sábado, 30 de outubro de 2010

Cursinhos populares e o novo Brasil

Preparar para a Universidade e não para o vestibular

O dia 30 de outubro para mim é marcante por dois motivos: um deles, é porque antecede o grande dia das eleições, onde o Brasil decidirá se deverá ser governado pela primeira mulher em sua história, ou retroceder aos tempos trevosos de FHC/Serra. O segundo motivo é porque estou aniversariando. Para comemorar esse aniversário, compartilho com os amigos leitores um artigo que publiquei na edição de outubro da revista Espaço Acadêmico, da Universidade Estadual de Maringá. Nele, discuto a mudança das políticas públicas de acesso ao ensino superior como desafio para os pré-vestibulares populares, iniciativas da sociedade. Nesse momento em que o próprio vestibular está sendo colocado em xeque, onde as cotas, o REUNI e o PROUNI estão garantindo o ingresso de milhões de jovens no ensino superior, porque preparar para o vestibular? Faço essa pergunta porque atuei por quatro anos nesses espaços de ensino.

Quem se interessar, pode ter acesso à integra do artigo clicando aqui.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Corrupção

Ao invés de lamentar, combater a corrupção

Dentro da chuva de e-mails que recebo todos os dias, recebi um que me chamou atenção. A mensagem intitulada “Reclamando do que?”, tinha como tema central “a vergonhosa classe política brasileira”, lembrando que a mesma é eleita pelos brasileiros, sustentando a tese de que os políticos são corruptos porque são um reflexo de quem representam, ou seja, os eleitores. Partindo desta constatação, a mensagem em meio a emoticons (desenhos que expressam emoções) e caracteres de várias cores e tamanhos, conclama para uma “mudança de atitudes” das pessoas. Na frase final, o e-mail sentencia: “A mudança deve começar dentro de nós, nossas casas, nossos valores, nossas atitudes!”

Marina Silva: porta-voz da classe média desiludida

Adorei receber este e-mail porque ilustra um posicionamento que tem hoje em Marina Silva seu principal porta-voz, assim como teve em Heloisa Helena no passado. Quem são essas pessoas escandalizadas com a política que exigem “mudança de atitudes”?

Posso identificar várias características comuns dessas pessoas. Uma delas é a de que um dia votaram no Lula e se desiludiram com os escândalos de corrupção. Em geral, essas pessoas tem um padrão de vida razoável em comparação a maioria da população brasileira, possuem um emprego decente, e um razoável nível de escolaridade. Construíram uma mágoa em relação a política provocado pelas constantes manchetes na imprensa que associam a prática política a atividades desonestas.

Alguns desenvolveram afeição pelas causas ambientais, se sentindo comovidas por formas ativistas de salvação do planeta que partam do plano individual como mudar as atitudes separando o lixo, ou ainda se envolvem em grupos de ativismo que não sejam influenciados pela política partidária, que é tida como suja e digna de distância.

A crise do mensalão e a carta dos movimentos sociais

Quando em 2006 o mensalão foi divulgado na mídia massivamente, eu também fui assaltado pelo sentimento da desilusão, da perplexidade. Mas antes de me posicionar, eu li muito o que se dizia, observei as movimentações. Vi o PSOL se fortalecer, com Heloísa Helena vociferando discursos pela ética. Vi gente como Cristóvam Buarque abandonar o PT, li sua carta de desfiliação. Lia César Benjamin anunciar a morte do PT como partido da transformação, e acompanhei atento o processo de desfiliação de Plínio de Arruda Sampaio. Muito se dizia que política institucional não devia mais ser disputada. Eu só observava a tudo.

Uma coisa que me marcou muito naquela época foi uma movimentação encabeçada pelo MST, pela CUT e pela UNE. O ambiente tenso, a possibilidade de impedimento do governo Lula. Em meio a esse momento, mais de 40 entidades dos movimentos sociais escreveram uma “Carta dos movimentos sociais ao povo brasileiro”, que pautava Contra a desestabilização política do governo e contra a corrupção: Por mudanças na política econômica, pela prioridade nos direitos sociais e por reformas políticas democráticas! Um texto longo, no qual pela primeira vez tive contato com uma proposta de reforma política que tinha como centro o financiamento público exclusivo de campanha, o voto em lista e a fidelidade partidária.

Para mim foi muito importante um movimento como o MST, que me parece o maior movimento social do país hoje, se posicionar contra a desestabilização do governo e pautar uma reforma política. Esse documento foi o primeira voz dissonante daquela gritaria que se ouvia por todos os lados e só sabia reclamar e denunciar. Era um documento propositivo, que não ficava na denúncia pela denúncia, mas que propunha mudanças

A "mudança de atitudes" X a "reforma política"

A “mudança” dos movimentos sociais é bem diferente dessa “mudança” do e-mail que recebi hoje. A primeira mudança entende a política como instrumento de mudança da própria política, enquanto que a “mudança de atitudes” do e-mail que recebi é uma mudança que se propõe no plano individual, partindo do local desarticulado, sem projeto de nação, de sociedade. “Se cada um fizer a sua parte” é o pressuposto do e-mail. A “mudança” no contexto da carta dos movimentos sociaIs é coletiva, se dá em macro-escala, leva o debate para os grande palcos de disputa de concepções, ou seja, leva a mudança para a macropolítica, articulada, ciente da contradição das forças.

Por não achar que eu tenha o direito de não ser propositivo, é que eu preciso optar. Entre a “mudança” do e-mail e a mudança dos movimentos sociais, minha escolha é pelos movimentos sociais. Entre mudar atitudes na minha casa e esperar que o mundo mude porque estou dando exemplo, e lutar coletiva e militantemente nas ruas e em todos os espaços de tomada de de decisão, eu escolho o segundo caminho. Por que sei que não me posicionar, não propor, é o mesmo que ser conivente com a permanência das coisas como estão.

É por achar que o Brasil precisa avançar na reforma política que combata a corrupção, e que para além disso avance na reforma tributária que onere as grandes fortunas, e que avance no desenvolvimento do país, geração de empregos, distribuição de terras e de renda, sustentabilidade ambiental, minha opção é pela derrota de Serra e pela vitória de Dilma, porque Dilma está muito mais próxima dessas bandeiras democráticas do que Serra.

Mas para além do voto, acho que nossa intervenção deve ser desmesuradamente política. Não ter vergonha de levantar bandeira, de colocar adesivo no peito, de ter posição, ainda que se possa reconhecer eventuais erros na posição tomada. Ficar em cima do muro jamais. Vacilar jamais. Tem muita coisa em jogo. Tem gente passando fome na rua hoje, que vai dormir na rua não sei quanto tempo, e a gente só resolve isso pela intervenção política. Por isso não dá tempo de vacilar. Se trata de abrir o rumo.

A esperança precisa vencer a desilusão. Não aquela esperança que é um cruzar de braços e esperar. Mas aquela esperança que trabalha conscientemente na construção do amanhã coletivo.


sexta-feira, 22 de outubro de 2010

7ª Bienal da UNE

Lançado o manifesto da 7ª Bienal de Cultura e Arte da União Nacional dos Estudantes

Evento que acontecerá de 14 a 23 de janeiro na capital carioca lança manifesto com o mote Brasil no estandarte, o samba é meu combate. Leia abaixo aíntegra do manifesto:

Brasil no estandarte, o samba é meu combate”


E essa tal felicidade do povo brasileiro? Essa capacidade de transcender sobre o peso que pesa, de se iluminar sobre a dor que dói, de não esmorecer na batalha e fazer carnaval? E esse samba desse povo, que ninguém sabe se é alegre ou se é triste, que se entrega na noite mas se fortalece é no dia após dia, que lava alma de quem dele precisa? E esse país que ainda não raiou? Há quem diga que o samba é seu mal, a expressão preguiçosa de uma gente a quem não cabe muito celebrar nem antes nem depois da quarta-feira de cinzas. Seria o samba um falso remédio, um colírio ludibriante, um engano em compasso de dois por quatro?

Pra cima de mim não! O samba não tem erro e de malandro faz gigante. O samba é o recurso de quem não pode e se sacode, quem levanta, bate a poeira e dá voltas por cima do próprio destino. O samba é de quem sabe. Se viver é uma cruzada, a alegria é o estandarte, tamborim é a fé cega, o tantan a humildade, cavaquinho é luz de cima, o surdão toda vontade de o pandeiro dar o ritmo pra canção virar verdade.

