quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Assista o vídeo: A CTB chegou pra valer


 
A Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB) lançou no You Tube na madrugada do dia 18/01 um samba-enredo contando um pouco de sua história e lutas, que já a caracterizam como uma Central democrática, classista e de luta. A música foi composta por Mestre Fábio Lolo, Renan SN e Andrei do Cavaco, integrantes da Escola de Samba Cruzeiro do Sul, de Novo Hamburgo/RS e será lançada oficialmente na Marcha de Abertura do Fórum Social Temático no dia 24 de janeiro de 2012, na cidade de Porto Alegre/RS. O blog Igor de Fato exibe em primeira mão o samba que cairá nas avenidas do país embalando trabalhadores e trabalhadoras já no ritmo de uma das festas mais queridas do Brasil, que é o carnaval. 

A CTB chegou pra valer
Autores: Renan SN, Mestre Fábio Lolo e Andrei do Cavaco
Intérprete do Samba: Renan SN

Alusivo antes do samba: “Democracia assim se faz/Classista em união/Sou CTB e luto por essa nação”

A CTB, hoje chegou pra valer             
Com humildade, samba pra você                               {refrão}
De peito aberto com o pé no chão                                
Unindo forças com trabalho pra nação

Desde a juventude com coragem
Nessa vida a batalhar
Mãos calejadas pelo ofício dessa briga
A brilhar!
Acordes de dignidade,
Vão regendo uma batalha triunfal
De menos juros e mais desenvolvimento
Valorizando a justiça nacional!

De cara pintada, bandeira na mão
A CTB em busca do ideal,                                {refrão}
Nessa levada, mais um dia a raiar
Tá na marmita a lembrança do lar

Reforma agrária, previdência na pista
Redução da jornada traz para a lista
Unidos... Ninguém vai nos derrubar!
Seja pedreiro, professor, malabarista
Tá convidado tu é gari tu é sambista!

Sou brasileiro com orgulho sim “sinhô”
Com a bola no pé meu sonho é o gol!  (GOL!)                                   {refrão}
Eu sou sambista, e tenho fé
Vem lutar com CTB
Que essa briga é pra vencer


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sábado, 14 de janeiro de 2012

O efetivo combate à corrupção


Não é a negação da política que vai combater a corrupção. Trata-se de debater soluções que alterem as regras eleitorais coibindo a influência do poder econômico sobre o político. 

O ano de 2011 foi marcado pela intensa repercussão das práticas de corrupção dos políticos. O tema teve grande espaço na mídia televisiva, não somente na programação jornalística, mas em programas de humor como o Custe o que Custar (CQC) da Rede Bandeirantes, e o Zorra Total da Rede Globo, onde, de maneiras diferentes, a intenção pareceu sempre a mesma: ridicularizar os escândalos relacionados aos políticos de nosso país. A intensa exposição midiática da corrupção encontrou eco em algumas manifestações de rua, onde a revolta contra a corrupção foi muito mais uma forma de negação da própria política. 
 
A intensa evidência que o tema da corrupção encontrou na mídia e na chamada opinião pública não deu espaço para o óbvio desdobramento de toda a revolta que as práticas corruptas pode causar. Afinal, quais são as causas e quais as possíveis soluções para a corrupção que revolta a opinião pública?


A cobertura jornalística que boa parte da mídia empresarial dá às denúncias de malfeitos públicos não contribui para a resposta dessa pergunta. Sem a preocupação de averiguar fontes, a mídia parece muito mais interessada no patrocínio de escândalos e na destruição de biografias sem a necessária apuração das denúncias. A fórmula tem sido sempre a mesma. Alguém denuncia sem necessariamente apresentar provas e a mídia divulga as denúncias em tom de condenação. Antes que o Poder Judiciário julgue, a mídia já o fez. A reputação do acusado já está maculada, independentemente do resultado das investigações, e o que é pior, a reputação da própria política sofre mais um golpe. 
 
