RS

II Encontro Estadual: A juventude trabalhadora conquistando direitos para desenvolver o Rio Grande do Sul



A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil está mobilizando no Rio Grande do Sul a segunda edição do Encontro Estadual de sua juventude, a realizar-se dia 13 de agosto no Sindicato dos Metalúrgicos na cidade de Caxias do Sul. O evento terá como tema "A juventude trabalhadora conquistando direitos para desenvolver o Rio Grande do Sul". O encontro integra-se no calendário de mobilizações da juventude gaucha e brasileira para a Conferência Nacional de Juventude, a realizar-se em setembro na sua etapa estadual e em dezembro na sua etapa nacional. A CTB espera reunir cerca de 150 jovens para o Encontro. A primeira edição, ocorrida em 2009, reuniu 40 jovens (clique aqui para ler o relato do Encontro de 2009).


Mobilizar a juventude Cetebista gaucha

A direção estadual da CTB orienta seus sindicatos a mobilizarem suas bases para o Encontro. Precisamos mostrar a força da CTB gaucha e seu protagonismo na organização da juventude. Metalúrgicos, agricultores familiares, comerciários, sapateiros, funcionários públicos, autônomos e demais trabalhadores devem enviar seus militantes e e pautas afim de construirmos um Encontro que sinalize a contribuição da CTB para a construção desse novo momento que se quer para o estado e para o país de desenvolvimento com valorização do trabalho e da juventude.

A importância das políticas para a juventude em um projeto de desenvolvimento nacional

O sociólogo e secretário nacional de juventude da CTB Paulo Vinícius em entrevista recente ao Portal da CTB (clique aqui para ler na íntegra) , ressaltou a importância do momento que o país vive para a formulação de políticas para a juventude. "Há um bônus demográfico, ou seja, uma situação favorável em que os jovens 15 a 34 anos somam 35% da população total, algo em torno de 67 milhões de pessoas. Nunca houve e, se cumprida a tendência da curva de crescimento da população, nem haverá tantos jovens quanto agora, em plena idade produtiva e em busca de um lugar na sociedade", explica.

Para ele, esse momento de bônus demográfico deve ser aproveitado por meio da integração produtiva dessa juventude. "Se a juventude é a maior vítima proporcional do desemprego, se ela não tem educação e uma qualificação profissional, se seu ingresso no mercado de trabalho é precário e sem direitos, se ela não pode se expressar e viver sua identidade, sexualidade, se ela não tem acesso à previdência, ao crédito e à terra, como o Brasil vencerá nesse novo momento econômico? Assim as políticas para a juventude são fundamentais para o Brasil dar um salto no rumo do desenvolvimento com valorização do trabalho", argumenta.

Programação do II Encontro Estadual da Juventude da CTB (13 de agosto, Sindicato dos Metalúrgicos de Caxias)

09h - Mesa de abertura
Participantes: Deputados Federais Manuela D'Ávila e Assis Melo, Deputado Estadual Catarina Paladini, representante do governo Tarso Mauricio Piccin, presidente da UJS Ticiana Alvarez, representação da FETAG, Guiomar Vuidor da CTB/RS, e Paulo Vinicius da CTB Nacional.

10h - A juventude trabalhadora conquistando direitos para o desenvolvimento
Paulo Vinícius e representação da FETAG

12h - Almoço

13h30min - Balanço e organização da Juventude da CTB/RS
Igor Corrêa Pereira e Vitor Espinoza

14h30min - Os desafios da juventude rural no Rio Grande do Sul
FETAG

15h30min - A participação da CTB na Conferência Estadual de Juventude
Ticiana Alvarez (UJS) e Paulo Vinicius (CTB)

18h - Encerramento.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Greve dos técnicos das Universidades

A greve dos técnicos e o desafio da unidade

A greve dos Técnicos das Universidades foi deflagrada dia 06 de junho de 2011, iniciando com 13 universidades e contando atualmente com a adesão de 37. Aqui na UFRGS e UFCSPA, numa Assembléia que lotou o saguão da Reitoria da UFRGS, os técnicos e técnicas lançaram-se no grupo de Universidades que fizeram a frente do movimento grevista.