Muito mais do que música, samba é o jeito de viver, gingar, pensar e decidir as coisas nesse pedaço de vastidão da América do Sul. É o traço de brasilidade que agrega toda a cultura nacional em sua complexidade e jogo de cintura. De que é feito o samba perguntam-se desde antropólogos como Hermano Viana no livro “O Mistério do Samba” até roqueiros convertidos como Marcelo Camelo em seu “Samba a Dois”, bem conhecido com o grupo Los Hermanos. Suas origens podem ter âncora na espontaneidade dos lamentos negros de ex-escravos em sua “semba” e, concomitantemente, na lucidez do pensamento modernista das décadas de 1920 e 1930 que ansiava promover as manifestações autenticamente nacionais no país.


A União Nacional dos Estudantes (UNE), uma das mais antigas e marcantes instituições da sociedade brasileira, junta-se à busca pelo samba em sua sétima Bienal de Arte e Cultura com o tema: “Brasil no estandarte, o samba é meu combate”. A UNE, em um grandioso evento de oito dias e mais de 60 mil estudantes no Rio de Janeiro, deixa-se provocar e enfrenta a incômoda teoria de que o samba e a felicidade do povo brasileiro são inférteis. A Bienal abandona, corajosamente, o medo de que o Brasil termine em um imenso carnaval, sem prazo para a última batida. Juntos, os estudantes brasileiros mostrarão que ser feliz também é o combate.

A 7ª Bienal representa um amadurecido trajeto em busca dos fundamentos basais da identidade nacional brasileira. Ao longo de 11 anos, as bienais pautaram a herança africana na cultura do país, os vínculos do Brasil com a América Latina, a cultura popular e as raízes de formação do Brasil. O samba aparece, naturalmente, em meio a esse caminho, sintetizando um pouco de todas essas referências em uma manifestação que tornou-se, praticamente, sinônima do nome da nação. Entendendo o momento histórico de crescimento do protagonismo internacional do Brasil, assim como da sua responsabilidade com a transmissão de valores positivos ao mundo, a Bienal da UNE recorre ao samba em sua dimensão complexa, festiva, crítica e redentora.

Em 2005, o samba de roda baiano foi incluído pela Unesco na lista dos Patrimônios da Humanidade. Em 2007, o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural do Brasil (IPHAN) definiu o samba como Patrimônio Nacional. A partir de um qualificado rol de convidados e mesas-redondas, grandes atrações culturais, assim como da transversalidade de linguagens como música, cinema, teatro, arte digital, literatura e artes visuais, a 7ª Bienal da UNE também consagra o samba como riqueza imaterial da sociedade brasileira, permeável para os mais diversos debates e propostas.

Do ponto de vista histórico e antropológico, a Bienal contribui para um resgate dessa manifestação, desde o século XIX, em cada um dos seus momentos como a semba africana, a umbigada, o samba de roda, samba de terreiro, samba corrido, samba de gafieira, samba de breque, samba canção e a própria bossa nova ou o pagode. A partir de 1917 e daquele tido como o primeiro samba gravado – “Pelo telefone” de Donga e Mauro de Almeida – o samba passa também a constituir, por si, uma narrativa do desenvolvimento social e político do Brasil nos últimos 100 anos.

Segundo Hermano Viana, recorrendo à imagem de um possível encontro entre os intelectuais Gilberto Freire e Afonso Arinos com o músico Pixinguinha, o samba é alçado a símbolo da "identidade nacional" em um elaborado processo de intermediações sociais entre o povo e as elites. Freire recorta o Brasil de seu tempo, início do século XX, apresentando o mestiço como elemento síntese das coisas nacionais, em busca do viés definidor da autenticidade do país. Nesse momento, a capital do Brasil, o Rio de Janeiro, vivia grande influência da cultura estrangeira, notada nas reformas urbanas de Pereira Passos (1922) e no apogeu da "Belle Époque" francesa.


Com a nova formação do estado brasileiro, pós revolução de 1930, firmou-se a construção de uma memória de identidade nacional elencando o samba como manifestação "genuinamente brasileira". No percurso que desponta dali até os dias atuais, o samba é tanto a denúncia melancólica e urbana de Noel e Cartola como a sanha libertária de Chico, armado até os dentes de samba na luta pela democracia do país. A Bienal da UNE, comprometida em valorizar o samba também pelo que diz e propõe, por seus enunciados e discursos, aposta neste legado para a contínua construção da cidadania e da liberdade no Brasil.

Do ponto de vista conceitual e estético, fazer o samba na Bienal é promover um grande desfile da diversidade, baseado no aplauso e no improviso. Uma grande roda de bamba onde se entra o tempo todo em um ticuntum de idéias, tecnologias, saberes e fazeres. A escolha do samba para o evento permite a quebra sincopada das estruturas hierárquicas do conhecimento, dando lugar ao coletivo e à contribuição de cada um e sua caixinha de fósforos. O fascínio um tanto místico que move uma escola na passarela, que leva um país a cantar junto, é replicado, entre a juventude brasileira da Bienal da UNE, em uma onda de motivação e práticas solidárias que se multiplicarão para muito além do evento, porque todo samba é de combate.

O samba da Bienal de 2011, revisitado e resignificado em uma cidade que se ensaia cosmopolita o bastante para receber, em 2014, a final da Copa do Mundo e, em 2016, os jogos olímpicos, é como a procura de um marco referencial da cultura brasileira. Adereçado de possibilidades e conexões como o samba-rock, a drum`n`bossa e as paradinhas do funk na bateria, o samba brasileiro tem grande contribuição a dar a outros povos mundiais. Prezando pelo alcance, a 7ª Bienal da UNE redistribui a nossa cultura, assumindo seus elementos de identidade na alteridade, miscigenação e antropofagismo cultural em direção a um novo grau civilizatório entre povos e nações que faça frente às constantes manifestação de intolerância, racismo e fundamentalismo pelo planeta. Isso vai dar samba.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

José FHC Serra

Bomba: "FHC diz a americanos que domou Aécio e que Nordeste não vai vencer São Paulo "

Laerte Braga: "FHC diz a americanos que domou Aécio e que Nordeste não vai vencer São Paulo."

Diário Liberdade - Laerte Braga -

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso deixou o Hotel das Cataratas em Foz do Iguaçu na manhã de segunda-feira por volta das oito horas. Junto com ele viajaram alguns dos 150 investidores estrangeiros que no sábado e domingo participaram de um evento organizado por um diretor do grupo Globo, para assegurar a venda de estatais brasileiras (Banco do Brasil, Petrobras e Itaipú), como compromisso de José “FHC” Serra.

Os demais investidores, em sua maioria, deixaram o hotel na terça após o café da manhã.

A conversa oficial de FHC com os empresários ocorreu na noite de domingo em um jantar cercad
o de toda a segurança possível e fechado à imprensa.

Ato contínuo ao jantar o ex-presidente, em conversa informal com os investidores disse, entre outras coisas, que o “Aécio está domado. É só um menino que acha que pode ser presidente por ser neto de Tancredo. É neto, não é Tancredo”.

FHC procurou afastar os receios dos investidores em relação às pesquisas que indicam vitória maciça de Dilma Rousseff no Nordeste. “Com o Aécio neutralizado o Nordeste não conseguirá derrotar São Paulo e Minas”. E acrescentou – “as coisas no Brasil hoje não se decidem em Brasília, nem no Nordeste, mas em São Paulo. Lá está a locomotiva, o resto da composição vem atrás sem poder contestar”.

Sobre os escândalos do governo José “FHC” Serra, principalmente o último, envolvendo o engenheiro Paulo Preto, Fernando Henrique Cardoso disse que “essa figura é um arranjo do Aloísio [referia-se a Aloísio Nunes, senador eleito do PSDB paulista], mas já está controlado. Coisa do Aloísio e da filha do Serra, a imprensa não vai tratar disso por muito tempo, está sob nosso controle”.

Segundo FHC, “o Serra vai continuar mantendo essa postura nos debates, ele sabe fazer bem esse jogo, e na última semana a mídia vai aumentar o tom das denúncias contra Dilma. Temos o apoio de alguns bispos e o povo brasileiro é muito influenciável em se tratando de religião. O D. Luís está disposto a tudo, é nosso sem limites, é amigo íntimo do Alckmin. A descoberta da gráfica foi um golpe de sorte do PT, um vacilo da nossa segurança”.

