sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Guerrilha da Paz

Projeto Guerrilha da Paz ganha prêmio Preto Ghóez

O prêmio contemplou 135 grupos de hip hop de todo o país em cinco categorias. O Grupo Guerrilha da Paz foi um dos três ganhadores do RS na categoria Conhecimento. Também ganharam nessa categoria no estado o grupo Nação Hip Hop Brasil e a ONG Circulando Informação e Arte Urbana. O blog Igor de Fato parabeniza a todos os ganhadores e em especial ao Guerrilha da Paz de Santa Maria/RS, representando para o Brasil inteiro a força da cultura no interior do RS. Confira abaixo com exclusividade o som "Eu vou cantar", do Grupo Consciência Periférica, exibido no 5º Guerrilha da Paz que foi noticiado aqui no blog Igor de Fato.


"A gente não é inferior em nada, a gente tem capacidade de mudar a realidade, entendeu?"


As palavras acima são do rapper Igor Goulart da Rosa, o Magrão, um dos idealizadores do Guerrilha da Paz, ao lado de Flávia Sortica Giacomini e de Gabi, Zé, Taz, Luana, Jean, B negão, Vico e Maninho. O projeto Guerrilha da Paz aglutina artistas de hip hop da cidade Santa Maria/RS e promove oficina em escolas, associações comunitárias e outros espaços, procurando aliar arte e educação. A correria desses jovens para participar do Prêmio Preto Ghóez começou em abril, quando foi lançado o edital. Foi uma dificuldade a elaboração do projeto, mas eles contaram com a ajuda de Fábio Kossman, oficineiro vinculado ao Ministério da Cultura que orientou sobre os passos a serem seguidos.

Dia 13 de dezembro o resultado com os ganhadores foi divulgado no Diário Oficial da União. Flávia Sortica Giacomini, do Guerrilha, só ficou sabendo que tinha ganhado pelo Programa Hip Hop Sul da TVE, do apresentador White Jay. A euforia foi enorme. O projeto receberá R$ 13 mil. Para além do dinheiro, o prêmio representa o reconhecimento do Estado Brasileiro do movimento hip hop, que sai da margem e da criminalização para ser colocado em evidência, em destaque.

O que é o Prémio Cultura Hip Hop 2010 - Edição Preto Ghoez

O Prêmio Cultura Hip Hop 2010 - Edição Preto Ghóez é a primeira ação de fomento e reconhecimento nacional realizado pelo Governo Federal, resultante de dois anos de diálogo com o movimento hip hop. Foram realizadas em torno de 150 oficinas de capacitação para inscrição em todo o território nacional, o que resultou em 1.100 propostas inscritas, 900 delas habilitadas, de todos os estados do país.

Foram ao todo 135 premiados, em cinco categorias, de todos os estados do País. Cada um receberá R$ 13 mil, em um total de R$ 1.755.000,00 de recursos do MinC. Desse universo, um foi para Miriam Bezerra, viúva de Preto Ghóez, homenageado nesta eidção do prêmio.

O Ministro da Cultura, Juca Ferreira, disse estar satisfeito com “todo o processo dessa primeira premiação para o hip hop”. Ele lembrou que teve a “sorte de conhecer Preto Ghóez” e que à época, Ghóez visitou o Ministério da Cultura para conversar sobre a necessidade de “reconhecimento do hip hop como uma manifestação cultural das mais ativas, das mais fortes, das mais potentes que o povo brasileiro produz”.

Para Juca Ferreira, o prêmio é parte de um processo mais amplo de “reconhecimento da diversidade cultural brasileira, da liberdade de criação e de expressão, em que ninguém tem o direito de dizer o que é brasileiro e o que não é, o que é meritório e o que não é, o que é importante e o que não é, quer dizer, é o conjunto que é importante, é essa liberdade de criação, de opção, de fusão, de amalgamento, de mistiçagem que o Brasil exercita desde que se entende por Brasil”.