Esta conduta da mídia hegemônica não contribui para o fortalecimento da cidadania. Não constrói alternativas. Somente reforça a ideia equivocada de que a política é algo a priori sujo, do qual os “cidadãos de bem” devem manter distância. Está ideia equivocada pode inclusive se desdobrar em soluções de quebra do Estado de Direito, como a instituição de regimes antidemocráticos com o pretexto da “restauração da ordem” e da “limpeza ética”. Vale lembrar que o golpe militar de 1964 no Brasil foi justificado pelos grandes jornais nacionais da época – a maioria deles ainda em funcionamento hoje e com grande influência – justamente como uma forma do combate a corrupção do governo João Goulart. Não é à toa que este setor da mídia recebeu a alcunha de Partido da Imprensa Golpista (PIG). É um comportamento desestabilizador da democracia que possui raízes históricas. 
 
Por isso, cabe aos setores progressistas da sociedade a oxigenação do debate sobre a corrupção. Não se trata da proteção de corruptos, que devem ser punidos não importando a sigla partidária a que pertençam. Toda a denúncia deve ser averiguada, pois o Estado em suas diferentes instâncias, é financiado pelos impostos da população, e qualquer uso indevido das verbas públicas causa danos diretos a serviços essenciais principalmente para os setores mais carentes da sociedade. No entanto, a corrupção deve ser combatida com seriedade. É necessário muito mais que instigar a revolta com maus políticos para combater a corrupção. Trata-se de fomentar uma profunda discussão sobre uma reforma das regras eleitorais e políticas. 
 
E já que a mídia empresarial não parece interessada em patrocinar esta discussão, que o façam as inúmeras iniciativas de mídia contra-hegemônica: a blogosfera, as redes sociais, as rádios e tevês comunitárias, os sítios eletrônicos e jornais impressos de sindicatos, movimentos sociais e partidos políticos de esquerda, todos devem dar sua contribuição para este debate que interessa a todos nós: quais as bases para uma reforma política democrática que combata efetivamente a corrupção em nosso país? 

 
Algumas propostas já foram apresentadas. A questão do financiamento das campanhas eleitorais é uma delas. Atualmente, o financiamento privado é permitido, o que gera campanhas milionárias, nas quais as empresas distribuem doações gigantescas para candidatos de todas as siglas, dificultando sobremaneira que o poder econômico não influencie o poder político. Uma alternativa poderia ser o financiamento público exclusivo das campanhas. Desta forma, cada candidato receberia uma verba bem menor do que os atuais orçamentos milionários, sendo impedido de receber doações do setor privado. Esta medida coibiria boa parte da gênese da corrupção, que está justamente na relação espúria estabelecida entre candidatos e financiadores das campanhas. 
 
As regras do jogo como estão hoje favorecem a submissão do poder político ao poder econômico. Em outras palavras, quem tem dinheiro, tem poder. O fortalecimento da democracia e o combate a corrupção está justamente na criação de medidas que coibam a influência do poder econômico sobre a política e os políticos. Só que isto a mídia hegemônica não debate, porque a ela também não interessa, financiada que está pelo mesmo poder econômico que corrompe os maus políticos. 
 
Aos setores contra-hegemônicos cabe provocar essas discussões: quais as alternativas coibiriam a relação espúria de influência do poder econômico sobre o político? Não se pode esperar que a Globo agende esse debate. Cabe a contra-hegemonia exercer seu poder cada vez mais crescente de agendamento para pautar o efetivo combate a corrupção. 

Igor Corrêa Pereira 
Téc. Administrativo da UFRGS 

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Prof. De Economia da UFRGS debaterá a Crise capitalista no FST 2012


Acaba de confirmar presença no debate sobre crise capitalista a ser realizado no Parque Harmonia em Porto Alegre no dia 25 de janeiro o Professor da Faculdade de Ciências Econômicas da UFRGS Pedro Cezar Dutra Fonseca. Ganhador do prêmio Pesquisador Gaúcho 2011, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (FAPERGS), Fonseca é considerado Pesquisador Destaque na área de Economia e Administração.