O receio da influência de Tarso Genro no Rio Grande do Su
l, foi eleito governador já no primeiro turno, também foi objeto de comentário do ex-presidente. “Vocês já notaram que quase não existe gaúcho negro? O eleitorado lá é branco em sua grande maioria e vai votar conosco”.

Marina Silva, na opinião de FHC “está fadada a ser uma nova Heloísa Helena, vai acabar sendo vereadora. O encanto do primeiro turno terminou, foi ajudada pelos nossos para forçar o segundo turno”.

Para o ex-presidente a privatização de Itaipu, Banco do Brasil e Petrobras “deve ser tratada com calma e paciência, vamos ter que contornar algumas dificuldades com militares e é preciso ir amaciando esse pessoal com calma”

E sobre bases militares norte-americanas no Brasil. “É o assunto mais delicado. Um tema explosivo, mas temos alguns apoios nas forças armadas e vamos ter que negociar esse assunto com muito tato”.

Perguntado sobre as reações de sindicatos, centrais sindicais, da população em geral contra a entrega da Petrobras, o ex-presidente afirmou que à época que privatizou a Vale do Rio Doce enfrentou essas resistências “com polícia na rua e pronto”.

“O brasileiro é passivo não vai lutar por muito tempo contra a força do governo”.

FHC falou ainda sobre a possibilidade de ressuscitar a ideia da ALCA – Aliança de Livre Comércio das Américas – “com outro nome, esse ficou marcado negativamente”.


E assegurou aos investidores norte-americanos que os acordos para compra de submarinos nucleares franceses serão revistos e dificultados. “Não temos necessidade desses submarinos”. Sobre a compra de aviões para a FAB foi sarcástico – “para que? Meia dúzia de brigadeiros brincarem de guerra aérea?”


Para FHC “quando um brasileiro nasce já começa a sonhar com São
Paulo. Não precisam se preocupar com o resto do Brasil, muito menos com Minas Gerais. Foi-se o tempo que os mineiros decidiam alguma coisa na política brasileira. São Paulo hoje é a capital real do Brasil”.

Fernando Henrique jactou-se que fosse ele o candidato e já teria liquidado a fatura a mais tempo. “Serra não é Fernando Henrique, costuma se perder em algumas coisas e não sabe absorver golpes, fica irado e acaba criando problemas desnecessários. Mas vou estar por trás e asseguro cada compromisso que assumi aqui.”


“Lula não tem coragem de debater comigo. É um analfabeto, não passa de um pobretão que virou presidente num golpe de sorte. Acabou o tempo dele. Não vai eleger Dilma e vai terminar seus dias no ostracismo”.
Foi o arremate do acordo que selou a entrega do Brasil. Breve nas telas, se José “FHC” Serra virar presidente, BRAZIL. Com “Z” assim e todos falando inglês.

FHC vai ser nomeado supremo sacerdote do novo País.

Fonte: Diário Liberdade

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Consciência de classe

Augusto Petta repudia a ideologia de desvalorização da política


Para o sociólogo e sindicalista Augusto Cesar Petta, a opinião de que o voto não tem qualquer efeito positivo no sentido de alterar a situação serve ao interesse das classes dominantes. Se política não fosse importante, porque a classe dominante investe tanto dinheiro nas campanhas?, questiona ele. Leia a íntegra do artigo abaixo?

Elevar nível de consciência política, grande desafio!

Augusto César Petta *

Durante a campanha eleitoral, ao abordar trabalhadores e trabalhadoras para convencê-los a votar em candidatos do campo progressista, pudemos observar reações diversas. Gostaria de destacar duas contraditórias entre si:

1. a valorização do voto como arma importante para manter ou alterar os rumos do país, e para melhorar a sua própria vida;
2. a opinião de que o voto não tem qualquer efeito positivo no sentido de alterar a situação.
Os primeiros consideram essa oportunidade como um momento fundamental da democracia, em que é possível participar de tal forma que o rico e o pobre se igualam, pelo menos, no ato de votar. Independentemente da riqueza material, do gênero, da etnia, da religião, todos têm direito a um voto. Desses que valorizam o voto, o fazem, ou visando interesses individuais, ou visando interesses coletivos, ou ambos.

Já, aqueles que desprezam o valor do voto, justificam a opinião, geralmente citando casos de denúncia de corrupção: “Tanto faz votar em A ou B, não muda nada” , “Eu prefiro não votar para não me comprometer”, “Se tivesse algum candidato que dissesse que quer ser eleito para melhorar a vida dele, eu votaria , porque seria honesto”, e assim por diante.

Desde há muito, ouço pessoas dizerem que “política não se discute”. Certamente é um ditado criado e difundido por membros das classes dominantes. Enquanto o povo tiver uma dose considerável de alienação, melhor para os poderosos. Já que não é para ser discutida, por que os membros das classes dominantes não abandonam a política? Por que investem vultuosas somas para elegerem seus candidatos?

Nessas eleições, também ouvimos muito a opinião de que tanto faz partido A ou partido B, o importante é o candidato. Vai ao mesmo sentido dos que dizem que não há mais esquerda ou direita. Outro argumento que favorece aos que dominam. Deixam de se valorizar os partidos que efetivamente defendem os interesses da classe trabalhadora e os iguala àqueles que defendem os interesses das classes dominantes.

Não fossem essas idéias que são lançadas pelos intérpretes dos interesses
dominantes e que penetram nas cabeças de muitos trabalhadores e trabalhadoras, Dilma teria sido eleita no primeiro turno com larga margem de diferença de votos. Se além dos candidatos, as análises se baseassem em programas, projetos, partidos que defendem a classe trabalhadora, certamente a diferença de Dilma para Serra cresceria vertiginosamente. Basta verificar a aceitação do Governo Lula, em que apenas 4 por cento da população o consideram ruim ou péssimo. Se há essa fantástica aceitação, seria normal, não fossem estas falsas idéias que são divulgadas sobretudo pela grande mídia, que, pelo menos, as pessoas que consideram o Governo Lula ótimo ou bom – cerca de 80 por cento da população –teriam votado em Dilma, em função da continuidade do projeto democrático e popular que está sendo implementado no Brasil.

Agora, o essencial é participarmos da batalha para a eleição de Dilma no segundo turno, aplicando todas as nossas forças para convencer as pessoas sobre a importância da continuidade e do aprofundamento do projeto implantado pelo Governo Lula. Já nesse processo, é fundamental trabalharmos pedindo o voto, mas ao mesmo tempo contribuirmos para que os trabalhadores e as trabalhadoras possam elevar o nível de consciência política. Essa elevação é fundamental na batalha política em curso, assim como em todas as outras que virão.

Marx já dizia que os valores dominantes de uma época são os valores das classes dominantes, mas que cabe aos dominados se unirem para se libertarem dessa dominação. E essa libertação depende do nível de consciência política que os dominados adquirirem. Trata-se de um combustível essencial para essa luta.


* Professor, sociólogo, Coordenador Técnico do Centro de Estudos Sindicais (CES), membro da Comissão Sindical Nacional do PCdoB, ex- Presidente do SINPRO-Campinas e região, ex-Presidente da CONTEE.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

5º Guerrilha da Paz

5º Guerrilha da Paz: o mic na mão da periferia


O direito a voz, à comunicação. Esse direito humano que é desrespeitado num país onde meia dúzia de famílias tem o controle de 90% do meios de comunicação foi reivindicado e exercido sábado, dia 16 de outubro na escola Rômulo Zânchi, pelo CORAP (Coletivo de Resistência Periférica), na 5ª edição do Evento Guerrilha da Paz. Organizado pela arte educadora Flávia Sortica Giacomini (Falvinha Manda Rima), Igor da Rosa Gomes (MC Magrão), Gabriela Paines da Silva (Gabi BitBox), Vico, Taz , Luana, B. Negão e Zé, o Guerrilha foi um evento onde os quatro elementos do hip hop comandaram. O rap, o break, o grafite e até o DJ (mesa de som alugada), deram o tom das oficinas que envolveram estudantes e professores da escola, ativistas sociais como a ONG Life pela livre expressão sexual, Terreira Ilê Axé Ossanha Agué, o Diretório Central de Estudantes (DCE) da UFSM, o Centro Marista de Insclusão digital (CMID), membros do Núcleo de Estudos Afrobrasileiros (NEAB) da UFSM, e integrantes da União da Juventude Socialista (UJS). O apoio da escola dirigida por Isa Cristina Barbosa Pereira e Tanier Botelho dos Santos foi essencial para que o evento acontecesse.