Nunca fiz questão de esconder minha opinião sobre a greve. Como parte da coordenação da AssufrgS, sindicato que este ano completa 60 anos de história, sempre contribuí com minhas opiniões e faço questão de ressaltar que fui contra a deflagração da greve em 28 de março e me abstive na deflagração da greve dia 06 de junho. A despeito de minha posição individual, que representa a posição do núcleo da CTB organizado na FASUBRA, estou em greve desde o primeiro dia e só sairei da greve com a vitória da categoria.

A greve é um instrumento legítimo e poderoso que deve ser usado com muita cautela e responsabilidade para que não seja desgastado. A greve não pode se isolar, ou cometer o erro de desqualificar os interlocutores, no caso, o governo federal. O interesse da greve é a vitória, que é a conquista das pautas, no caso prioritariamente o aumento do piso salarial, a conquista do VBC, do reposicionamento dos aposentados, do reenquadramento dos cargos. Não é uma greve contra governos, mas a favor dos trabalhadores. Devemos estar preparados para uma batalha dura, mas o principal desafio é retomar a negociação com o governo, do qual esperamos propostas concretas, se possível consensuadas, com prazo para finalização.

Tendo em vista estes objetivos nada banais, não nos resta outra opção senão fortalecer o movimento. Angariar apoios da sociedade, dos parlamentares, da mídia, e principlamente, dos colegas que ainda não aderiram. Temos muita atividade pela frente, mas observamos com alegria o crescimento das adesões nas unidades. Dia a dia vemos colegas aderindo a greve, mas muitos ainda não estão convencidos, por diversos motivos.

Até agora temos feito tudo o que devemos fazer. Estamos muito mais fortes do que quando iniciamos o movimento. No entanto, será necessária muita serenidade, persistência e postura de diálogo da direção do movimento para que possamos continuar avançando na conquista de apoios.

Há muita gente que historicamente lutou pela categoria e que ainda não foi convencida para esta greve, por vários motivos. É preciso ter uma postura de respeito e diálogo com todos os colegas não-grevistas. Nenhuma opinião pode ser desrespeitada ou qualificada como ameaça. Nossa greve deve inovar, envolver, convencer, e nunca afastar as pessoas, seja nossos colegas, seja a sociedade.

Temos procurado a atenção e a simpatia de todos. Não estamos em greve por gostarmos, ou por fuga do trabalho, mas sim pela valorização do nosso fazer na Universidade. Contribuimos para a qualidade das Universidades no nosso fazer diário, e é pela manutenção e melhora dessa qualidade que estamos em greve. Sabemos que muitos colegas que ainda não aderiram têm muito a contribuir para melhorar nosso movimento, e que certamente a AssufrgS e a FASUBRA têm muito a melhorar. Fica aqui meu profundo respeito a trajetória de vários colegas que ainda não se decidiram a aderir a greve, mas que nem por isso fugiram da luta, e com os quais temos muito a aprender.

A unidade dos técnicos das Universidades é um desafio gigantesco, que deve ser alcançado com paciência, persistência e muito diálogo. Nossos sonhos devem ser capaz de unificar nossas divergências sem negar nossa diversidade. Juntos somos invencíveis e certamente venceremos!


Igor Corrêa Pereira

Coordenador de Imprensa da AssufrgS

Núcleo da CTB na UFRGS

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Governo Dilma anuncia investimento na formação dos trabalhadores e estudantes

"Com qualificação e formação do trabalhador, faremos um país mais rico, digno e sem pobreza"

O Blog Igor de Fato exibe a transcrição do Programa Café com a Presidenta (09/05/2011), onde Dilma Rousseff anuncia o PRONATEC, que pretende ampliar as vagas e o acesso de estudantes e trabalhadores a cursos técnicos. Segundo os dados divulgados, a meta é capacitar 8 milhões de pessoas até 2014. A presidenta Dilma Rousseff também destacou a importância da formação dos estudantes brasileiros no exterior. Hoje 5 mil alunos estudam fora do país através de bolsas concedidas pelo governo.

Transcrição

Apresentador: Olá, eu sou o Luciano Seixas e estamos aqui para mais um Café com a Presidenta, o nosso encontro semanal com a presidenta Dilma Rousseff. Bom dia, presidenta!

