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quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Prof. De Economia da UFRGS debaterá a Crise capitalista no FST 2012


Acaba de confirmar presença no debate sobre crise capitalista a ser realizado no Parque Harmonia em Porto Alegre no dia 25 de janeiro o Professor da Faculdade de Ciências Econômicas da UFRGS Pedro Cezar Dutra Fonseca. Ganhador do prêmio Pesquisador Gaúcho 2011, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (FAPERGS), Fonseca é considerado Pesquisador Destaque na área de Economia e Administração.

Dedicado ao estudo da trajetória da economia brasileira, Fonseca pode desvendar a diferença do rumo tomado pelo Brasil e  os países emergentes do Sul do Mundo que crescem enquanto que os países centrais da economia capitalista vivem uma crise econômica sem precedentes. A exposição de Pedro Fonseca certamente qualificará o debate promovido pela Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB), estimulando uma discussão em alto nível sobre as alternativas frente a crise do capitalismo, o que sem dúvida cumpre os objetivos do Fórum Social Temático (FST) 2012.

A mesa ocorre na Tenda Central do Acampamento Intercontinental da Juventude do Parque Harmonia a partir das 14h do dia 25 de janeiro. As inscrições são gratuitas e já podem ser feitas pelo e-mail ctb.rs@portalctb.org.br

Confira ainda programação completa da CTB no Fórum Social Temático – de 24 a 29/01/2012

- 24/01/2012- 14h (terça-feira): MARCHA DE ABERTURA
17h, no Parque Harmonia na cidade de Porto Alegre/RS.: Culturata de Lançamento do samba-enredo em homenagem a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), de autoria dos compositores Renan SN, Mestre Fábio Lolo e Andrei do Cavaco, da Escola de Samba Cruzeiro do Sul, de Novo Hamburgo.

- 25 de janeiro de 2012 (quarta-feira):
 14h “Juventude e a Crise Capitalista” na Tenda Central do Acampamento da CTB Jovem no Parque da Harmonia na Cidade de Porto Alegre/RS, tendo como debatedor o Prof. De Economia da UFRGS Pedro Fonseca

- 27/01/2012 (sexta-feira):
MESA 1
“Integração Latino-Americano, razões macroeconômicas, políticas e sociais.”
08h30min recepção dos participantes
09h00min composição da mesa
Palestrantes: Senador Inácio Arruda *
Presidente INTERSUL – Jose Carlos de Assis
Mediadora: Gilda Almeida – CTB/CES
10h30min DEBATE
12h30min Encaminhamentos /Encerramento

- 27/01/2012 (sexta-feira):
MESA 2
“Integração Latino-Americana: Alternativa concreta para a Classe Trabalhadora diante da Crise Capitalista.”
14h30min recepção dos participantes
15h00min composição da mesa
Palestrantes: PIT CNT-URUGUAI
                        CTA- ARGENTINA
                        CTC –CUBA
Deputado Federal Assis Melo –PCdoB- BRASIL *
Mediador: Carlos Rogerio Nunes   – CTB
16h30min Debate
18h00min Encaminhamentos/Encerramento
*a confirmar
LOCAL: STRE – Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (antiga DRT RS)
Av.Mauá, nº 1013 - 10º andar
28/01/2012 – 08h30min ASSEMBLEIA DOS MOVIMENTOS SOCIAIS

Localização da tenda da CTB
Av. Presidente João Goulart, 551
Próximo ao Gasômetro

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Concursos públicos na UFRGS e governo Dilma

A crítica certa ao governo Dilma

329 novos servidores tomam posse hoje na UFRGS. São 1031 desde 2008

Governo Lula: 82 mil novos servidores, quase 50 mil só na área da educação

Estampada na página da UFRGS de hoje (27/04) a grata notícia: "Desde 2008 até 2011, a UFRGS recebeu 485 docentes e 546 técnico-administrativos, totalizando 1031 novos servidores. É a maior renovação nos quadros da UFRGS na história da Instituição". Quem tem boa memória, lembra por que esse número é importante. Quantos viveram os duros anos neoliberais do governo Fernando Henrique Cardos? Quantos lutaram pela realização de concursos públicos? Pelo crescimento da Universidade? É por isso que com alegria damos boas vindas aos novos colegas técnicos e docentes, pois eles são muito necessários para a Universidade e para o Brasil.