Oficinas culturais

A quinta edição do Guerrilha começou às 9h da manhã e durou o dia todo. Rolaram diversas oficinas, como as de skate, stancyl (modalidade do grafite), dança afro, fanzine, break, meta arte (reciclagem de lixo digital), rima de improviso, capoeira. Nelas a meninada da escola, os professores e visitantes como este humilde blogueiro, puderam ter contato com elementos da cultura popular, que tem muito da contribuição africana e indígena.


Educação para as relações étnico-raciais

Vale destacar a importante contribuição do NEAB, que fez uma oficina com os professores da escola sobre a Desconstrução do pensamento Racista do sociedade brasileira. Organizada pela Prof.ª Carmen Deleacil Ribeiro Nassar, do departamento de Letras da Universidade Federal de Santa Maria, a atividade se justifica no momento em que a lei que institui o ensino de história afrobrasileira nas escolas já se encontra próximo ao oitavo ano sem uma implementação adequada. “A África é o berço da civilização moderna, mas para justificar o escravismo colonial os europeus tiveram que ‘apagar’ toda a contribuição africana. Esse ideário racista eurocêntrico permanece entranhado no pensamento brasileiro e se reflete nas escolas. Espero que o trabalho que estamos fazendo hoje supere esse pensamento, mesmo que seja um trabalho de décadas”, relata Carmen.

Palco com energia e musicalidade

Para o fim, a energia e a musicalidade. Subiram ao palco o grupo de rock Variantes, além dos grupos de rap Conexão Zona Oeste, Admirável Minas Rap, Rima Suprema e Consciência Periférica. A atividade contou ainda com distribuição de brindes para pessoas do público que mostrassem elementos do hip hop, o que suscitou belas apresentações de break (dança típica do hip hop), além de meninos e meninas que “representaram” subindo ao palco para “soltar a rima” no free style (modalidade de rap improvisado). Destaque ainda para o protagonismo das mulheres, que além de grafitarem, ministrarem oficinas, subiram ao palco para cantar o rap, que para muitos é considerado uma atividade majoritariamente masculina.

Avaliação positiva

Para a arte-educadora e ativista do CORAP Flávia Sortica Giacomini, mais conhecida como "Flavinha Manda Rima", o evento foi um sucesso. "O protagonismo das mulheres foi o ponto alto. Tivemos o caso da Geisi que pela primeira vez subiu ao palco estreando no Rima Suprema, a Gabriela que ministrou oficina e mandou ver no Beat Box (arte de imitar o som de batidas com a boca), além da Prof.ª Carmen do NEAB, a Profª Jane da Escola Rômulo Zânchi que deu um apoio fundamental, a Luana que ministrou oficina de samba e soltou a rima no rap, a Marilda que representou o movimento LGBT da ONG Life. Mas não foram só elas. Também fica o agardecimento a Nei de Ogum, Ricardo Ossanha, Mila, Mestre Fabiano da capoeira, B. Negão que fez um belo show de beat box com a Gabi e a bateria do Variantes, Jean, Jonatas Blade e Mano Zé que protagonizaram na oficina de skate, Vico que realizou oficina também, André do CMID Vagner e Alessandro, o Tiago da revista O Viés do curso de jornalismo da UFSM... Sem palavras, o Guerrilha está de parabéns, resume".

O 5º Guerrilha da Paz cumpriu seu principal objetivo: proporcionar o direito de expressão de uma parcela da juventude santa-mariense que, como diz a música, “sempre quis falar”, mas nunca teve chance. Se a tevê não leva o jovem a sério, o Guerrilha demonstrou que os próprios jovens estão se levando a sério. Com “mic” (abreviação de microfone) na mão, a periferia está cada vez mais afirmando sua dignidade.

Mais imagens

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Manifesto pró-Dilma

Assine o manifesto pró-Dilma da periferia

Lançado no dia 10 de outubro pelo blog Colecionador de Pedras do poeta do COOPERIFA Sérgio Vaz, o manifesto de apoio da candidatura Dilma Roussef a presidência já conta com centenas de assinaturas. O blog Igor de Fato se soma a este manifesto e convida seus leitores a se somarem na luta contra os tucanos e a direita racista, que não gosta de trabalhador, pobre, preto, índio, mulher na política, homossexual. Dilma neles! Tamo junto e misturado!

"A periferia nos une pela dor, pela cor e pelo amor"


Povo lindo, povo inteligente,

Não dá para assistir a tudo que está ocorrendo na política brasileira neste momento e fingir que nada está acontecendo. A Imprensa assumiu que é Serra, a direita também. Ora se eles tem o direito de manifestar, porque não manifestamos também?

Todo mundo sabe que se a Dilma perder, os maiores prejudicados serão as pessoas da periferia, das favelas, da região norte-nordeste, os negros e as pessoas esclarecidas da classe média.

Aliás, “nunca antes na história deste pais” um governo, como o do Lula, investiu tanto na cultura, e principalmente em projetos oriundos da periferia, e se este processo for interrompido, nós artistas e agentes da cultura perdemos também, todo mundo sabe disto. Então, por que o silêncio?

O Artista é a última linha da sociedade, quando ele desiste, ou se entrega, é porque já não resta mais nada.

“A periferia nos une pela dor, pela cor e pelo amor”

Assinado:

Sergio Vaz – poeta/Cooperifa
Alex Pereira
Paulinho VL
Janaína Monteiro
Tiago Paixão
Ronaldo Vaz
Luiz Flavio Lima
Euller Alves (UMOJA)
MH2 Revolucionário
Ed Trawtmam
Avelina Martinez Gallego
Dani Ciasca
Wilsom Cunha Junior
Leandro Machado
Filósofo do Caos
@ral Hip Hop Style
Cíntia Naomi
Arthur Dantas Rocha
Clara Sato
Renato Rovai (Revista Fórum)
Natasha Nunes de Moraes
Neia Oliveira
Fernanda Rüntzel
Edilene Borges
Marta Celestino
Nilson de Vix
Janaína Leite
Antonio Arles
Marisa Zanir
Lu Magalhães
Geovane Neves
Jessica Figueiró
Leandro Possadagua
Sylvia Tavares
Sacolinha – Escritor
Ricarda Goldoni
Leiah Carillo
Rose Dorea – Cooperifa
Sonia GramachoVaz
Jairo Periafricania
Vicente D Figueiredo
Viviane – Cooperifa
Ricardinho
Paulo de Toledo
Thaynã Dias Neri
Jaqueline Silva
Luciana C. B. Silva
Cia. Daraus – Arte e Cultura – Zona Leste-SP
Monica
André Ebner
João Claudio de Sena
Paula Morgado
Rodrigo Ciríaco
Ester do Nascimento – NH
Edilene Santos
De Lourdes
Djalma Oliveira
Ali Sati
Raphael
Japão – Viela 17
Sales Azevedo – Cooperifa
Elvio Fernandes
Indiara
Tatiana Otrowski
Bruna Daniele Piacentini
Camila Borsari
Cleber Arruda
Nicole Quaresma
Rafael XT
Enkel
Rafael Gimenes
João Locke
Gil Mendes
Viviane Cardoso
Edson Baptista de Santana – Vice – UNE – RJ
Mats Oliveira
Rafael Ferreira
Werner Lucas
Maria Isabel
Gutto FS
Galdino – O Teatro Mágico
Fernando Gomes
Augusto Cesar
Daniel Michoni
Adriano Sinistro
Adriana Aquino
Bruna Mata Cavassani
Thaís Karam – Mc Curitiba
GOG – RAPPER
Juliana de Freitas Pinheiro
Will B P
Érica Zuzatti da Silva
Rodrigo Vidal Batista Celestino
Rafael Mendonça
Jaime Balbino Gonçakves Silva
Allan Silvério de Paula
Vivian Bárbara Camargo – Florianópolis
André Ruas de Aguiar – Pontão de Cultura UFSC
Jeferson Mariano Silva
Escadinha
Guilherme Varella
Lucas Farinela Pretti
Prof. Silvio Bonilha
Victor Rodrigues
Andrio Candido
Mariane Nascimento – DF
Danilo César
Gilberto Yoshinaga
Crônica Mendes
André Carvalho – jornalista ( couro de cabrito)
Marcelo Ribeiro
Eduardo Ribas – Blog Per Raps
Mara Farias – RN
Agatha Gomes Almeida
André Pinto Teixeira
Prof. Kuiz Antônio Andrade Raymundo
Camila de Jesus
Thaís Peixoto
Jandira Queiroz – Centro Cultural casa da mãe
Julio Dario
Antonio Neto – Jornalista
Leonardo Brito
Bia Peppe
Joceline Gomes
Mariana Brandão
Luiz Alberto ramirez
Felipe Lindoso
André Luiz Vasconcelos

Malik - Nação Hip Hop

Mano Oxi - Nação hip Hop

White Jay - Nação hip hop e Hip Hop sul

Alemão Naumild - CUCA da UNE

Igor Corrêa Pereira - ASSUFRGS

Luciele Alves Fagundes - Pós-Graduanda UFSM
Mauricio Scherer - APG UFRGS
Luiza Almeida - UEE Livre /RS
Eriane Pacheco - UNE
Diego Hamester - UGES
Leonardo Silveira - UBES

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Voto distrital?