Presidenta: Bom dia, Luciano! Bom dia a todos que estão acompanhando o nosso bate-papo.

Apresentador: Presidenta, hoje nós queremos falar com a senhora sobre algo que interessa aos trabalhadores e, também, aos jovens estudantes. O governo mandou ao Congresso o projeto que cria o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico (Pronatec). A senhora pode explicar como é esse programa?

Presidenta: Claro, Luciano! Olha, nós criamos o Pronatec para qualificar o trabalhador de hoje e o do futuro. Nós queremos, Luciano, capacitar, até 2014, 8 milhões de estudantes e trabalhadores. Para quem já está no mercado de trabalho, vamos oferecer cursos de formação e qualificação profissional. E para o estudante do ensino médio, vamos oferecer formação profissionalizante. É assim: a moça ou o rapaz que quiser aprender uma profissão vai ter direito a uma bolsa de estudos; vai fazer o ensino médio num turno e o curso profissionalizante no outro turno. E, olha, o Pronatec também vai oferecer oportunidades para os beneficiários do Bolsa Família, para que eles possam ter uma profissão e um bom emprego.

Apresentador: Presidenta, para profissionalizar todas essas pessoas o governo vai ter que abrir muitas escolas, não é?

Presidenta: Ah, vai sim! Para você ter uma ideia, este ano já estamos construindo 81 novas escolas técnicas. E, até 2014, vamos construir mais 200 novas escolas técnicas. Junto com as que já existem, vamos chegar a uma rede de 555 escolas técnicas federais em todo o Brasil. E vamos fazer mais em parceria com os estados.

Apresentador: Que tipo de curso vai ser oferecido, presidenta?

Presidenta: São cursos nas mais variadas áreas. Você sabe que hoje em dia, por mais simples que seja o trabalho, é necessário ter alguma especialização. Muita gente, Luciano, aprendeu na prática, mas isso agora já não basta. Vou dar um exemplo: o pedreiro, antes, só precisava saber colocar o cimento e o tijolo; hoje, para ser um bom pedreiro, ele precisa conhecer os novos materiais e as novas tecnologias usadas na construção civil. Esta, por sinal, vai ser uma área importante no Pronatec, sabe, Luciano? Vamos investir muito na formação dos trabalhadores da construção civil, mas vamos criar cursos para todos os ramos: hotelaria, culinária, cabeleireiro, informática e outros setores fortes na nossa economia, que hoje estão demandando trabalhadores.

Apresentador: Como as instituições de ensino do chamado Sistema S – Senai, Senac, Senar, Senat e Sescoop – vão entrar nessa rede?

Presidenta: Olha, elas já são nossas parceiras neste desafio. Vamos readequar o Sistema S e ampliar a estrutura que já existe, com recursos do BNDES. Vamos aumentar o número de escolas e de vagas gratuitas para a população de baixa renda. Luciano, estamos dando um passo à frente num acordo feito em 2008, ainda na época do governo Lula, quando ficou acertado o aumento das vagas gratuitas em cursos do Sistema S.

Apresentador: E quem não conseguir uma vaga de graça e também não tiver dinheiro para pagar, como é que faz?

Presidenta: Para isso, nós vamos ampliar o Financiamento Estudantil (Fies), que já existe para o ensino superior, e agora vamos ampliá-lo para o ensino técnico. Quem quiser fazer um curso técnico em escola do Sistema S ou escolas particulares também vai poder pegar empréstimo para pagar o curso, em condições muito facilitadas. E vai ter outra novidade: o Fies Empresa. O que é o Fies Empresa, Luciano? É um tipo de empréstimo que vai ser dado às empresas para que elas promovam a formação profissional de seus empregados.

Apresentador: Presidenta, a senhora também tem falado muito em oferecer bolsas para quem quiser estudar no exterior, por quê?