O governo Lula contratou 82 mil novos servidores ao todo, ampliando de 70 para 200 bilhões o gasto com pessoal, reestruturando carreiras de boa parte do funcionalismo. Segundo dados do Ministério do Planejamento, em números absolutos, a maioria das contratações foi feita na área de educação: 49.286. Isso decorre da criação de universidades públicas e escolas técnicas, uma marca da administração Lula.

É insuficiente? Sem dúvida. Mas o reconhecimento é necessário: Lula superou todos os seus antecessores.

A crítica certa ao governo Dilma: menos juros, mais investimento em serviço público

Digo isso para colocarmos o debate onde devidamente ele deve se posicionar. Tem gente na FASUBRA que diz que o governo Lula e agora o governo Dilma é tão neoliberal quanto Fernando Henrique Cardoso. Isso é delírio. Não se trata de ser governista, no sentido de defender o governo acriticamente. Mas de entender que estamos lidando com um governo qualitativamente diferente do que o antecedeu.

É evidente que os últimos sinais de Dilma são preocupantes. Mas é preciso fazer a crítica certa ao governo Dilma. Não criticamos porque é igual ao FHC. Criticamos porque tem cortado orçamento, paralisado concursos, mantido a política financeira conservadora. É uma tarefa do movimento sindical pressionar para que o governo não pise no freio no que diz respeito a investimento em saúde, educação, moradia, infraestrutura e para que tenha coragem de peitar o interesse do capital financeiro. É preciso pressionar o governo Dilma para que priorize investimentos para a maioria da população em detrimento de megabanqueiros e especuladores, para os quais estão sendo destinados só este ano a vultuosa soma de R$230 bilhões para o pagamento de indecentes juros da dívida pública. Para se ter ideia, o Programa Bolsa Família, que tirou 30 milhões de pessoas da linha da pobreza, custa aos cofres públicos só
R$ 15,5 bilhões. Daria para fazer 15 Bolsas-família com o que se gasta com banqueiros! A menagem a DIlma é: menos juros, mais investimento com serviço público!

Não é uma mensagem corporativista. É a compreensão de que a população precisa de hospitais, escolas, universidades, postos de polícia, etc. E todos esses serviços precisam ser garantidos pelo Estado, através de trabalhadores do serviço público valorizados e comprometidos com um projeto de desenvolvimento para o país.

E aí que se insere com justiça a luta do funcionalismo público. Tendo em vista o projeto de Brasil que queremos, com justiça social, onde todos tenham acesso a educação e saúde de qualidade, um Brasil de pleno emprego e qualidade de vida para a população, sem fome, sem miséria. É preciso superar a visão corporativista e míope que muitos grupos defendem na FASUBRA em direção a uma luta que unifique a classe trabalhadora na construção de um Brasil para todos.

Igor Corrêa Pereira
CSC/CTB AssufrgS

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Jornal Boca de Rua 10 anos

Jornal Boca de Rua: 10 anos noticiando uma outra cidade


A mídia comercial noticia a cidade sob a óptica das elites. Nestes veículos, os moradores de rua raramente são retratados, e quando o são, ocupam geralmente as páginas policiais. O Jornal Boca de Rua marcou seu aniversário de uma década ontem (25/08), debatendo no Cine Redenção da UFRGS sobre a importância da garantia do direito a comunicação de segmentos historicamente vulnerabilizados, como a População de Rua de Porto Alegre/RS. O blog Igor de Fato esteve lá.

Assisti ontem dois excelentes documentários que retratavam o Projeto Boca de Rua na sala do cine Redenção da UFRGS. O primeiro deles, "Notícias de uma outra cidade", de 2004, dirigido por Wagner Machado, relata a trajetória do Projeto que no final dos anos noventa foi concebido por jornalistas como Clarinha Glock, com o objetivo de "dar voz a quem não tem voz na mídia" convencional. O vídeo coloca os jornalistas do Boca como cronistas de seu cotidiano, e nessa posição eles entrevistam inclusive a então vereadora Manuela D'Ávila, que ressalta o mérito democratizante do Jornal.