Para o Secretário de Identidade e Diversidade Cultural, Américo Córdula, o prêmio foi uma surpresa em termos de quantidade e diversidade de inscrições , “vamos ter desde movimentos do hip hop em aldeias indígenas no Mato Grosso do Sul, uma grande participação das mulheres, das MCs, sendo reconhecidas pela importância da sua militância no hip hop, além de experiências como cinema voltado para o hip hop, a arte da rua, os graffitis.” Ainda segundo Córdula, “o Ministério da Cultura acredita estar colaborando com o reconhecimento do hip hop como um dos fatores importantes na construção da nossa identidade e da nossa diversidades cultural”.

Outro destaque do Prêmio Hip Hop 2010 foi a grande participação feminina. Dos 135 projetos selecionados, 30 foram protagonizadas por mulheres, ou seja 22% do total.

Os candidatos que não foram selecionados podem entrar com recurso até o dia 27 de Dezembro, tendo como base o modelo com link disponível abaixo, que deverá ser preenchido e enviado para o endereço premioculturahiphop2010@institutoempreender.org.

O prêmio foi regulado pelo Edital SID/MinC nº 05, de 15/04/2010, publicado no Diário Oficial da União em 16/04/2010.

Para maiores informações, inclusive a lista completa de premiados, clique aqui.

Texto de Igor Corrêa Pereira e Comunicação Social do Ministério da Cultura

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Entrevista com Raul Carrion do RS

Raul Carrion: “Governo Tarso precisa de coalizão, mas com um núcleo de esquerda”

Por Felipe Prestes, do Portal Sul 21

Se deixar, o deputado estadual do Rio Grande do Sul Raul Carrion (PCdoB) é capaz de falar por horas a fio sobre um tema chave de sua plataforma de atuação na Assembleia Legislativa. O comunista é um defensor da Reforma Urbana e cita sem grande esforço várias áreas de todo o estado cujos moradores contaram com seu auxílio para obter regularização fundiária e obras de urbanização. “O deputado da questão urbana é o Raul Carrion”, diz, assim mesmo, como se falasse de outra pessoa.

Carrion prefere usar o “nós” ao “eu”, e lembra sempre do PCdoB. O comunista deixa claro que o seu partido compreende a necessidade dos governos de Tarso Genro e Dilma Rousseff de repartirem posições com várias legendas, preterindo o parceiro mais antigo, o PCdoB. Ele, porém, faz uma ressalva: “É preciso ter uma coalizão ampla, mas com um núcleo de esquerda, para não perder o rumo”.

O comunista também falou sobre 2012. Disse que hoje o PT está mais aberto e sinaliza que deve apoiar a candidatura de Manuela D’Ávila (PCdoB) à prefeitura de Porto Alegre. Carrion afirma que o partido aceita conversar sobre um apoio a José Fortunati (PDT). Mas ressalta a força do nome da colega de partido. “Ela é a favorita, concordas?”.

Sul21: A que o senhor atribui a votação que lhe deu a reeleição? Que segmentos e regiões do estado votam no senhor?

Raul Carrion: Essa votação, por um lado, tem um conteúdo partidário. Sou, há muitos anos, militante do PCdoB e de movimentos sociais. Minha militância iniciou-se em 1963, como estudante secundarista, depois, como estudante universitário. Em seguida, nas lutas contra a ditadura e como trabalhador, operário. Depois fui exilado. Retornei e atuei muitos anos como metalúrgico e no movimento sindical ainda no período da ditadura, pós-anisitia e, por fim, na atividade política. A minha votação foi em 277 municípios. Mas evidentemente mais concentrada (85%) na Grande Porto Alegre. Praticamente 50% em Porto Alegre, onde fui vereador por mais de um mandato e onde temos uma base eleitoral mais forte. Com relação aos setores sociais que votam na gente, é bastante variado. Temos uma militância muito forte na área da Reforma Urbana. Já presidi diversas comissões nesse campo, participo dos conselhos nacional e estadual das cidades. Diria que aqui na Assembleia sou conhecido como o deputado da Reforma Urbana, da questão habitacional, da mobilidade urbana. Outra frente importante é a sindical.