Dedicado ao estudo da trajetória da economia brasileira, Fonseca pode desvendar a diferença do rumo tomado pelo Brasil e  os países emergentes do Sul do Mundo que crescem enquanto que os países centrais da economia capitalista vivem uma crise econômica sem precedentes. A exposição de Pedro Fonseca certamente qualificará o debate promovido pela Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB), estimulando uma discussão em alto nível sobre as alternativas frente a crise do capitalismo, o que sem dúvida cumpre os objetivos do Fórum Social Temático (FST) 2012.

A mesa ocorre na Tenda Central do Acampamento Intercontinental da Juventude do Parque Harmonia a partir das 14h do dia 25 de janeiro. As inscrições são gratuitas e já podem ser feitas pelo e-mail ctb.rs@portalctb.org.br

Confira ainda programação completa da CTB no Fórum Social Temático – de 24 a 29/01/2012

- 24/01/2012- 14h (terça-feira): MARCHA DE ABERTURA
17h, no Parque Harmonia na cidade de Porto Alegre/RS.: Culturata de Lançamento do samba-enredo em homenagem a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), de autoria dos compositores Renan SN, Mestre Fábio Lolo e Andrei do Cavaco, da Escola de Samba Cruzeiro do Sul, de Novo Hamburgo.

- 25 de janeiro de 2012 (quarta-feira):
 14h “Juventude e a Crise Capitalista” na Tenda Central do Acampamento da CTB Jovem no Parque da Harmonia na Cidade de Porto Alegre/RS, tendo como debatedor o Prof. De Economia da UFRGS Pedro Fonseca

- 27/01/2012 (sexta-feira):
MESA 1
“Integração Latino-Americano, razões macroeconômicas, políticas e sociais.”
08h30min recepção dos participantes
09h00min composição da mesa
Palestrantes: Senador Inácio Arruda *
Presidente INTERSUL – Jose Carlos de Assis
Mediadora: Gilda Almeida – CTB/CES
10h30min DEBATE
12h30min Encaminhamentos /Encerramento

- 27/01/2012 (sexta-feira):
MESA 2
“Integração Latino-Americana: Alternativa concreta para a Classe Trabalhadora diante da Crise Capitalista.”
14h30min recepção dos participantes
15h00min composição da mesa
Palestrantes: PIT CNT-URUGUAI
                        CTA- ARGENTINA
                        CTC –CUBA
Deputado Federal Assis Melo –PCdoB- BRASIL *
Mediador: Carlos Rogerio Nunes   – CTB
16h30min Debate
18h00min Encaminhamentos/Encerramento
*a confirmar
LOCAL: STRE – Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (antiga DRT RS)
Av.Mauá, nº 1013 - 10º andar
28/01/2012 – 08h30min ASSEMBLEIA DOS MOVIMENTOS SOCIAIS

Localização da tenda da CTB
Av. Presidente João Goulart, 551
Próximo ao Gasômetro

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Fórum Social Temático 2012

Tod@s ao Harmonia dia 25/12 para debater um outro mundo necessário
Dia 25/01/12 o Parque Harmonia em Porto Alegre/RS será palco de um debate urgente sobre as alternativas globais a crise do capitalismo que está virando o mundo de cabeça para baixo.

Nos dias 24 a 29 de janeiro de 2012 ocorre na Região Metropolitana de Porto Alegre o Fórum Social Temático 2012. A edição deste ano do Fórum terá como eixo de debate a crise capitalista. Nada mais apropriado. 