Depois da exibição do vídeo de 35 minutos, o próprio Wagner Machado comentou sua concepção, destacando o que considera ser os maiores ganhos do projeto: a possibilidade de transformar moradores de rua em jornalistas ao mesmo tempo que resgata a dignidade destes, denuncia a injustiça de uma sociedade desigual, não sendo com isso um a iniciativa meramente assistencialista, mas de caráter crítico e transformador da realidade.

"Boquinha" conversa com os "Sem-Terrinha"

O segundo documentário exibido foi o tocante "Projeto Boquinha", produzido pelo Coletivo Catarse em 2008. Nele, um encontro inesquecível entre as crianças em situação de rua que participam do projeto e as crianças do Movimento Sem Terra de Nova Santa Rita, estudantes da Escola Itinerante do MST (projeto extinto pela governadora Yeda e o Ministério Público).

Reinaldo "baiano" e Portela: Porto Alegre da Copa do Mundo precisa levar em conta os sem-teto

A exibição dos documentários foi conduzida pelo Mestre de Cerimônias Reinaldo Luiz dos Santos, o "baiano", jornalista do Boca de Rua que passou no vestibular tanto na UFRGS quanto na UFSM. Ativista pelos direitos dos moradores de rua, Reinaldo lembra que o atual governo municipal não construiu nenhum equipamento para os moradores de rua, e os albergues que existem estão sucateados. Conversando com George Portela, outro ativista dos sem-moradia, ele me disse que lamenta que a população sem-teto esteja alijada dos debates para a Copa do Mundo no Brasil em 2014 em Porto Alegre/RS. A cidade de Porto Alegre precisa de uma política de inclusão social mais efetiva, ainda mais agora que sediará a Copa do Mundo em 2014.

Saí do Cine Redenção fortalecido e cada vez mais convencido de que só a luta pode transformar a realidade de desigualdade no nosso país.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

REUNI

UFRGS prepara maior expansão de sua história


Universidade terá 60 obras e ampliará em 30% oferta de vagas no vestibular até 2012

Carlos Etchichury | carlos.etchichury@zerohora.com.br

A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) prepara as bases para a maior expansão em 75 anos de história. Cerca de 60 obras – algumas em andamento, mas a maioria em fase final de projeto ou licitação – garantirão uma ampliação de 30% nas vagas do vestibular até 2012. É como se uma nova universidade emergisse de dentro da universidade.

Serão 1,3 mil vagas a mais no vestibular nos cinco anos a contar de 2007, quando os ingressos eram 4,2 mil. Chegarão a 5,5 mil em 2012. A maior parte das vagas adicionais virá em cursos novos ou noturnos.

Na área da saúde pública, um Hospital Odontológico vai se transformar na primeira emergência pública do gênero na Capital. Com 150 consultórios, poderá atender a 450 pacientes por dia, com serviço de pronto-socorro e procedimentos como limpeza, restaurações, colocação de próteses e cirurgias. A universidade aguarda licença para iniciar as obras, cujo tempo de execução é de um ano e meio.

– O hospital abrigará um pronto-socorro odontológico destinado a emergências não traumáticas, como dor, hemorragia e infecção. É uma revolução no atendimento odontológico universitário, que vai beneficiar toda a Região Metropolitana – diz Rui Oppermann, professor da Faculdade de Odontologia e vice-reitor da universidade.

No campus do Vale, prédios equipados com laboratórios modernos, um novo restaurante universitário e uma casa do estudante com capacidade para 600 pessoas, entre mais de uma dezena de obras, prometem mais conforto para pesquisadores, estudantes da graduação e professores. No campus Olímpico, que abriga a Escola Superior de Educação Física, dois ginásios podem atrair eventos internacionais quando estiverem prontos.

Investimento é de R$ 90 milhoes

A transformação integra um processo mais amplo de reestruturação de todo o Ensino Superior do país, financiado pelo Programa de Reestruturação Expansão das Universidades (Reuni) do Ministério da Educação. A UFRGS, que conta com R$ 36 milhões garantidos pelo programa, contará com mais R$ 54 milhões assegurados graças a convênios com os ministérios da Saúde, Ciência e Tecnologia e Esportes.

– São recursos suficientes para expandir em 28% a área física da universidade, que terá mais 90 mil metros quadrados acrescentados aos 350 mil já existentes – diz o reitor, Carlos Alexandre Netto.