Sul21: A Reforma Urbana é a sua prioridade. O que o senhor destaca do que tem feito nesta área e o que pretende fazer no próximo mandato?

RC: Nossa contribuição no campo da Reforma Urbana se dá principalmente na elaboração de leis e na mediação das demandas da sociedade. Nós, já no primeiro ano de trabalho, constituímos a comissão especial de Habitação Popular e Regularização Fundiária, porque não existe uma comissão dedicada a este tema na AL. Neste processo constituímos um fórum permanente de prevenção e mediação de conflitos fundiários urbanos. Também realizamos dois seminários sobre este assunto. Editamos diversas publicações neste campo.

Atendemos algumas dezenas de comunidades em todo o estado que nos procuraram e que nos demandaram apoio. Evitamos o despejo de milhares de famílias e encaminhamos a regularização fundiária de dezenas de comunidades. Para destacar algumas delas, em Santa Maria, a Nova Santa Marta se considera a maior ocupação urbana do país. Há quinze anos tínhamos uma área da Cohab ocupada por 25 mil pessoas, são mais de 6 mil famílias. Nós iniciamos o trabalho da comissão especial por lá. Conseguimos incluí-la nas obras do PAC. Hoje, esta área já foi repassada da Cohab para a prefeitura de Santa Maria e as obras de urbanização estão em andamento. Foi a partir da nossa ação que trouxemos para a AL o debate sobre a área da Fase (em Porto Alegre), que seria vendida com 1,5 mil famílias (morando lá). Conseguimos bloquear a tentativa da governadora (Yeda Crusius) de vender a área com gente em cima, sem regularização. Já estamos tratando de regularizar. Sem falsa modéstia, o deputado da questão urbana na AL é o Raul Carrion. É uma das marcas do nosso mandato.

Sul21: O que o governo Tarso poderá fazer, em linhas gerais, neste sentido?
RC
: Nós participamos ativamente da formulação do programa de governo de Tarso Genro, especificamente na questão urbana. Apresentamos inúmeras sugestões que foram acolhidas. Entre elas posso colocar diversas propostas para um amplo processo de regularização urbana no nosso estado. Nós temos o problema da regularização urbana, primeiro, em áreas públicas federais – em áreas da extinta rede ferroviária, portuárias, litorâneas, áreas do INSS e assim por diante. O governo federal tem dificuldades de fazer diretamente esta regularização. O Ministério das Cidades tem apoio a dar neste campo, mas é preciso iniciativa do governo estadual. A sistemática de como fazer esta regularização fundiária foi aberta pelo nosso trabalho na Assembleia. Nós temos dezenas de áreas públicas do estado que também precisam ser regularizadas. Então, propusemos ações globais para a regularização das áreas públicas do estado. Há também áreas dos municípios e privadas que precisam ser regularizadas. O governo Tarso pode também fazer com que o Conselho Estadual das Cidades passe a jogar um papel estratégico, hoje ele está pouco operativo.

Sul21: O senhor tem uma atuação marcante na questão da igualdade racial. O que o senhor pretende trazer para o próximo mandato?
RC
: Eu diria que esta questão está dentro de um contexto maior: dos Direitos Humanos. Nós temos uma luta contra todo o tipo de discriminação – de gênero, de raça, por deficiência física, opção sexual e assim por diante. A questão do racismo é talvez a mais proeminente deste meu trabalho. A questão mais importante é o Estatuto Estadual da Igualdade Racial. O secretário (da Justiça e do Desenvolvimento Social) Fernando Schüller já manifestou concordância com a aprovação do estatuto. Se for possível votaremos neste ano, o que criará uma estrutura legal para que o governo Tarso implemente inúmeros avanços. O estatuto estadual pode avançar em relação ao nacional. O estatuto criado pelo senador (petista Paulo) Paim tinha alcance maior, mas enfrentou muitas dificuldades. Foi necessária uma negociação na qual muitos aspectos foram castrados do estatuto. Agora temos a possibilidade de aprovar um estatuto que avance em questões em que o estatuto nacional não pode avançar.