Não é exagero dizer que o ano de 2011 foi marcado por uma reviravolta mundial. Os países do Norte do mundo, as grandes economias capitalistas da América, Europa e Japão vivem uma das maiores crises econômicas da história, enquanto que os países do Sul, da América Latina e Ásia, destacam-se como potências emergentes. “O mundo virou de cabeça para baixo”, alardeia a Revista Isto É de 28 de dezembro de 2011. E com razão. A célebre frase do teórico alemão do século XIX Karl Marx ganha uma atualidade sem precedente: de repente, “tudo que é sólido, se desmancha no ar”.

A diferença entre Brasil e países do Norte não é obra do acaso

Os sólidos dogmas neoliberais, a firme convicção no capital rentista, está indo por água abaixo.

Enquanto a Europa precisa socorrer seus bancos com centenas de bilhões de dólares e fecha milhões de postos de trabalho e os Estados Unidos por muito pouco não se torna um país devedor, o Brasil ascende a condição de sexta maior economia do mundo gerando empregos e atraindo mão de obra internacional. A diferença não é obra do acaso. O Brasil de Lula e agora de Dilma adotou medidas que contrariaram a cartilha do FMI: teve a coragem de reduzir a inflação baixando juros e investindo no setor produtivo. Teve a coragem de recolocar o Estado como indutor do desenvolvimento, uma medida considerada até bem pouco tempo uma “blasfêmia”. Graças a decisões corajosas e que não seguiram a doutrina neoliberal, o país surfou na onda da crise mundial aproveitando a oportunidade para se destacar. 

CTB propõe o debate sobre a alternativa ao capitalismo em crise
Nunca um debate sobre os rumos do planeta foi tão necessário. Quando o Fórum Social Mundial foi criado em 2001, sob o lema de que “Um outro mundo é possível”, para muitos seria impensável que uma década depois o lema mais apropriado talvez seja “Um outro Mundo Acontece e é necessário”. O neoliberalismo é uma receita falida. Isto o comprovam os milhões de desempregados e desabrigados dos Estados Unidos e Europa, que vão às ruas protestar contra os efeitos de um modelo de sociedade que está em crise. Mas qual é a alternativa?  Os países emergentes do Sul estão apontando caminhos. E justamente na capital onde o FSM surgiu, que é a cidade de Porto Alegre, mais de um década depois do surgimento do Fórum, se reúnem novamente centenas de milhares de pessoas para debater alternativas.

Dentro desse rico momento em que o mundo está se repensando, convido tod@s para o Parque Harmonia na cidade de Porto Alegre/RS. Nele acontecerá o Parque Intercontinental da Juventude. Não poderia haver palco mais apropriado para debatermos a crise do sistema capitalista. Qual o caminho? Qual o projeto de Nação que pode superar a crise? O capitalismo não se destrói por si mesmo. Se não for confrontado por alternativas distintas, que abram um novo ciclo político e econômico, que leve a rupturas do sistema, ele encontra sempre saídas, provocando maiores desastres econômicos, sociais e políticos, para prosseguir com seu processo de expansão. No dia 25/01, este será o debate promovido pela Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB). Precisamos participar da construção de alternativas a este mundo que está ruindo e dando lugar a outro que já acontece mas ainda dá seus primeiros passos. Nada garante que os rumos tomados serão os melhores par todos. Depende da participação de cada um a construção de um outro mundo possível e necessário.

Leia ainda:
Sítio do Fórum Social Temático 2012
- Abertas inscrições para o Acampamento da Juventude do Fórum Social Temático 2012

Igor Corrêa Pereira 
Coletivo de Juventude da CTB
GT de programação do Acampamento de Juventude do Fórum 
 

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Consulta paritária para Reitor na UFRGS

CONSUN decide pela manutenção do conservadorismo na consulta para Reitor

Depois de horas de debates, manifestação de estudantes e técnicos, CONSUN decidiu hoje (16/12) que eleições para Reitor devem manter o formato antidemocrático com peso maior para o voto dos docentes. Cabe aqui deixar claro minha posição expressa nesta reunião, para estimular o debate com os técnicos, estudantes e docentes, bem como comunidade em geral, sobre este debate que diz respeito  toda a sociedade e não só a UFRGS. 