Presidenta: Aí é o seguinte: não existe um só país avançado na área de ciência, na área de tecnologia que não tenha enviado seus jovens para estudar no exterior. É por isso que estamos criando um programa de apoio ao ensino no exterior. Hoje, temos 5 mil estudantes brasileiros que estudam no exterior, com bolsas custeadas pelo governo. A maior parte deles está na França, Alemanha e nos Estados Unidos. Queremos avançar e vamos avançar muito, Luciano, porque o nosso objetivo é conceder 75 mil bolsas, só o governo, até 2014. É um desafio grande, mas podemos alcança-lo. Tenho certeza que com esses dois programas, o Pronatec e as bolsas no exterior, vamos dar um salto no desenvolvimento desse país. Se hoje somos a sétima economia do mundo, devemos, em grande medida, ao suor e a força de quem faz o país crescer. Mas temos que lembrar que o Brasil precisa de mão de obra qualificada para prosseguir nesse novo ciclo do seu desenvolvimento. Com qualificação e formação do trabalhador, faremos um país mais rico, digno e sem pobreza.

Apresentador: A gente fica por aqui. Obrigado, presidenta, e até a próxima semana.

Presidenta: Obrigada a você, Luciano. E tchau para todos os nossos ouvintes!

Apresentador: Você pode acessar este programa na internet, o endereço é o www.cafe.ebc.com.br. Voltamos segunda-feira, até lá!

Fonte: Programa Café com a Presidenta elaborado pela Radiobras

segunda-feira, 2 de maio de 2011

1º de maio de conquistas da CTB/RS

Um 1º de maio de conquistas para a juventude gaúcha e brasileira

Estudante secundarista exibe cartaz no ato de aprovação da extensão da UFRGS para a Serra Gáucha: educação, trabalho e cultura são as lutas da juventude

Ontem participei do 1º maio que unificou centrais no Parcão de Canoas, na comemoração do 1º de maio, dia Internacional do(a) Trabalhador(a), onde a Juventude da CTB/RS deu um show de criatividade criando o Funk da CTB. No sábado, conversei com o metalúrgico e dirigente estadual da União da Juventude Socialista Max Mota Rodrigues, que trouxe boas novas da Serra Gaúcha: a aprovação de um convênio para a criação de uma extensão da UFRGS na região de Caxias do Sul. Do blog Coletivizando, do coordenador nacional de juventude da CTB Paulo Vinicius, sou informado que quinta-feira da semana passada a presidenta Dilma anunciou um Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico. Todas essas boas novas revelam o acerto da análise e trajetória da Juventude da CTB/RS e demonstram a necessidade de ampliar a organbização em torno do Coletivo de Juventude da CTB.

1º de maio com Funk da CTB em Canoas

As comemorações do 1º de maio promovidas pela Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) ocorreram em Caxias, Canoas e Alegrete. Em Canoas, o diferencial foi o Funk da CTB, executado pelo diretor estadual de Jovens Trabalhadores da UJS Igor Corrêa Pereira com o grupo de pagode Ki Presença de São Leopoldo. O Funk será exibido no Programa Saber Mais do Sindicato dos Empregados em Escritórios e Empresas Contábeis do Rio Grande do Sul (SINDESC RS), que vai ao ar todas as terças-feiras às 20 horas, e reprises aos domingos as 09:00h e quintas-feiras à 10:30, no POATV, canal 06 da NET, que pode ser assistido também pela Internet no endereço www.poatv.org . O objetivo do Funk é o de aproximar a juventude dos sindicatos. A CTB ainda organizou uma panfletagem com o lema Não fique só na torcida: vista a camiseta das mudanças e participe da CTB, para apresentar a entidade dos trabalhadortes em especial a juventude.

Aprovação da extensão da UFRGS em Caxias com atuação massiva da Juventude
A Câmara dos Vereadores de Caxias ficou pequena na última quinta (28/04), onde o deputado e dirigente da CTB Assis Melo (PCdoB/RS) celebrou Convênio da UFRGS com a Serra Gaúcha para a criação de uma extensão universitária que beneficie os estudantes da Região de Caxias. O metalúrgico e dirigente da UJS Max Mota Rodrigues atuou na mobilização dos estudantes secundaristas de Caxias para o evento histórico. "Nas salas de aula, nós falávamos principalmente com os filhos dos peões, que são os que mais precisam de ensino superior gratuito", conta Max, que relata com emoção a energia da juventude nesse dia. "Cantamos o hino do Rio Grande do Sul e gritávamos UJS. Teve uma hora que tive que sair do local para chorar", revela. O evento marca o apelo que a educação tem para que o jovem se insira com amais qualidade no mercado de trabalho e a importância que a juventude da serra, uma região industrial, dá para aeducação superior gratuita, ainda mais por não ter alcançado ainda esse direito. Saiba maiores detalhes sobre esse dia clicando aqui.