Sul21: Que questões são estas?
RC
: Por exemplo: na questão das cotas, o estatuto nacional praticamente não conseguiu avançar. Nosso estatuto coloca a questão de princípio e nós temos, além disso, um projeto de lei que cria as cotas raciais na Uergs – lá existe as cotas sociais, mas não existe as raciais. Como o estatuto trata das diretrizes, dos grandes eixos, é preciso também leis específicas. Nós temos um projeto de lei criando as cotas raciais nos concursos públicos no Rio Grande do Sul. Temos um projeto que institui o feriado do Zumbi dos Palmares em 20 de novembro. Temos uma lei já aprovada que normatizou a preservação do patrimônio histórico-cultural dos negros. Outra lei transformou um patrimônio histórico-cultural do RS, o sítio de Porongos, onde houve o massacre dos negros farroupilhas.

Sul21: Havia um sentimento forte de antipetismo aqui no estado e, agora, Tarso Genro se torna o primeiro governador a ser eleito em primeiro turno. O que mudou?
RC
: Isso que tu dizes é verdade: houve um antipetismo muito grande. Foi fruto, no entender do PCdoB, de alguns equívocos na condução de determinados debates políticos pelo PT. Não só de equívocos. Decorre, também, de uma ação das elites de procurar, ao atacar o PT, atacar a esquerda em seu conjunto. Houve dificuldades nas relações do PT com seus aliados. Havia uma visão muito hegemonista que foi levando o PT a certo isolamento no estado. A própria direita batia em cima disso. Eu diria que o Tarso e o PT aprenderam com as experiências, tanto com as positivas quanto com os erros. O Tarso soube construir uma frente, que apontou inclusive alguns destes equívocos. Colocou que o que importa é o campo (de esquerda) e que era preciso tratar esta eleição, pensando também em outros processos eleitorais, examinando a possibilidade de que outras forças aliadas tivessem papel relevante em outras eleições. Cito o caso da próxima eleição para a prefeitura de Porto Alegre, onde há uma candidatura posta com grande potencial, da nossa companheira Manuela (D’Ávila). Tanto o PT como o Tarso sinalizaram (para uma coligação). Isto mostrou um PT mais maduro, mais aberto. E a própria campanha para o governo do estado foi diferenciada. Se tu observares não era uma campanha petista. Era mais ampla. Era Unidade Popular pelo Rio Grande, pelo Brasil, pelo mundo. As cores eram plurais. São detalhes, mas mostram que é outra visão de frente. Quando a Manuela fez uma campanha desta forma muitos diziam: “Mas onde estão a foice e o martelo?” E ela respondia: “Não sou candidata do PCdoB, mas de uma frente”. Agora o PT fez a mesma coisa.

Sul21: Nesta questão da Prefeitura, para manter a unidade não seria importante apoiar o candidato do PDT (José Fortunati)?
RC
: Não sei. Nós achamos que não. O PDT é um aliado que nós temos que trabalhar aqui no estado, mas objetivamente não esteve no projeto conosco. Nós achamos que uma frente, tendo por base o PT, o PCdoB e o PSB tem todas as condições de conquistar (a Prefeitura). Nós faremos todos os esforços para o PDT estar junto. Mas achamos que hoje (Manuela D’Ávila, do PCdoB) será uma proposta mais avançada. Quando tu tens uma proposta mais avançada, que é viável, deves trabalhar pela proposta mais avançada. O PCdoB trabalha nesta perspectiva. Muitas vezes há uma proposta viável de centro-esquerda, uma de direita e uma de esquerda ou de extrema-esquerda inviável. Aí nós buscamos a mais viável. Agora, no município de Porto Alegre tu discutes a viabilidade de uma chapa com PT, PCdoB e PSB, com a candidatura da Manuela? É a favorita, concordas? Então, por que não apostar no mais avançado, que já está reunido no RS? Mas é claro que estamos abertos para qualquer discussão. O PCdoB nunca vai para uma composição impondo nada. Mas é indiscutível o nome mais forte para Porto Alegre.