Na qualidade de representante técnico-administrativo no Conselho Universitário, sinto-me no dever de vir a público manifestar minha posição nos debates ocorridos hoje neste órgão deliberativo. Minha posição expressa neste fórum é de que não há outra posição possível que não seja em favor da paridade. Esta posição foi afirmada por mim e por José Luis Rockembach, titular do assento que ocupei hoje, e que compôs a Comissão formada no CONSUN com o papel de avaliar "diplomas legais que regem o assunto, bem como o levantamento do tratamento do tema por outras IFES”. 

 Rochembach manifestou nesta Comissão contrariedade ao conteúdo final do relatório da Comissão em conjunto com o representante da APG (Associação dos Pós-Graduandos), pois na prática o conteúdo final deste relatório reafirma o caráter antidemocrático com pesos desiguais entre os segmentos da comunidade acadêmica. Este parecer foi aprovado hoje no CONSUN.

A despeito da legalidade, 26 universidades federais já têm consulta paritária
Nenhum cidadão pode ser considerado de segunda categoria e é inadmissível que qualquer segmento tenha um voto de menor peso. É preciso rechaçar com veemência a posição de conciliação que admite que docentes e técnicos possam ter o mesmo peso de voto, mas que os estudantes tenham um peso inferior, já que tem uma passagem transitória na Universidade.  É bastante elouqüente uma carta assinada pelos pós-graduandos, estudantes de graduação e técnico-administrativos que fornece elementos importantes para este debate. A despeito da legalidade que procupa a maioria do Conselho, mais da metade das 43 universidades federais possuem consulta com voto paritário, dentre elas UnB, UFF, UFSCAR, UFPEL, UFSC, UFSM e UFRJ, que são referências de qualidade. Fica o questionamento para a maioria legalista do conselho: seriam todas estas IFES ilegais e teriam perdido sua qualidade?

Lei que cria os Ifets garante Paridade na eleição do reitor

Vale lembrar também que todos os IFET's (Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia) já tem composição paritária para as eleições. A lei nº 11.892, sancionada pelo presidente Lula em 2008, garante escolha do Reitor dos IFETs mediante consulta paritária d comunidde acadêmica. Não se sabe de nenhum IFET que tenha perdido a qualidade, como argumentam os defensores da manutenção do peso maior dos docentes. 

Eleição direta para Reitor tramita no Congresso
Tramita no Congresso Nacional um Projeto de Lei 3364/2004 de autoria da deputada e servidora universitária Alice Portugal do PCdoB (BA),  já aprovado na Comissão de Constituição e Justiça, que institui eleições diretas para reitor com garantia da autonomia universitária para definição do modelo. Ora, são sinais suficientes que indicam o caminho de que a gestão universitária já prevista na LDB não pode ser efetivada sem no mínimo, a paridade entre os segmentos da comunidade acadêmica. 

Nem sempre o que é lei é justo: autonomia universitária se conquista no exercício
 O discurso legalista predominou nos debates do CONSUN. Com medo de quebrar o "Estado de direito",  maioria dos conselheiros lembrou o decreto-lei que rege a consulta para reitor. Elaborada no governo FHC, o decreto instituiu a composição de 70% do peso dos votos para os docentes, e 30% para técnicos e estudantes. No entanto, a despeito deste decreto, como já foi dito antes, mais da metade das universidades federais possui consulta paritária. Além disso, vale lembrar que a defesa cega da lei nem sempre é a defesa da justiça. Durante mais de 300 anos, a escravidão foi lei no Brasil. Hoje em dia, é difícil encontrar quem considere a escravidão justa. E foi graças justamente a movimentos da sociedade anteriores a abolição que criaram condições para que a abolição da escravatura em 1888. Nem sempre o que é lei, é justo. A composição de pesos desiguais de voto entre docentes e estudantes e técnicos com certeza é injusta, e é preciso coragem para que a UFRGS exerça sua autonomia derrubando este dispositivo hierárquico e elitista.