Dilma lança PRONATEC
A presidenta Dilma lançou na última quinta (28/04) o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e ao Emprego (Pronatec). A CTB/RS já havia destacado a importância da criação de um incentivo aoo acesso às escolas técnicas. É preciso avaliar com mais detalhamento a proposta de Dilma, mas sem dúvida o problema do insuficiente acesso a capacitação profissional precisa ser solucionado. Para ver o vídeo do lançamento da proposta, clique aqui.

A importância de aumentar a mobilização da juventude em torno da luta por educação, trabalho e cultura
Os últimos acontecimentos revelam a importância que a educação, o trabalho e a cultura têm para a juventude, e a necessidade de ampliar a mobilização em torno da ampliação do acesso a educação superior pública, do acesso a capacitação profissional. O 1º de maio com a presença do funk, do samba, do pagode e do nativismo, demonstrou a necessidade de aliar intervenções artisticas na nossa forma de atuação. É preciso propagandear a CTB como instrumento de organização da juventude que trabalha, e isso se faz por meio da aproximação da linguagem da juventude com o movimento sinidical. O ano é de muita mobilização, pois é ano de Conferência Nacional de Juventude. Precisamos ampliar a mobilização da juventude em torno do processo de Conferencia, seja ela estudante, trabalhadora, artista, esportista. E o caminho está dado: a gente unifica a juventude na luta por uma sociedade em que o filho do trabalhador e o próprio trabalhador possa virar doutor, e possa ser livre para cantar, dançar e ser feliz.


quarta-feira, 27 de abril de 2011

Concursos públicos na UFRGS e governo Dilma

A crítica certa ao governo Dilma

329 novos servidores tomam posse hoje na UFRGS. São 1031 desde 2008

Governo Lula: 82 mil novos servidores, quase 50 mil só na área da educação

Estampada na página da UFRGS de hoje (27/04) a grata notícia: "Desde 2008 até 2011, a UFRGS recebeu 485 docentes e 546 técnico-administrativos, totalizando 1031 novos servidores. É a maior renovação nos quadros da UFRGS na história da Instituição". Quem tem boa memória, lembra por que esse número é importante. Quantos viveram os duros anos neoliberais do governo Fernando Henrique Cardos? Quantos lutaram pela realização de concursos públicos? Pelo crescimento da Universidade? É por isso que com alegria damos boas vindas aos novos colegas técnicos e docentes, pois eles são muito necessários para a Universidade e para o Brasil.

O governo Lula contratou 82 mil novos servidores ao todo, ampliando de 70 para 200 bilhões o gasto com pessoal, reestruturando carreiras de boa parte do funcionalismo. Segundo dados do Ministério do Planejamento, em números absolutos, a maioria das contratações foi feita na área de educação: 49.286. Isso decorre da criação de universidades públicas e escolas técnicas, uma marca da administração Lula.

É insuficiente? Sem dúvida. Mas o reconhecimento é necessário: Lula superou todos os seus antecessores.

A crítica certa ao governo Dilma: menos juros, mais investimento em serviço público

Digo isso para colocarmos o debate onde devidamente ele deve se posicionar. Tem gente na FASUBRA que diz que o governo Lula e agora o governo Dilma é tão neoliberal quanto Fernando Henrique Cardoso. Isso é delírio. Não se trata de ser governista, no sentido de defender o governo acriticamente. Mas de entender que estamos lidando com um governo qualitativamente diferente do que o antecedeu.