Sul21: Como é que o senhor está vendo a composição dos cargos no governo estadual, com partidos que não fizeram parte da chapa obtendo mais postos que partidos como PCdoB e PSB?
RC
: O Lula sempre defendeu que é preciso um governo amplo, de coalizão. Tem que garantir a possibilidade de governar e não deve ser uma cooptação. Achamos que a primeira parte do governo Lula teve muito mais aspecto de cooptação do que de coalizão. E levou ao que levou. Quando aquela crise ocorreu (do mensalão) – é bom lembrar que aquela crise foi sustada pela vitória do Aldo Rebelo na Câmara dos Deputados, pelo papel que o PCdoB desempenhou, porque o PT não teria condições de ganhar a presidência da Câmara naquele momento –, o Lula passou a trabalhar bem mais com o governo de coalizão. O estado precisa disso também. Mas, ao mesmo tempo, nós defendemos a existência de um núcleo avançado de esquerda no seio da coalizão, porque tu não podes perder o rumo. Será um equívoco não manter isto, tanto no nível nacional como aqui. Agora, isto não é uma questão de cargos. É realmente este núcleo estar entrosado, articulado. O PCdoB jogou um papel muito importante na formação desta frente e na campanha. E já tem anunciado uma participação através da companheira Abgail, que jogou um papel estratégico na campanha (para o Senado). O PMDB ainda se lamenta de ter deixado de fora o Ibsen Pinheiro. A Abgail (Pereira, candidata ao Senado) fez mais votos do que a governadora, as pessoas não percebem isso, e foi chave para que o (petista Paulo) Paim se elegesse bem. Então, o PCdoB sabe que deu grandes contribuições nesta eleição e espera ter espaço político para contribuir para que os avanços possam se dar. Mas entende que o Tarso precisa compor com o PDT, e o PDT precisa ter espaços condizentes com sua importância. O mesmo vale para o PTB. Mas também compreendemos que sem o PCdoB dificilmente esta vitória teria se consolidado.

Sul21: No que o governo Dilma deve avançar em relação ao governo Lula?
RC
: Nós entendemos que a Dilma tem condições de fazer avanços ainda maiores que o governo Lula, pelo simples motivo de que o Lula teve herança trágica do governo Fernando Henrique. A Dilma não: pega o Brasil “bombando”, economicamente fortalecido, com 7,5% de crescimento. Então, ela parte de outro patamar, apesar de não ter o carisma, o peso que o Lula tem. Ela vai precisar, mais do que o Lula, de um grande governo de coalizão e de um núcleo de esquerda que segure seu governo. Creio que o país teve grandes avanços econômicos, mas corremos riscos de desindustrialização – seja porque o câmbio é extremamente problemático, seja porque o Brasil cresceu muito nas commodities. Por outro lado, há um potencial muito grande com a questão do pré-sal. O quadro é positivo. Podemos avançar muito no fortalecimento tecnológico, econômico e na política internacional. Temos graves problemas na saúde e na segurança, que têm que ser enfrentados. Temos potencialidades muito grandes, mas temos desafios grandes também. Achamos que a companheira Dilma terá grandes possibilidades de êxito, e o PCdoB estará junto para contribuir.

Sul21: E na questão social o que deve avançar?
RC
: Acho que temos tido grandes avanços na inclusão social e ela (Dilma) tem chamado atenção à possibilidade de erradicação da miséria. Na questão salarial, hoje temos um salário mínimo muito mais elevado, ganhos reais para o trabalhador. Temos a inclusão de milhões de famílias, que passaram das classes D e E, para a C. Temos o Bolsa Família. Temos planos na área urbana que têm servido para dinamizar economia e dar dignidade às pessoas. Creio que temos que dar seguimento a estes rumos e aprofundar. No campo social, a redução da jornada (de trabalho) é uma questão que se impõe. O desemprego tem diminuído. A redução da jornada poderia praticamente gerar o pleno emprego. A tecnologia avançou tanto, mas a redução da jornada é mínima desde o século retrasado. Chegamos a 48 horas semanais, são 44 hoje e já estará ultrapassado se chegarmos às 40 horas semanais.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Eleições DCE UFRGS

Assufrgs esclarece sua posição frente às eleições do DCE Ufrgs

Devido a matéria publicada na Rádio Gaucha do dia 22 de novembro de 2010, na qual a entidade foi acusada de interferir politicamente nas eleições do Diretório Central dos Estrudantes da UFRGS, a AssufrgS vem a público esclarecer que não está apoiando nenhuma chapa que concorre a este pleito que está ocorrendo entre os dias 22 e 24 de novembro de 2010.