Prof. de História da UFSM refuta a idéia de "voto em candidatos da cidade" para deputados estadual e federal

A proposta de "voto distrital", que volta e meia retorna ao discurso dos políticos conservadores, teve espaço no Jornal A Razão de Santa Maria de 09 de outubro, onde políticos não-eleitos como Marcelo Bisogno reclamaram que "pessoas de fora da cidade" receberam votos de santa-marienses ao invés de candidatos erradicados no município. O Prof. de História da UFSM Diorge Konrad comentou a idéia refutando o voto distrital por favorecer o "voto a cabresto" e o "candidatos com maior poderio econômico". Leia abaixo o texto do professor na íntegra.

Voto em candidato de fora


É válida toda a campanha que procura valorizar a História, a cultura e a política local ou regional. Mas, se levado ao extremo, pode ser fonte de xenofobismo, quando não de incoerências.

No caso do voto em candidatos em uma eleição para deputados estaduais e federais ela é tão ambígua que salta aos olhos.

Na edição dos dias 9 e 10 de outubro de A Razão, o candidato Marcelo Bisogno se manifestou de forma mais contundente sobre a questão, manifestando o seu descontentamento.

Porém, em uma análise ligeira, se contasse apenas com os votos locais, de 7.844 ele baixaria para 5.930 votos, portanto mais longe ainda da eleição. Por outro lado, o candidato Paulo Pimenta teria em Santa Maria apenas 42.948 votos, não conquistando a cadeira de deputado federal em sua coligaçao, enquanto que, com a votação em todo o estado, obteve a primeira vaga de sua legenda, com 153.072 votos. Já o candidato a deputado estadual Valdeci Oliveira, o 10º mais votado do Rio Grande do Sul, se contasse somente com os votos dos santa-marienses teria seus 46.527 votos, ficando atrás da última eleita de sua coligação, a deputada Stela Faria, que somou 48.070 votos. PORTANTO, NÃO SERIA DEPUTADO ESTADUAL, NEM POR SANTA MARIA, NEM DO RIO GRANDE DO SUL. O mesmo aconteceria com Jorge Pozzobom, com a preferência de apenas 25.095 eleitores santa-marienses.

Candidato considerado local como Marchezan Jr teve apenas 9.924 simpatizantes de Santa Maria, enquanto que 21.293 porto-alegrenses, onde ele está radicado, confiaram em sua plataforma.

A imprensa poderia contribuir ainda mais com este debate, divulgando projetos e recursos de emendas parlamentares para Santa Maria e região de deputados reeleitos e que têm domicílio eleitoral fora da cidade. Seria interessante, também, proporcionar ou estimular uma análise do porque da votação de outros candidatos de fora que tiveram votos por aqui e estrearão na Câmara dos Deputados e na Assembléia Legislativa, bem porque candidatos de Santa Maria conquistam votos em várias cidades gaúchas.

Talvez, assim, uma idéia distorcida de política que tratou as recentes eleições como se fossem para a Câmara de Vereadores, pois deputados estaduais são eleitos para legislar para todo o Rio Grande do Sul, enquanto os federais para todo o País, não tivesse mais vez em eleições futuras.

A não ser que por trás destas campanhas está a defesa do voto distrital puro, o qual, numa realidade como a do Brasil, que tem em sua história política o “voto a cabresto”, tende a ser muito conservador, pois favoreceria mais do que hoje os candidatos com maior poder econômico. Que se aprofunde o debate.


Diorge Alceno Konrad
diorgekonrad@bol.com.br
Professor UFSM
Santa Maria


sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Comparando FHC/Serra com Lula/Dilma

Designer elabora infográfico comparando governos FHC e Lula

O doutorando em Design pela PUC do RJ Bruno Barros elaborou e divulgou via e-mail e redes sociais panfleto comparando os governos de Fernando Henrique Cardoso, do Partido do atual candidato José Serra (PSDB), e do presidente Lula, do Partido da atual candidata Dilma Roussef (PT), ambos concorrentes nas eleições presidenciais no segundo turno. Com base em dados da Fundação Getúlio Vargas, Ministério do Trabalho, Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Folha de São Paulo e O Globo, muito mais do que uma peça publicitária, o infográfico compara de maneira didática os resultados práticos da gestão neoliberal de FHC com a gestão desenvolvimentista de Lula. Clique nas imagens abaixo para visualizar melhor.



terça-feira, 5 de outubro de 2010

Dilma x Serra

Altair Freitas: Serra representa Estado fraco e perda de direitos


Fico sempre impressionado quando me detenho analisando os gráficos sócio-econômicos da "Era FHC" e sobre os efeitos gerais para a vida das pessoas ao longo daqueles oito anos e as decorrências para os dias atuais. Desmonte do Estado Nacional, declínio econômico e perda de direitos sociais e trabalhistas foram alguns itens da "herança maldita" que os tucanos deixaram depois de oito anos no poder.

Por Altair Freitas, no seu blog.

Para fazermos um balanço adequado sobre "Era Lula", é importante partir de algumas premissas fundamentais: 1) Por que Lula foi eleito em 2002, após ter perdido três eleições presidenciais consecutivas (89, 94 e 98)? Quais foram os elementos sócio-econômicos e políticos que possibilitaram uma viragem histórica na composição das forças políticas à frente do Estado Nacional a partir daquela eleição; 2) Que expectativa tinha o povo em relação ao governo de um político cuja origem para a vida pública estava marcadamente ligada ao movimento sindical, um nordestino retirante e sem formação acadêmica, presidente até pouco tempo de um partido de esquerda com forte discurso social-reformista, instintivamente de caráter socialista mas sem jamais ter assumido claramente esse aspecto ideológico, e sem experiência administrativa em âmbito federal?

Responder a esses dois questionamentos é fundamental para podermos traçar de modo mais abragente a trajetória do governo Lula, suas opções programáticas concretas, a implementação das principais ações governamentais, seus resultados mais gerais bem como foi a montagem política dos dois governos, uma vez que o sucesso no primeiro quadriênio conduziu Lula a uma reeleição consagradora em 2006.

Um sintético balanço da Era FHC - desmonte do Estado Nacional, declínio econômico e perda de direitos sociais - nos dão todas as pistas para resolver a primeira questão: por que Lula foi eleito? Em meu socorro, pego emprestado uma esclarecedora declaração de um dos principais ideólogos do PSDB, o economista José Mendonça de Barros, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda entre 95 e 98, e ex-secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior da Presidência da República entre abril e novembro de 98, que define com precisão um elemento fundamental que diferencia FHC de Lula, ou para sermos mais exatos e deixarmos as personalidades de lado, as diferenças de concepção entre o que chamo aqui de bloco demo-tucano e o bloco de forças encabeçado pelo PT e os diversos partidos e forças sociais que dão sustentação ao atual governo:

“A grande diferença geral que há entre as duas
administrações é a concepção de Estado. No governo
FHC a concepção era de um Estado menor,
mais regulador, voltado para os gastos prioritários
na área social, privatizando, concedendo e terceirizando.
No caso do governo Lula, até agora a orientação
geral é mais Estado, mais funcionários, menos
terceirização, menos privatização, menos capital
privado, menos agências reguladoras, mais poder
para os ministérios. Eu acho essa visão absolutamente
ultrapassada e que não funciona”


Se lermos com atenção, essa declaração do pensador tucano sistematiza de modo brilhante o que foi a Era FCH e o que tem sido a Era Lula. Interessante notar com particular acento a última frase da comparação: "Eu acho essa visão - o reforço da estrutura do Estado Nacional - ultrapassada e que não funciona". Vale lembrar que essa afirmação foi feita por volta de 2006, ano em que Lula foi reeleito. Vale lembrar que Lula termina seu mandato batendo todos os recordes de popularidade da história política brasileira e que seu governo também é avaliado como o melhor avaliado desde que se começou a fazer esse tipo de enquete sobre a percepção popular em relação aos presidentes e seus governos. Mas, claro, na visão tucana, a concepção de Estado das forças que dão sustentação a Lula é "ultrapassada" e "não fuciona"! Só esqueceram de combinar com mais de 80% do povo para que as opiniões convergissem!