Desde 2007, quando uma metamorfose se iniciou na universidade, foram criadas 750 vagas em 12 novos cursos (Fonoaudiologia, Engenharia de Automação, Museologia, Fisioterapia, Licenciatura em Dança, Biotecnologia, Serviço Social, História da Arte, Políticas Públicas e Análise de Políticas e Sistema de saúde) e quatro cursos que passaram a oferecer aulas à noite (Química Industrial, Licenciatura em Filosofia, Psicologia e Odontologia).

Além de obras, 306 professores foram contratados e 466 funcionários, admitidos. Para os próximos dois anos estão previstos mais 201 servidores e outros 276 mestres e doutores.

Embora comemore as novidades, o presidente da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Cláudio Scherer, prefere cautela diante de décadas de imobilização.

– Aplaudo a expansão, mas ela ainda é tímida – pondera o professor.

Engenharia vai dobrar formação

As 13 faculdades da Escola de Engenharia vão dobrar a formação de profissionais nos próximos cinco anos.

Com a ampliação, que significaria 900 novos engenheiros por ano, a UFRGS se projeta para o futuro. De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, em 2015 o Brasil terá cerca de 1,1 milhão de engenheiros, mas, caso mantenha um crescimento de 7% ao ano, serão necessários 1,47 milhões de profissionais – um déficit de 370 mil.

– O desafio é ampliar com qualidade o número de engenheiros formados – constata Carlos Eduardo Pereira, vice-diretor da Escola de Engenharia.

Uma das principais apostas da Escola de Engenharia, que forma uma média de 480 engenheiros por ano, é o Centro de Energia da UFRGS. Os novos laboratórios vão permitir o desenvolvimento de pesquisas de ponta na área do petróleo – com materiais asfálticos, equipamentos para plataformas e sistemas de controle.

Profissionais versáteis e talhados para uma economia cada vez mais complexa, engenheiros saem da universidade empregados.

– Alguns dos nossos egressos chegam a receber mais de uma oferta de emprego antes mesmo de concluir o curso – diz Pereira.

A defasagem do Brasil se torna evidente quando se faz o cotejamento com países que experimentam crescimento econômico continuado, como Índia e China. Enquanto o Brasil forma por ano cerca de 50 mil engenheiros, a Índia diploma 200 mil, e a China, 600 mil.

Descentralização fica esquecida na expansão

Comemorada pela comunidade acadêmica, a ampliação da UFRGS não altera um perfil consolidado em sete décadas de existência da instituição: a instituição continuará concentrada na Capital.

Para o vice-presidente do Fórum dos Professores das Universidades Federais do Brasil (Proifes), Eduardo Rolim de Oliveira, a manutenção da instituição em Porto Alegre evidencia a ausência de um projeto estratégico.

– Acho que faltou um plano global, centralizado, que direcionasse a expansão, que ocorre de forma fragmentada. O plano de ampliação foi montado a partir das propostas das faculdades. Deveria ser feito o inverso – observa Oliveira.

Como consequência, diz o professor, que também integra o conselho universitário da universidade, perdeu-se a oportunidade de “interiorizar” a instituição.

– Poderíamos ter seguido o caminho de outras universidades federais, que se descentralizaram, mas continuamos apenas na Região Metropolitana – complementa.

Beneficiadas por verbas do Reuni, as universidades federais de Santa Maria, que criou um campus em Frederico Westphalen, e de Rio Grande, que construiu um em Santo Antônio da Patrulha, optaram por crescer em outras regiões do Estado.

Dos 32.708 inscritos no último vestibular da UFRGS, 2.659 residiam no Interior ou fora do Estado. A assessoria de comunicação da universidade não sabe precisar quantos dos 25.796 alunos na graduação e dos 8.755 da pós-graduação, distribuídos entre os 86 cursos, são de fora da Capital.

Conforme o reitor da UFRGS, Carlos Alexandre Netto, durante a elaboração do plano de expansão faculdades e institutos não apresentaram propostas de interiorização.

– Há universidades federais que garantem a cobertura quase completa do Estado – justifica Netto.

Nos próximo anos, porém, um movimento em direção ao Litoral Norte é esperado. No ano passado, a Associação dos Prefeitos do Litoral Norte solicitou que a universidade criasse algum tipo de extensão na região. O novo campus, em fase de estudo, seria sediado em Tramandaí.