O posicionamento da entidade é pela autonomia dos estudantes de escolherem seus representantes num processo que ocorra com legitimidade, democracia e lisura. Em nenhum momento a diretoria da AssufrgS discutiu apoio a qualquer das chapas concorrentes.

Cabe informar que a coordenação do sindicato foi procurada por representantes da comissão eleitoral do DCE que informaram na reunião da diretoria do dia 17 de novembro de 2010 sua preocupação diante da possibilidade das eleições não ocorrerem. Diante dessa interlocução com a comissão eleitoral dos estudantes, a coordenação colocou-se a disposição para colaborar no sentido de que as eleições acontecessem normalmente, honrando sua histórica tradição de luta pela democracia. Em nenhum momento a coordenação dialogou formalmente ou informalmente com nenhuma chapa concorrente ao DCE. A única interlocução se deu com a comissão eleitoral.

Entendemos que não cabe a AssufrgS posicionar-se ou interferir numa decisão que compete aos estudantes. Nossa preocupação sempre será para que todas as eleições ocorram de forma legítima e democrática.

Assinado pelos coordenadores:
José Luís Rockenbach
Celso de Andrade Alves
Igor Corrêa Pereira
Joana de Oliveira
Maria Antonieta Cossio Xavier
Mauro José dos Anjos
Mozarte Simões da Costa

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Semana da Consciência Negra

Semana da consciência Negra AssufrgS: Roda de capeira, religiosidade e memoria afro-brasileira


No dia 22 de novembro a ASSUFRGS vai estar no pátio da FACED para chamara a atenção da UFRGS e da UFCSPA sobre a importância do combate ao racismo como uma condição para a conquista de uma sociedade justa e igualitária. Participe e ajude a construir a IV Marcha Estadual Zumbi dos Palmares que também ocorre neste dia, às 18h, no Largo Glênio Peres, em homenagem aos 100 anos da Revolta da Chibata.

PROGRAMAÇÃO


  • 14h Religiosidade de matriz africana: quimbanda e umbanda (Babalorixá Washington Luiz Azevedo da Rocha, Presidente da Associação Afro-Umbandista de Viamão);

  • 15h30min Oficina de capoeira: cultura e resistência (ONG África na Mente Capoeira de Angola);

  • 18h IV Marcha Estadual Zumbi dos Palmares: 100 anos de Revolta da Chibata (Concentração no Largo Glênio Peres e caminhada até o Largo Zumbi dos Palmares).

    Participe com a gente a ajude a promover a cultura afro-brasileira.

Leia mais:
100 anos da Revolta da Chibata
Cotas: uma nova consciência acadêmica

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Dilma e o funcionalismo público

Dilma Roussef: “Eu sou contra que se mantenham serviços terceirizados e precários na função pública”




A presidente eleita Dilma Roussef do PT, declarou no último debate entre os presidenciáveis promovido pela Rede Globo de Televisão no dia 30 de outubro que pretende valorizar o funcionalismo e que é contra as terceirizações. A fala foi na primeira pergunta do debate, feita por um eleitor escolhido da platéia, que questionou sobre o plano da candidata para os funcionários públicos. Na resposta, ela se refere a uma tradição brasileira de má remuneração do setor público e citou o piso nacional do magistério, e as políticas de valorização dos trabalhadores da segurança e da saúde. Ressaltou ainda “um compromisso muito forte com a questão da educação”, que passe pela valorização e formação continuada dos profissionais da área.