É evidente que os últimos sinais de Dilma são preocupantes. Mas é preciso fazer a crítica certa ao governo Dilma. Não criticamos porque é igual ao FHC. Criticamos porque tem cortado orçamento, paralisado concursos, mantido a política financeira conservadora. É uma tarefa do movimento sindical pressionar para que o governo não pise no freio no que diz respeito a investimento em saúde, educação, moradia, infraestrutura e para que tenha coragem de peitar o interesse do capital financeiro. É preciso pressionar o governo Dilma para que priorize investimentos para a maioria da população em detrimento de megabanqueiros e especuladores, para os quais estão sendo destinados só este ano a vultuosa soma de R$230 bilhões para o pagamento de indecentes juros da dívida pública. Para se ter ideia, o Programa Bolsa Família, que tirou 30 milhões de pessoas da linha da pobreza, custa aos cofres públicos só
R$ 15,5 bilhões. Daria para fazer 15 Bolsas-família com o que se gasta com banqueiros! A menagem a DIlma é: menos juros, mais investimento com serviço público!

Não é uma mensagem corporativista. É a compreensão de que a população precisa de hospitais, escolas, universidades, postos de polícia, etc. E todos esses serviços precisam ser garantidos pelo Estado, através de trabalhadores do serviço público valorizados e comprometidos com um projeto de desenvolvimento para o país.

E aí que se insere com justiça a luta do funcionalismo público. Tendo em vista o projeto de Brasil que queremos, com justiça social, onde todos tenham acesso a educação e saúde de qualidade, um Brasil de pleno emprego e qualidade de vida para a população, sem fome, sem miséria. É preciso superar a visão corporativista e míope que muitos grupos defendem na FASUBRA em direção a uma luta que unifique a classe trabalhadora na construção de um Brasil para todos.

Igor Corrêa Pereira
CSC/CTB AssufrgS

sexta-feira, 22 de abril de 2011

O PCdoB se desvirtuou?



Revista Isto É diz que entende de comunismo e acha que PCdoB se desvirtuou



Causa perplexidade amatéria escrita por Octávio Costa intitulada "Onde foram parar os comunistas?" e publicada na Revista Isto é de 04/04/2011. A matéria, que mais parece um editorial, é de uma fragilidade argumentativa notável. Procura defender a tese de que o PCdoB se desvirtuou ideologicamente pela sua participação no governo Lula e agora Dilma, conforme aparece no cabeçalho: "Quase 80 anos após a criação do primeiro Partido Comunista Brasileiro, os herdeiros de Luiz Carlos Prestes trocam o papel de paladinos da justiça social pelo de políticos famintos por cargos no governo federal". Na realidade, o texto revela o temor de classe diante do franco crescimento e aumento de influência política do PCdoB.


A tese se sustenta em três frágeis argumentos:


1) A disputa da Autoridade Pública Olímpica (APO), que segundo o jornalista é uma questão bem menos nobre e mais pragmatica do que os objetivos históricos do Partido;


2) A atuação do deputado Aldo Rabelo na defesa do novo Código Florestal, que segundo o texto coloca o PCdoB ao lado da bancada que representa o interesse dos grandes latifundiários brasileiros;


3) O ingresso no Partido do pagodeiro e agora vereador em São Paulo Netinho de Paula, que segundo Costa, "com certeza, não tem seu passado de militância comunista".


Vale registrar ainda o desconhecimento grosseiro do jornalista, que parece desconhecer o fato de que o PCB ainda existe e lançou candidatura própria a presidência nas últimas eleições.


Vejamos argumento por argumento para verificar a validade dos mesmos:


A participação do PCdoB no governo federal


O PCdoB apoiou Lula desde 1989. Quando finalmente Lula triunfou em 2003, foi uma decorrência lógica participar do governo. E de maneira brilhante, por sinal. O ministro Orlando Silva, dos Esportes, foi determinante para a vinda da Copa do Mundo e das Olimpíadas para o Brasil. O PCdoB ajudou Lula a fazer esse governo que teve mais de 80% de aprovação popular. E sempre teve claro que era um governo nos marcos do capitalismo. Porque se o jornalista não sabe, é importante lembrar que é esse o sistema que vige no país atualmente. E é dentro dos marcos o capitalismo que o PCdoB pretende construir uma sociedade mais avançada, uma sociedade socialista. E não poderia ser diferente para quem se pauta pelo materialismo dialético, que compreende que é a partir da realidade concreta que se deve atuar e não numa realidade ideal.