UFRGS perde oportunidade de ser vanguarda democrática
A decisão conservadora e excessivamente preocupada com a estrutura formal da escolha para Reitor pode colocar a UFRGS na triste posição de ser uma das últimas a manter a estrutura antidemocrática de pesos distintos de voto.  A UFRGS, que sempre é lembrada como vanguarda e excelência acadêmica, lamentavelmente inscreve seu nome na história como um instituição altamente conservadora e pouco aberta a mudanças no sentido da verdadeira instituição de uma gestão democrática no seu interior. 

Leia mais:

 PL 3674/2004, que institui Eleições diretas para reitor e vice-reitor das instituições federais de ensino superior


quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Gestão Ambiental da UFRGS fará Seminário durante FST

Coordenadoria de Gestão Ambiental da UFRGS realiza Seminário Interativo durante o Fórum Social Mundial 2012

"Recicladores no galpão de triagem da Vila Chocolatão". Fonte: Jornal da Universidade
A Coordenadoria de Gestão Ambiental da UFRGS realiza o Seminário Interativo IES - Gestão Ambiental e Rio+20 no Fórum Social Mundial, que acontece de 24 a 29 de janeiro de 2012, em Porto Alegre. O seminário tem dois objetivos: desenhar o que está sendo feito nas IES (Instituições de Ensino Superior) no que tange ao desenvolvimento sustentável e elaborar um documento que expresse a sua posição sobre a Conferência Rio+20.

No primeiro dia do evento, as IES discutirão, em grupos, os seguintes temas: Educação Ambiental (incluindo Salas Verdes), Aspectos e Indicadores Ambientais, Os 3Rs (Reduzir, Reutilizar e Reciclar) e a Coleta Seletiva, Gestão de Resíduos Especiais, Gestão Ambiental X Segurança do Trabalhador e Unidades de Conservação. 


No segundo dia, será feita a apresentação dos relatos de cada grupo e a elaboração do documento de conclusão do encontro.


Participe!
Para saber mais sobre o Fórum Social Temático 2012, clique aqui.

Serviço

Seminário Interativo IES - Gestão Ambiental e Rio+20
Data: 25 e 26/01/2012 quarta e quinta-feiras
Horário: das 9h às 18h
Local: Auditório da Faculdade de Arquitetura da UFRGS
Endereço: Sarmento Leite, 320, térreo
CONTATO: Guta Teixeira gutateixeira@cga.ufrgs.br
                    Ramal 4548 ou 3572 


Fonte: Assessoria de Imprensa da CGA UFRGS

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Paulo Vinícius: Juventude Trabalhadora

O desenvolvimento é uma aspiração da juventude 


O Brasil vive um momento singular também para a sua juventude. O momento é marcado pelo bônus demográfico, quando temos a maior População Economicamente Ativa (e a mais jovem) de nossa História. São cerca de 52 milhões de jovens entre 15 e 29 anos, mais de 50% da PEA. Isso torna incontornável ao desafio do desenvolvimento abrir à juventude um horizonte de direitos, considerá-la protagonista desse momento.