Terceirização

Na declaração de dois minutos de duração, o trecho mais enfático é em relação a terceirização, prática que a nova presidente se coloca veementemente contra. “Eu sou contra que se mantenham serviços terceirizados e precários na função pública, porque desestimula o funcionário. O funcionário é um ser humano e tem que ser tratado como tal, ele tem que ser incentivado, ele tem que ser valorizado, porque assim ele vai trabalhar melhor”.


Seminário Nacional sobre Terceirização

A Federação das Associações de Servidores das Universidades Brasileiras (FASUBRA) anunciou em sua última Plenária a realização ainda este ano de um Seminário Nacional sobre Terceirização. A ASSUFRGS têm constatado casos de irregularidades no que diz respeito aos funcionários terceirizados da UFRGS. Trata-se de aproveitar o momento em que a presidente eleita assume o compromisso contrário ás terceirizações para ampliara as pressões para o fim das terceirizações de funções públicas.

Leia abaixo a íntegra da declaração de Dilma Roussef sobre funcionalismo público no debate de Tevê Globo de 30 de outubro:

“De fato no Brasil há uma tradição de pagar mal ao funcionalismo público. Nós defendemos no governo Lula uma política de valorização dos professores. Por isso criamos o piso nacional do magistério, temos uma política de valorização também dos policiais e da área da saúde. Fizemos concursos e criamos planos de carreira. Eu no governo vou ter um compromisso muito forte com a questão da educação. Porque todo mundo fala em qualidade da educação, mas na hora de ver quem é que garante a qualidade, mas todo mundo esquece que quem garante a qualidade é o professor, e professor para garantir qualidade tem que ser bem pago, até para poder atrair as pessoas para aquela profissão, e tem de ter formação continuada. Eu sou contra que se mantenham serviços terceirizados e precários na função pública, porque desestimula o funcionário. O funcionário é um ser humano e tem que ser tratado como tal, ele tem que ser incentivado, ele tem que ser valorizado, porque assim ele vai trabalhar melhor. Isso nós tivemos uma experiência muito boa em várias áreas. Na área por exemplo de educação, nós fizemos com os professores afetos ao governo federal, os professores das nossas universidades e das escolas técnicas. Fizemos também com os profissionais da polícia federal, tanto os agentes como os delegados, e fizemos também na saúde na área da previdência, porque na previdência você precisa ter médico que faça perícia sendo valorizado, por isso a sua pergunta é muito correta”.

Fonte: Blog Igor de Fato, com informações do blog www.conversaafiada.com.br

sábado, 30 de outubro de 2010

Cursinhos populares e o novo Brasil

Preparar para a Universidade e não para o vestibular

O dia 30 de outubro para mim é marcante por dois motivos: um deles, é porque antecede o grande dia das eleições, onde o Brasil decidirá se deverá ser governado pela primeira mulher em sua história, ou retroceder aos tempos trevosos de FHC/Serra. O segundo motivo é porque estou aniversariando. Para comemorar esse aniversário, compartilho com os amigos leitores um artigo que publiquei na edição de outubro da revista Espaço Acadêmico, da Universidade Estadual de Maringá. Nele, discuto a mudança das políticas públicas de acesso ao ensino superior como desafio para os pré-vestibulares populares, iniciativas da sociedade. Nesse momento em que o próprio vestibular está sendo colocado em xeque, onde as cotas, o REUNI e o PROUNI estão garantindo o ingresso de milhões de jovens no ensino superior, porque preparar para o vestibular? Faço essa pergunta porque atuei por quatro anos nesses espaços de ensino.

Quem se interessar, pode ter acesso à integra do artigo clicando aqui.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Corrupção

Ao invés de lamentar, combater a corrupção

Dentro da chuva de e-mails que recebo todos os dias, recebi um que me chamou atenção. A mensagem intitulada “Reclamando do que?”, tinha como tema central “a vergonhosa classe política brasileira”, lembrando que a mesma é eleita pelos brasileiros, sustentando a tese de que os políticos são corruptos porque são um reflexo de quem representam, ou seja, os eleitores. Partindo desta constatação, a mensagem em meio a emoticons (desenhos que expressam emoções) e caracteres de várias cores e tamanhos, conclama para uma “mudança de atitudes” das pessoas. Na frase final, o e-mail sentencia: “A mudança deve começar dentro de nós, nossas casas, nossos valores, nossas atitudes!”

