quarta-feira, 15 de junho de 2011

Greve dos técnicos das Universidades

A greve dos técnicos e o desafio da unidade

A greve dos Técnicos das Universidades foi deflagrada dia 06 de junho de 2011, iniciando com 13 universidades e contando atualmente com a adesão de 37. Aqui na UFRGS e UFCSPA, numa Assembléia que lotou o saguão da Reitoria da UFRGS, os técnicos e técnicas lançaram-se no grupo de Universidades que fizeram a frente do movimento grevista.

Nunca fiz questão de esconder minha opinião sobre a greve. Como parte da coordenação da AssufrgS, sindicato que este ano completa 60 anos de história, sempre contribuí com minhas opiniões e faço questão de ressaltar que fui contra a deflagração da greve em 28 de março e me abstive na deflagração da greve dia 06 de junho. A despeito de minha posição individual, que representa a posição do núcleo da CTB organizado na FASUBRA, estou em greve desde o primeiro dia e só sairei da greve com a vitória da categoria.

A greve é um instrumento legítimo e poderoso que deve ser usado com muita cautela e responsabilidade para que não seja desgastado. A greve não pode se isolar, ou cometer o erro de desqualificar os interlocutores, no caso, o governo federal. O interesse da greve é a vitória, que é a conquista das pautas, no caso prioritariamente o aumento do piso salarial, a conquista do VBC, do reposicionamento dos aposentados, do reenquadramento dos cargos. Não é uma greve contra governos, mas a favor dos trabalhadores. Devemos estar preparados para uma batalha dura, mas o principal desafio é retomar a negociação com o governo, do qual esperamos propostas concretas, se possível consensuadas, com prazo para finalização.

Tendo em vista estes objetivos nada banais, não nos resta outra opção senão fortalecer o movimento. Angariar apoios da sociedade, dos parlamentares, da mídia, e principlamente, dos colegas que ainda não aderiram. Temos muita atividade pela frente, mas observamos com alegria o crescimento das adesões nas unidades. Dia a dia vemos colegas aderindo a greve, mas muitos ainda não estão convencidos, por diversos motivos.

Até agora temos feito tudo o que devemos fazer. Estamos muito mais fortes do que quando iniciamos o movimento. No entanto, será necessária muita serenidade, persistência e postura de diálogo da direção do movimento para que possamos continuar avançando na conquista de apoios.

Há muita gente que historicamente lutou pela categoria e que ainda não foi convencida para esta greve, por vários motivos. É preciso ter uma postura de respeito e diálogo com todos os colegas não-grevistas. Nenhuma opinião pode ser desrespeitada ou qualificada como ameaça. Nossa greve deve inovar, envolver, convencer, e nunca afastar as pessoas, seja nossos colegas, seja a sociedade.

Temos procurado a atenção e a simpatia de todos. Não estamos em greve por gostarmos, ou por fuga do trabalho, mas sim pela valorização do nosso fazer na Universidade. Contribuimos para a qualidade das Universidades no nosso fazer diário, e é pela manutenção e melhora dessa qualidade que estamos em greve. Sabemos que muitos colegas que ainda não aderiram têm muito a contribuir para melhorar nosso movimento, e que certamente a AssufrgS e a FASUBRA têm muito a melhorar. Fica aqui meu profundo respeito a trajetória de vários colegas que ainda não se decidiram a aderir a greve, mas que nem por isso fugiram da luta, e com os quais temos muito a aprender.

A unidade dos técnicos das Universidades é um desafio gigantesco, que deve ser alcançado com paciência, persistência e muito diálogo. Nossos sonhos devem ser capaz de unificar nossas divergências sem negar nossa diversidade. Juntos somos invencíveis e certamente venceremos!


Igor Corrêa Pereira

Coordenador de Imprensa da AssufrgS

Núcleo da CTB na UFRGS

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