Vagas no vestibular
2007 4.212
2010 4.961
2012 5.500

Fonte: ZERO HORA


domingo, 6 de junho de 2010

Educação Antirracista

O Brasil precisa se descolonizar culturalmente

Com nosso pensamento histórico voltado a civilização européia, nas escolas esquecemos de contar a constribuição dos povos não-europeus para a nossa formação histórica, social, cultura e econômica.

Palestra na UFRGS abordou a necessidade de resgatar nas escolas a contribuição não-européia na formação do Brasil.

No dia 27 de maio, no mês do trabalhador e da luta contra a discriminação, tive o privilégio de participar do 3º Seminário Antirracista da ASSUFRGS, no Auditório da Economia da UFRGS. A palestra da tarde versava sobre o papel da Universidade na promoção da Lei 10.639.

A Lei 10.639, para quem não sabe, propõe como uma política de Estado a obrigatoriedade na educação básica de duas ações: a primeira é implementar a história e a cultura afro-brasileira e Africana nos currículos escolares e a segunda ação é a comemoração do 20 de Novembro como Dia da Consciência Negra. É uma lei importantíssima, sancionada pelo presidente Lula em janeiro de 2003, que ainda não se implementou suficientemente nas escolas nem tampouco nos curriculos das licenciaturas das Universidades.

Apesar de alguns meritosos esforços institucionais pela implementação da 10.639 nas IES, como o que acontece desenvolvido por Rita Camisolão, da Pró-Reitoria de Extensão da UFRGS, que promove cursos de formação continuada para professores da rede básica de ensino, o fato é que muitas resistências têm sido enfrentadas para que a lei saia efetivamente do papel.

Segundo o Professor Adjunto de História Afro-Asiática da UFRGS Luiz Dario Teixeira Ribeiro, existe uma resistência interna no curso de História da Universidade para se tratar este tipo de conteúdo. Desde 81 existe a disciplina de História da África, mas como cadeira eletiva e não obrigatória. A Lei 10.639 serviu como elemento para pressionar a realização de um concurso para Professor de História da África, mas segundo sua avaliação, as resistências persistem, pois na Universidade ainda prevalece um pensamento eurocentrista.

O dirigente da União dos Negros Pela Igualdade (UNEGRO), José Antonio dos Santos da Silva reafirmou essa carência. "Quem foi João Cândido? Aposto que muitos não sabem que ele é gaúcho", afirma ele, referindo-se ao marinheiro nascido em Rio Pardo no RS, que em 1910 liderou a chamada "Revolta da Chibata", realizada em 1910 no Rio de Janeiro, que reivindicava a abolição dos castigos corporais na Marinha de Guerra brasileira.

Sobre isso Luiz Mendes, diretor do Sindicato dos Servidores da Justiça (SINDJUS), complementa afirmando que a história contada nas escolas omite a participação dos negros. "Vocês conhecem o nome de algum negro que lutou na Revolução Farroupilha? Provavelmente não. Será que os negros não lutaram? Eram todos covardes?", ironiza ele, para exemplificar que a participação de negros parece "apagada" do currículo oficial das escolas.

Da mesma forma deve-se acrescentar a imensa contribuição histórico-cultural dos povos indígenas para a formação do povo brasileiro. Também essa história é relegada a um segundo plano nas escolas. Só para citar um exemplo do Rio Grande do Sul, pouco se fala sobre personagens como Sepé Tiaraju, que liderou os guaranis no confronto a tropas luso-espanholas na Guerra Guaranítica no século XVII, deixando seu legado na formação da cultura missioneira do RS e do Brasil como um todo.

Por tudo isso, está mais do que na hora de nosso país se descolonizar também no pensamento. Precisamos resgatar o que temos de africano, de indígena, para construirmos uma identidade nacional soberana, autóctone. Já temos avançado nesse sentido, mas muito ainda precisa ser feito. As bibliotecas precisam de livros que abordem o assunto, as Universidades precisam de disciplinas, projetos de pesquisa, extensão, as escolas da educação básica precisam mudar seus currículos, a televisão e o cinema precisam dar sua contribuição. É um esforço de toda a sociedade no resgate da nosssa História contada por todos os seus escritores.