Fernando Henrique foi eleito na esteira do sucesso imediato do Plano Real, lançado durante o mandato tampão do presidente Itamar Franco, de quem era Ministro da Fazenda, cujo sucesso imediato no combate à inflação garantiu a FHC a vitória nas eleições presidenciais de 1994. A partir de 95, construindo uma base política conservadora tendo como polo principal a aliança entre PSDB/PFL (atual DEM) e com amplo apoio dos setores conservadores da sociedade brasileira e ainda com respaldo popular graças à estabilidade inicial do Real, FHC iniciou um amplo processo de reformas estruturais que, singelamente falando, nada mais foram do que a implementação do neoliberalismo gestado nos EUA e na Inglaterra. E a aliança demo-tucana foi profundamente habilidosa e competente para neoliberalizar o Brasil. Ao lado das medidas macro-econômicas para sustentar o Real como moeda e manter a inflação sobre controle, o resultado beirou o trágico ao final dos oito anos do reinado tucano.

Para não ficarmos com frases soltas e afirmações desconexas, sintetizo as linhas gerais do governo tucano, sua lógica, medidas fundamentais e efeitos principais, assim alinhados para que o quadro todo seja um pouco menos complexo, mais didático:

A Lógica geral:

A) Abrir o mercado brasileiro aos produtos estrangeiros para forçar, com esse mecanismo, a manutenção dos preços dos produtos aqui produzidos em um patamar aceitável, adotando a chamada "meta anual de inflação". Essa medida já havia sido adotada por Collor através da redução abrupta das aliquotas de importação, quebrando o que se chamava à época de "protecionismo" à indústria nacional;

B) Contratação de novos e vultuosos endividamentos externos para lastrear a moeda, o Real, bem como para quitar dívidas anteriores;

C) Implementação de uma elevadíssima taxa de juros como mecanismo para a manutenção do capital estrangeiro investido no Brasil, notadamente no setor especulativo, também como mecanismo para irrigar a circulação monetária e criar a ilusão de que a nossa moeda era efetivamente forte;

D) Enxugamento da máquina pública nos três níveis (federal, estadual, municipal) com demissão de funcionários públicos, corte em serviços prestados à população e privatização ou terceirização de diversas outras atividades até então prestadas pelo Estado;

E) Privatização de empresas estatais e quebra do controle do Estado sobre setores estratégicos da economia, abrindo ainda mais o espaço para a presença de conglomerados estrangeiros controlarem setores inteiros da economia brasileira

F) Fim ou precarização de direitos trabalhistas, de modo a desonerar as empresas do que alegavam ser gastos excessivos com direitos, elementos que limitariam sua capacidade concorrencial;

G) Intensificação das relações econômicas com os EUA e o atrelamento praticamente automático às deliberações da diplomacia norte-americana.

A partir desses sete elementos centrais o governo de Fernando Henrique, respaldado por um leque amplo de partidos que lhe deram sustentação no Congresso Nacional, por praticamente todos os meios de comunicação vinculados ao oligopólio midiático, pelos grandes especuladores mundiais e pela diplomacia das grandes potências, estruturou e implementou um dos mais arrojados e vitoriosos projetos de aplicação do neoliberalismo no mundo. Evidente que cada uma dessas linhas e cada medida subsequente sempre foram apresentadas ao grande público como vitais para o desenvolvimento do país, para o avanço social e econômico. Para melhorar a saúde, a educação e trazer a felicidade geral da nação!

Efeitos Gerais

Fico sempre impressionado quando me detenho analisando os gráficos sócio-econômicos da "Era FHC" e sobre os efeitos gerais para a vida das pessoas ao longo daqueles oito anos e as decorrências para os dias atuais. A estabilidade econômica que é de fato uma coisa muito importante, e a modernização tecnológica que nos possibilitou acesso a computadores modernos e telefonia celular em larga escala (ou a chamada "revolução nos meios de comunicação"), foram, provavelmente, o grande legado positivo, em paralelo com o aumento do índice geral de matriculas das crianças no Ensino Fundamental. É evidente que todos nós gostamos de ter internet, pcs de última geração com muitos gigabytes de memória e processadores rápidos e telefones celulares que fazem de tudo, inclusive ligação telefônica! Adoramos essas bugigangas eletrônicas disponíveis em qualquer esquina. É evidente ser importante ter o maior número possível de crianças e adolescentes frequentando regularmente as escolas.

Ainda assim, mesmo nestes tres ítens (estabilidade,modernização teconológica e acesso à escolarização básica), é preciso destacar que os dois primeiros deram-se às custas de uma brutal desnacionalização da nossa economia. Para quem limita-se a ir às compras e pouco está interessado em saber a procedência dos produtos que compra, parece legal ter acesso a tudo o que circula no mundo. Ter acesso a isso tudo cria uma subjetividade de integração com os países mais desenvolvidos. Se tem nos EUA, na Europa, no Japão, porque não pode ter aqui? O problema disso é que parte significativa da riqueza gerada pela produção e venda (venha ela das importações, venha ela da produção feita em solo pátrio mas sob controle de multinacionais), vai para fora do país, e esse elemento tem sido históricamente um forte inibidor do nosso próprio desenvolvimento econômico, qualitativa e quantitativamente falando, notadamente no que diz respeito ao desenvolvimento tecnológico e à geração de emprego e renda. Sobre a educação, FHC deu sequência à lógica anterior de massificação do acesso - positivo, insisto -sem que a universalização da escola fosse acompanhada de um ensino efetivamente qualificado e os atuais índices de análise nos mostram forte defasagem entre o acesso e a qualidade do ensino, notadamente nas redes públicas.

Feitas estas observação iniciais, que considero fundamentais para debatermos os rumos do desenvolvimento nacional daqui para frente, retorno a como estava o Brasil ao final da Era FHC, apresentando alguns dados estatísticos que podem ser enfadonhos, mas são substantivos para referendar a linha de raciocínio que aqui desenvolvo bem como para termos uma visão mais global sobre os resultados gerais daquele período.

Conforme dados do IBGE, em 1994 - ano da implantação do Real e da eleição de FHC à presidência - existiam cerca de 4,5 milhões de desempregados no país. Em 2000 esse número havia quase triplicado, chegando à casa dos 11,5 milhões. Em números anuais, isso significou mais de 1 milhão a mais de desempregados a cada ano. De fato, um "sucesso" econômico sem precedentes!

Junto ao desemprego brutal, e inclusive como efeito dele, a renda média dos trabalhadores desabou nos úlitmos quatro anos de FHC (98-2002) superando os 10% de queda em quatro anos, contrariando portanto a propaganda de que o Real sempre foi um grande sucesso na recuperação da renda nacional, fato efetivo nos primeiros anos mas que passou a ser fortemente revertido no segundo mandato. Outro efeito perverso do descalambro no campo do trabalho foi o enorme avanço da informalidade. Em 2002, para um universo de 76,5 milhões de pessoas que faziam parte da População Economicamente Ativa, apenas 24 milhões tinham emprego formal que lhes garantisse proteções sociais básicas consignadas pela legislação através da contratação formal via carteira de trabalho. Sempre, segundo o DIEESE, boa parte dos trabalhadores informais tinha jornada semanal na faixa das 76 horas!

Sempre é bom lembrar que foi durante aquele governo que implantou-se a chamada flexibilização nas relações trabalhistas, adotando-se a lógica de que prevaleceria nas relações de trabalho o resultado das negociações entre patrões e empregados, em detrimento da legislação vigente. Ou seja, em uma época de avanço brutal do desemprego e aumento do chamado "exército de reserva de mão de obra", os sindicatos trabalhistas foram forçados a aceitar acordos pífios no tocante aos reajustes salariais e viram parte das conquistas obtidas ao longo de décadas virarem fumaça face à pressão patronal e total descaso do governo federal.