O movimento sindical classista busca qualificar e disputar o modelo do desenvolvimento, através da valorização do trabalho, o que pode integrar a nova geração em uma trajetória de direitos e oportunidades, numa curva de elevação de salários, de formação profissional, de fortalecimento do mercado interno, de incorporação de valor e tecnologia à produção, com a afirmação do Brasil, uma integração de novo tipo na América Latina e o crescimento das relações Sul-Sul.
Esse desafio é imenso. A oportunidade do bônus demográfico é transitória. Doravante, nosso crescimento vegetativo levará ao envelhecimento da população, que trará em si a qualidade de vida que pôde construir nesses anos que vivemos. Os piores indicadores sociais afligem a juventude atual, que sofre ainda os prejuízos de mais de 20 anos de crise e recessão, agravados pelo neoliberalismo. Esse déficit social não foi equacionado, e mesmo com os avanços, muito houve de lentidão e de concessões feitas pelo projeto mudancista iniciado por Lula. Elas tiveram seu impacto na inclusão juvenil, porque o ritmo do crescimento econômico e da produção, os empregos, os direitos, tudo é condicionado à correlação de forças dessa época de hegemonia do capital financeiro, aprofundada pelo neoliberalismo, que ainda não foi vencido.

A juventude e o Brasil não podem mais esperar.
Deixar a juventude envelhecer desempregada, nas prisões, sem saúde, sem cultura, sem escola, que é o que o neoliberalismo nos impõe, é sobretudo uma decisão política, que nos legaria um futuro de privações, tristezas e submissão. Só uma política estratégica, com recursos, pode enfrentar o desafio da juventude e do desenvolvimento. Duas coisas interessam à juventude: ter prioridade para o desenvolvimento nacional, o que torna inescapável a necessidade de derrotar o capital financeiro que parasita a Nação, cobrando preço altíssimo exatamente à juventude.
Há quase uma década da primeira eleição de Lula, quais as políticas públicas que de fato mudaram a vida dos jovens brasileiros? Destacam-se as que lhes apontam o caminho da escola e do trabalho qualificado e com direitos, abrindo caminho à emancipação, que se efetiva com a incorporação a uma vida adulta plena. As iniciativas mais consistentes são políticas como a reserva de vagas, as cotas, o Bolsa Família (graças à obrigatoriedade de frequência escolar), o PROUNI, o REUNI e o PROJOVEM – com seu êxito a depender da incorporação dos jovens em situação de vulnerabilidade à escola e ao trabalho. E daí advém as expectativas positivas a respeito do PRONATEC, que propõe educação profissional para 8 milhões de brasileiros(as).

Os rentistas atrasam o Brasil
Os limites de tais políticas foram claramente influenciados pela capacidade de investimento do Estado Brasileiro, submetido ao constrangimento do rentismo, que impõe uma política monetária que onera a produção e o consumo. Em 2010, ela nos custou a bagatela de 44,93% do Orçamento da União, conforme ilustrou a revista Le Monde Diplomatique Brasil, em junho, que nos traz o interessante gráfico a seguir. Importante recordar que Tiradentes lutava contra o quinto que pagávamos a Portugal, que era 20% do ouro, e por isso foi esquartejado, teve seu corpo exposto à fome dos urubus, teve sua casa demolida e salgada, para que nada nascesse em seu solo. Ainda hoje é assim, vejam só!


 
Esses 635 bilhões de reais foram para os rentistas, os banqueiros, o capital financeiro, sangrando a produção, a educação, a saúde, os trabalhadores e o povo. O que se fez, e muito se fez, foi apesar disso, e não graças ao suposto rigor fiscal, como apregoa a imprensa golpista, o capital financeiro e seus sócios. Por isso é tão importante defender as mudanças na política econômica, enfim iniciadas após as manifestações de estudantes e trabalhadores do campo e da cidade realizadas em agosto, em especial as sucessivas reduções da taxa SELIC - que remunera os títulos da dívida pública, encarece o crédito e a produção. É preciso tornar sem retorno tais mudanças, conformando um novo pacto nacional que valorize a produção, o trabalho, o investimento produtivo e a mudança da face do país, no contexto do Pré-Sal, dos grandes eventos esportivos e da retomada do crescimento econômico, e apesar da crise. Em um contexto desses os jovens serão a mola, e não o calcanhar de Aquiles do desenvolvimento.