O novo Código Florestal


A polêmica do Código Florestal tem angariado muitas críticas ao deputado Aldo Rebelo (PCdoB/SP), relator da proposta de mudança, que tem sido taxado por ambientalistas de aliado dos latifundiários. Sem entrar no mérito do conteúdo do debate, vale destacar aqui o apoio da CONTAG a mudança de Aldo Rabelo. Para quem não sabe a CONTAG é uma Confederação sindical composta por agricultores familiares e não latifundiários. Vale destacar ainda a análise da EMATER que considera que o novo Código de Aldo favorece principalmente os pequenos agricultores que são os mais criminalizados pelas regras ambientais brasileiras, extremamente mais rígidas do que todass as legislações dos países da Europa, incluindo a Holanda, país sede da ONG GreenPeace, uma das maiores críticas de Aldo.


O vereador paulista Netinho de Paula


Essa última provocação do texto é o cúmulo da opinião preconceituosa e sem nenhum fundamento jornalístico. O texto decidiu sentenciar que o PCdoB "não tem formação ideológica nem ideais revolucionários". E exemplifica a tese com a entrada do pagodeiro Netinho de Paula, atualamente vereador pela sigla em São Paulo. O texto dispara a descrição preconceituosa do artista: "Pagodeiro, chegou ao partido como cacique trazendo consigo uma única credencial: a capacidade de aglutinar votos". Sobre isso, é importante dizer que o Partido não faz um teste de admissão e nem espera que ingressem em suas fileiras pessoas já formadas política e ideologicamente. Desta forma, é evidente que nem o Netinho de Paula e nem ninguém que entrou no PCdoB já entrou formado e preparado política e ideologicamente. O PCdoB, no entanto, tem sim uma escola de formação de quadros, uma Escola Nacional de Formação, da qual todos os militantes, inclusive o Netinho, participam durante toda a sua trajetória de militância, pois nem o o Netinho nem ninguém do Partido pode se dizer definitivamente formado. Desta forma, o PCdoB procura receber todas as pessoas que desejam se filiar sem preconceito, e foi para o Partido recebida com grande alegria a entrada de Netinho de Paula, pela sua trajetória a favor da população mais pobre e contra o racismo.


Ataque da Isto É revela que o crescimento do PCdoB está incomodando


Para a matéria da Isto é, o PCdoB se desvirtuou porque participa do governo, está redigindo o novo código florestal e admitiu a entrada do Netinho de Paula. Com todo respeito a esta revista importante dentro do contexto brasileiro, trata-se de uma opinião com pouca consistência. O PCdoB não abriu mão de seu programa socialista, e vem atuando diariamente tendo em vista seu objetivo estratégico. Para o PCdoB, o caminho para a construção de uma socioedade socialista é a construção de um Projeto Nacional de Desenvolvimento, e é isso que o Partido tem ajudado o governo Lula e agora Dilma a fazer. É legítimo que outras correntes de esquerda e que a sociedade em geral questione as ideias do PCdoB. Agora, que façam com fundamento. O texto de Octávio Costa nada mais é que uma artigo opinativo preconceituoso e raso que tem como único objetivo atacar a imagem do PCdoB tendo em vista o seu franco momento de crescimento e aumento de influência. O PCdoB está se tornando incômodo, pois está ficando grande, e isso ameaça e incomoda muita gente. Um fantasma assombra as editorias da imprensa burguesa brasileira: o fantasma do comunismo do Brasil, que tem a cara do nosso povo, que gosta de pagode, que entende a agricultura familiar, que coloca o país como sede da Copa e das Olimpíadas.


Vejo com bons olhos esse ataque. Sinal que estamos no caminho certo.


Igor Corrêa Pereira






Militante do PCdoB do Rio Grande do Sul.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Reforma Agrária

A Reforma Agrária é essencial para o combate a miséria
Sou um indivíduo urbano. Vivo na cidade, trabalho na cidade, enxergo o mundo dessa perspectiva. E na cidade convivo diariamente com a miséria de toda uma população, em grande parte jovem, que vive no desalento das ruas.

Tenho notícias do mundo rural que se organiza na agricultura familiar, na luta por reforma agrária, e me solidarizo com essa luta. Enxergo a necessidade dessa pauta no cotidiano de uma Porto Alegre dos miseráveis, subempregados, que tem pouca ou nenhuma oportunidade no meio urbano.