No que diz respeito às nossas fragilidades externas, à nossa histórica dependência, o reinado demotucano longe de buscar sua superação e resgatar padrões minimamente adequados de soberania nacional, simplesmente aprofundou ainda mais a nossa submissão aos ditames das grandes potências.

A dívida externa brasileira deu um vertiginoso salto, passando de US148 bi em 1994 até atingir o pico de U$ 235 bi em 1999 e largando no colo de Lula uma divida consolidada de U$ 210 bi em 2002. Se a dívida dobrou, evidentemente isso significou uma sangria sem fim para a riqueza nacional pois o que já era elevado tornou-se ainda maior. Pior do que a dívida em sí, o pagamento de juros e amortizações ao capital financeiro internacional drenou da riqueza nacional a fabulosa quantia de U$ 380 bilhões entre 1994 e 2009, fruto dos acordos para o seu pagamento firmados entre FHC e o FMI. Não, não estamos vendo os números errados! Apenas em juros e amortizações, o Brasil (leia-se nós, o povo) pagou quase o dobro em relação à dívida existente em 2002. Como eu digo, ações adotadas em um governo, dependendo da sua vultuosidade, deixam seus efeitos anos a fio após o seu término.

Essa enorme fragilidade externa consumiu muito rapidamente os valores arrecadados com as privatizações feitas naqueles oito anos. FHC e seus tucanos privatizaram 68 empresas estatais arrecandando um montante de pífios U$ 70 bilhões. Quem se recorda da propaganda oficial que dizia que o dinheiro das privatizações serviriam para alimentar a saúde, educação, saneamento básico, etc? Além de terem se desfeito de empresas estratégicas como a Cia. Siderúrgica Nacional, Vale do Rio Doce, de todo o sistema Telebrás, e fragilizado intensamente a capacidade do Estado Nacional em impulsionar o desenvolvimento econômico, nossos bravos campeões do liberalismo tupiniquim fizeram os recursos obtidos (insisto, pífios, pois os valores das empresas foram acintosamente rebaixados para vender mais facilmente) virarem fumaça à medida em que as parcelas da dívida externa iam sendo quitadas.

A essa altura do torneio fica sempre mais evidente que não havia possibilidades efetivas de um amplo desenvolvimento sócio econômico do Brasil tendo como pressupostos os números acima apresentados. E só estou arranhando a crosta do problema quando apresento esse tipo de dados. É natural que o desenvolvimento geral do país e das condições de vida da população não tivessem condições de registrar avanços significativos.

O crescimento médio do PIB durante aqueles oito fatídicos anos de desmonte foi de apenas 2,4%, abaixo inclusive dos 3,3% de crescimento médio da década de oitenta, que ficou conhecida como "década perdida". Se os anos 80 foram a década perdida, os anos 90 - somando o curto período de Collor, os breves sucessos iniciais do Plano Real entre 94 e 96 e os dois governos de FHC - foram a década de um enorme retrocesso em praticamente todos os quesitos que eu possa analisar, para considerar um país como desenvolvido, soberando e com povo vivendo dentro de padrões minimamente adequados.

Evidente que ao longo daqueles anos, prolongando-se até os dias atuais, mesmo considerando os avanços do governo Lula, os índices sócio econômicos foram declinantes. O Relatório sobre o Desenvolvimento Humano de 2002 da ONU colocava o Brasil como o quarto país com maior concentração de renda no mundo. Só perdía mos para países muito pobres como Serra Leoa, República Centro-Africana e Suazilândia. Pelos dados da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), 1% dos brasileiros mais ricos concentram 13,6% de toda a renda do país, ao passo que os 50% mais pobres atingiam somente 14,4% da renda total. Ao mesmo tempo, a resultante geral foi o crescimento da concentração da renda, o feroz crescimento da rentabilidade dos bancos e, óbvio, aumento nos índices gerais de violência.

Em 1980 a taxa de homicídios entre jovens era de 17,2 por 100 mil habitantes. Em 1990, era de 38,8. Em 1999, no início do segundo mandato de FHC, o número saltou para 48,5. No fim de seu governo, o número passou dos 50 por 100 mil habitantes. Ou seja, em 22 anos (a década perdida e a década do retrocesso) houve um crescimento de 202,9% na taxa de homicídios entre jovens. Segundo a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) entre os 60 países mais perigosos do mundo, o Brasil só perde para Colômbia e Porto Rico no número de jovens assassinados.

Fiz questão de colocar esses dados, reflexões e ponderações sobre a Era FHC por considerar, como já o disse, ser fundamental analisar a herança recebida por Lula em janeiro de 2003 quando assumiu o mandato. Uma herança pesada, ou "herança maldita" como era dito à época. O Brasil vinha de 25 anos de forte declínio econômico, desnacionalização crescente da economia, forte retração nos índices sociais, desregulamentações e perdas de direitos trabalhistas, precarização dos serviços prestados pelo poder público nos três níveis, etc, etc. Era sobre essa base perversa que Lula tinha que buscar a recomposição mínima da capacidade do país em gerar empregos, renda, superar a atroz fragilidade externa e retomar a capacidade do Estado Nacional em ser um impulsionador do desenvolvimento geral.

Analisar o governo Lula sem partir desses pressupostos é fazer uma leitura, no mínimo, pela metade da história recente. É criar uma ilha artificial, desconectando o seu período dos períodos anteriores, como se o seu governo pudesse ser interpretado apenas pelo o que nele aconteceu; como se as circunstâncias históricas da sua atuação não estivessem umbilicalmente ligados ao passado recente e muitas das suas atitudes - erros e acertos - fossem apenas fruto da vontade, sagacidade, esperteza ou impotência frente à situação.

Finalmente, não é a toa que havia uma enorme expectativa popular em relação ao sucesso de Lula como presidente da república. Menos pelas suas origens e trajetória política, mas muito mais pelas necessidades de retomada do crescimento econômico e desenvolvimento social que, no mínimo, aliviassem a situação de penúria que atingia grandes contingentes da população. Considerando os índices gerais de aprovação a Lula como personagem político e ao seu governo como estrutura de poder, quero crer que o povo teve suas expectativas, de modo geral, atendidas.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Balanço da campanha

Blog Igor de Fato saúda militância que tornou possível vitória da esquerda no RS e conclama a continuidade da luta






Na foto acima, o governador eleito com 54% dos votos exibe a bandeira do Rio Grande do Sul após divulgação do resultado oficial no dia de ontem na Avenida João Pessoa, em frente a sede do Partido dos Trabalhadores. Nas fotos abaixo, os três deputados eleitos pelo PCdoB do RS: Assis Melo, Manuela D´Avila e Raul Carrion.

Congresso Nacional e Assembléia Legislativa ampliam bancada de deputados sintonizados com o projeto nacional de desenvolvimento iniciado pelo governo Lula e que podem ser continuados por Dilma. Paim se reelege e Abgail se projeta como liderança expressiva.

Agradecimento pela vitória de Raul Carrion e Manuela

Milhares de pessoas construíram essa vitória, mas cabe alguns agradecimentos especiais. O blog Igor de Fato agradece em especial aos companheiros do Hip Hop de Santa Maria/RS Magrão e Gabi pelo militância em pról de Raul Carrion e Manuela D'Ávila. Também fica o agradecimento a Marquita Quevedo, do Movimento LGBT de Santa Maria/RS, pelo reconhecimento do trabalho de Manuela na luta contra a homofobia, bem como agradecemos o reconhecimento de Mozarte Simões, coordenador da ASSUFRGS, ao trabalho da deputada Manuela na Câmara em favor do interesse dos trabalhadores. Vale citar ainda o amigo Lincoln Pereira, de Alegrete/RS que me informou ter se filiado no PCdoB durante essa campanha pelo reconhecimento a atuação de Manuela e às ideias deste partido.

Na figura dessas pessoas, queremos agradecer a toda a miltância e simpatizantes que tornaram possíveis a histórica eleição de Manuela D'Ávila com quase meio milhão de votos, a histórica eleição do metalúrgico de Caxias Assis Melo e do historiador Raul Carrion. Essa vitória é dos trabalhadores, da juventude, da periferia, e das pessoas que lutam contra toda a forma de opressão, em particular a homofobia e o racismo.

A luta continua: eleger Dilma é prioridade

A campanha ainda não acabou. A militância precisa continuar firme se empenhando na essencial tarefa de eleger Dilma Roussef a primeira presidente mulher da história desse país, para continuar as mudanças iniciadas pelo governo Lula.

Em todos os rincões desse RS, a militância não parará. Dilma 13 para o Brasil seguir mudando.

Até a vitória.

sábado, 2 de outubro de 2010

Último dia de campanha

Parada final: Santa Maria


Reunido com queridos amigos e companheiros de militância, vivi hoje o último dia de campanha na velha Santa Maria. Tudo aconteceu ao natural, sem muita combinação. Já ontem na vinda de Porto Alegre, casualmente peguei o mesmo ônibus que Mauricio, Chavito, Anita, e até o Edinho, que há muito não via. Na pastelaria, encontrei meu irmão Sandro que há muito não via. Também Joana D'Arc, defensora dos indígenas.

Hoje à tarde, no Calçadão de Santa Maria, pude conversar com Gabi e Magrão, felizes por terem comprado caixa de som e microfones para o Guerrilha da Paz do dia 16 de outubro. Panfleteei ao lado de Pablo, Chavito, Mauricio e Luciele. Encontrei Matias, Kalu, Rogier, Nadiene, Cris, Pedro, Leandro, Fernando, Heloísa... Emoção ao sentir a energia positiva das ruas, a boa disposição da militância, que parece irmanada em torno do projeto que está mudando o Brasil e que pode avançar no Rio Grande do Sul.

Conto esses detalhes para registrar esse momento. Tenho a sensação de ajudar a escrever a história. A realidade é imensa. Esse dia é grandioso. Estamos prontos.

Logo abaixo, a lembrança do dia de hoje.

Para sempre guardado.

Mauricio, Magrão, Gabi, Matias, Chavito, Luciele, eu e Pablo

Excelente receptividade da população: 30% dos eleitores se decidem no último dia

Com Kalú, histórico militante social
Pablo, Nadiene, eu, Lu, Mauricio, Cris e July.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Novo e Velho Brasil

O novo e o velho Brasil coexistem

Estamos na reta final da campanha, mas nessa manhã eu fiz uma paradinha para pensar um pouco nesse momento que o país vive. É um momento novo, um momento de mudança. E como bem reflete Renato Rabelo, "para o novo surgir e crescer, sempre surge entranhado com o velho". Essa análise é importante para que a gente não se perca e fique sem entender o que está acontecendo.

Tem muita gente que está na turma dos "desiludidos" porque não está entendendo isso. Muitos dos que votaram em Lula em 2002 hoje não votam em Dilma, porque acham que Lula os traiu, baseados nos escândalos do suposto mensalão. Os factóides de corrupção que pulularam na mídia nas eleições de 2006, somados a política econômica de juros altos que privilegia os banqueiros foram um baque para um importante extrato da classe média que se considerou "enganada" . É nessa classe média que está fundamentalmente a base eleitoral de partidos midiáticos como PSOL de Heloísa Helena, e o próprio PV de Marina Silva.

Em 2006, sob ataques raivosos da imprensa empresarial (Globo, Veja, Folha, etc) aliados às vociferações do setor radicalizado da classe média que teve em Heloísa Helena sua melhor porta-voz, Lula mesmo assim resistiu e foi reeleito. Por que? No momento em que a classe média, antes eleitora de Lula, em parte o abandonou, ele foi sustentado por dois extratos da população que antes o apoiavam bem menos: os ricos (industriais, banqueiros, etc) e a população mais pobre, beneficiada pelo Bolsa Família, entre outras políticas.

Essa mudança do eleitorado de Lula reflete uma mudança importante. Os quatro anos iniciais de Lula, caracterizados por uma manutenção dos juros altos aliada às políticas sociais de distribuição de renda criou essa base eleitoral dual.

No Nordeste, onde Lula tem 80% de popularidade, e onde a pobreza é mais intensa, o cenário eleitoral apresenta aspectos curiosos dessa dualidade. Vale destacar Pernambuco e Bahia, onde Eduardo Campos, do PSB, e Jaques Wagner, do PT, estão disparados nas pesquisas das eleições dos governos estaduais, com grandes chances de vitória, representando uma derrota histórica para o coronelismo. No mesmo Nordeste, no Maranhão, a candidata das oligarquias Roseana Sarney é a favorita para a vitória, com o apoio constrangido do PT. Como se vê, a vitória do "novo" em Pernambuco e Bahia pode vir acompanhada da vitória do "velho" no Maranhão.

Conversando com amigos que estiveram no Nordeste, pude ter visões das mudanças que estão acontecendo naquela região. A transposição do Rio São Francisco, aliada às obras do PAC e ao Bolsa Família, estão gerando empregos, levando luz e água para populações que antes tinham acesso precário a esses bens essenciais. Trata-se de um massivo movimento de melhoria da qualidade de vida de milhões de pessoas que antes não tinham o básico do básico: água, comida, luz, emprego decente. Essa é a camada mais intensamente grata a Lula.

Um relato de um nordestino me chamou atenção a respeito disso. Ele me disse que várias pessoas do sul, onde a classe média é mais representativa, acham que os nordestinos são "alienados", que foram "comprados" pelo Bolsa Família. Ele argumenta que essa é uma ideia preconceituosa que a classe média têm dos mais pobres. Acham que os pobres são "burros", sempre massa de manobra.

Ele explicou que os nordestinos pobres sempre souberam que eram explorados pelos coronéis e em grande parte sempre votaram neles, não por serem enganados, mas porque isso lhes garantia minimamente a sobrevivência com as esmolas dadas em troca da permanência no Poder. Mesmo que a esquerda dissesse ao sertanejo pobre que deveria se revoltar por sua pobreza, a dureza da vida severina lhes fazia aceitar calado sua exploração, porque para quem está na miséria, fica difícil projetar grandes projetos de mudança, se pensa em ter um prato de comida para si e para a família.

O Bolsa Família rompeu com o ciclo do coronelismo porque mostrou ao sertanejo concretamente que é possível uma política pública que o permita segurança alimentar sem depender do coronel. Permitiu que o sertanejo pobre tivesse a dignidade de recusar a esmola do coronel. O povo nordestino é eternamente grato ao filho de Garanhuns, e por isso apóia a "Mulher de Lula". Entender esse apoio como "renovação do coronelismo" é desrespeitar a posição política de uma classe que tomou uma decisão legítima em defesa de seus interesses, a despeito da tentativa de manipulação da mídia.

Voltando ao pensamento de Rabelo, "para o novo surgir e crescer, sempre surge entranhado com o velho". Para entender o momento em que vivemos, esse pensamento é essencial.

O Brasil vive seu melhor momento desde a redemocratização, com indicadores sociais consideráveis: 12 milhões de empregos gerados, 27 milhões de pessoas saídas da linha da pobreza, 14 universidades federais novas, milhares de concursos públicos, vagas novas nas universidades, salário mínimo de 300 dólares, a valorização da PETROBRAS. Mas essa novidade surgiu emaranhada no "velho", que representa os juros e os altos lucros dos banqueiros, a manutenção de focos de poder das oligarquias nos meios de comunicação, no sistema político, na estrutura urbana e rural. Dilma, se eleita, fará uma gestão marcada por essa dualidade entre o "novo", que é a emergência da população mais pobre, e o "velho" que é a manutenção dos privilégios da burguesia financeira.

Para colaborar na vitória do novo, a luta será permanente. No entanto, sem clareza de projeto para o país, a luta pode se dar de maneira atabalhoada, atacando muitas vezes inimigos imaginários. Boa parte da classe média está sem projeto de Nação, presa num discurso vazio da ética, da desvalorização da política, do desencanto com o mundo e com o país. Esse setor "desiludido" da classe média teria muito a contribuir com o país se olhasse com solidariedade para o fenômeno novo da conquista da cidadania de milhões de pessoas que estão saindo da miséria, conquistando empregos, entrando nas universidades.

Se a classe média se alia com a classe baixa, o governo poderá ter força para desamarrar nós que parecem cegos, como a reforma tributária com taxação progressiva, desonerando os mais pobres e onerando os mais ricos, a reforma política com financiamento público exlusivo e voto em lista, a reforma urbana que garanta o acesso de todos a cidade, a reforma agrária com a distribuição de terras, a democratização dos meios de comunicação.

A classe média tem em suas mãos uma oportunidade histórica. Basta saber se estará a altura de sua responsabilidade com o país de contribuir para o novo triunfar sobre o velho na construção de uma nação forte, com democracia e distribuição de renda.