Crédito promovendo a reprodução da agricultura familiar
“A Reforma Agrária é essencial para o combate a miséria”, argumenta Willian Clementino, secretário de políticas agrárias da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag). E avalia que o governo Lula, apesar de não ter avançado “como gostaríamos, ou como deveria”, aumentou recursos em três programas que considera “o bojo da reforma agrária”: Pronaf [Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar]; Programa Mais Alimentos ; e Programa Nacional de Alimentação Escolar. Essa sua fala supera a compreensão de que reforma agrária se resume ao assentamento de famílias. Embora os assentamentos sejam essenciais, não basta só assentar, é preciso garantir que a agricultura familiar se reproduza e fortaleça.

Em relação ao PRONAF, para a safra de 2011-2012, a reivindicação dos agricultores familiares é que se mantenha o orçamento da safra anterior de R$ 16 bilhões para financiar a pequena produção. Conversando com o dirigente da FETAG do RS Cristian Wagner, fiquei sabendo que o Crédito Fundiário precisa ampliar seus recursos bem como democratizar seu acesso. Segundo sua avaliação, o jovem agricultor familiar têm muita dificuldade para acessar o crédito, o que consequentemente dificulta sua permanência no campo e aumenta o êxodo rural. É reivindicação antiga da FETAG um Programa Nacional de Crédito Fundiário com uma linha de crédito para compra de áreas rurais para jovens que queiram adquirir área individualmente e/ou estejam organizados em associações. Essa é uma medida que contém efetivamente o êxodo, já que muitos filhos de agricultores abandonam o campo pois chega-se ao limite de parcelamento das propriedades.

Fortalecimento da EMATER
Outra política muito reivindicada é a assistência técnica. Para permanecer no campo, não basta só acesso a terra, nem tampouco recursos para nela produzir. É essencial o acesso a orientações sobre preparo do solo, plantio, controle de pragas e doenças, colheita, manejo de animais, controle sanitário, melhoramento animal, etc. No Rio Grande do Sul, uma política de fortalecimento da agricultura familiar passa pelo fortalecimento da EMATER (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural), que foi sucateada pelos governos estaduais anteriores, e precisa urgentemente ampliar seu quadro técnico via abertura de novos concursos.

Agricultura familiar abastecendo a alimentação escolar
Com relação ao Programa Nacional de Alimentação Escolar, vinculado ao Ministério da Educação, o horizonte de aumento do programa, que tem orçamento para 2011 de R$ 3,1 bilhões, é a ampliação da porcentagem do PIB para a educação. Nesse ponto converge a pauta dos agricultores com os estudantes e trabalhadores da educação, que reivindicam 10% do PIB para o setor.

Atualmente 45,6 milhões de estudantes da educação básica e de jovens e adultos são beneficiados pelo Programa de Alimentação Escolar. Se considerarmos que o Programa não abrange a Assistência estudantil do Ensino Superior, que em boa parte conta com Restaurantes Universitários que precisam ser abastecidos diariamente com alimentos, temos uma enorme potencialidade de crescimento. É preciso garantir que seja a agricultura familiar a escolhida para abastecer a alimentação de nossos estudantes de todos os níveis. Isso aumenta e fortalece a produção, desenvolve o país, e consequentemente combate a miséria.

Vale a pena recordar as palavras emocionadas de Dilma em sua posse: "Não vou descansar enquanto houver brasileiros sem alimentos na mesa, enquanto houver famílias no desalento das ruas, enquanto houver crianças pobres abandonadas à própria sorte. O congraçamento das famílias se dá no alimento, na paz e na alegria. E este é o sonho que vou perseguir!". Ela mesma já disse que o caminho para perseguir esse sonho é o fortalecimento da agricultura familiar. O desafio está dado. O Brasil precisa erradicar a pobreza extrema, e esse objetivo não será alcançado sem uma decidida reforma agrária que passe por crédito rural, assistência técnica e políticas de permanência da juventude no campo.

Igor Corrêa Pereira
Direção de Jovens Trabalhadores da União da Juventude Socialista/RS