Marina Silva: porta-voz da classe média desiludida

Adorei receber este e-mail porque ilustra um posicionamento que tem hoje em Marina Silva seu principal porta-voz, assim como teve em Heloisa Helena no passado. Quem são essas pessoas escandalizadas com a política que exigem “mudança de atitudes”?

Posso identificar várias características comuns dessas pessoas. Uma delas é a de que um dia votaram no Lula e se desiludiram com os escândalos de corrupção. Em geral, essas pessoas tem um padrão de vida razoável em comparação a maioria da população brasileira, possuem um emprego decente, e um razoável nível de escolaridade. Construíram uma mágoa em relação a política provocado pelas constantes manchetes na imprensa que associam a prática política a atividades desonestas.

Alguns desenvolveram afeição pelas causas ambientais, se sentindo comovidas por formas ativistas de salvação do planeta que partam do plano individual como mudar as atitudes separando o lixo, ou ainda se envolvem em grupos de ativismo que não sejam influenciados pela política partidária, que é tida como suja e digna de distância.

A crise do mensalão e a carta dos movimentos sociais

Quando em 2006 o mensalão foi divulgado na mídia massivamente, eu também fui assaltado pelo sentimento da desilusão, da perplexidade. Mas antes de me posicionar, eu li muito o que se dizia, observei as movimentações. Vi o PSOL se fortalecer, com Heloísa Helena vociferando discursos pela ética. Vi gente como Cristóvam Buarque abandonar o PT, li sua carta de desfiliação. Lia César Benjamin anunciar a morte do PT como partido da transformação, e acompanhei atento o processo de desfiliação de Plínio de Arruda Sampaio. Muito se dizia que política institucional não devia mais ser disputada. Eu só observava a tudo.

Uma coisa que me marcou muito naquela época foi uma movimentação encabeçada pelo MST, pela CUT e pela UNE. O ambiente tenso, a possibilidade de impedimento do governo Lula. Em meio a esse momento, mais de 40 entidades dos movimentos sociais escreveram uma “Carta dos movimentos sociais ao povo brasileiro”, que pautava Contra a desestabilização política do governo e contra a corrupção: Por mudanças na política econômica, pela prioridade nos direitos sociais e por reformas políticas democráticas! Um texto longo, no qual pela primeira vez tive contato com uma proposta de reforma política que tinha como centro o financiamento público exclusivo de campanha, o voto em lista e a fidelidade partidária.

Para mim foi muito importante um movimento como o MST, que me parece o maior movimento social do país hoje, se posicionar contra a desestabilização do governo e pautar uma reforma política. Esse documento foi o primeira voz dissonante daquela gritaria que se ouvia por todos os lados e só sabia reclamar e denunciar. Era um documento propositivo, que não ficava na denúncia pela denúncia, mas que propunha mudanças

A "mudança de atitudes" X a "reforma política"

A “mudança” dos movimentos sociais é bem diferente dessa “mudança” do e-mail que recebi hoje. A primeira mudança entende a política como instrumento de mudança da própria política, enquanto que a “mudança de atitudes” do e-mail que recebi é uma mudança que se propõe no plano individual, partindo do local desarticulado, sem projeto de nação, de sociedade. “Se cada um fizer a sua parte” é o pressuposto do e-mail. A “mudança” no contexto da carta dos movimentos sociaIs é coletiva, se dá em macro-escala, leva o debate para os grande palcos de disputa de concepções, ou seja, leva a mudança para a macropolítica, articulada, ciente da contradição das forças.

Por não achar que eu tenha o direito de não ser propositivo, é que eu preciso optar. Entre a “mudança” do e-mail e a mudança dos movimentos sociais, minha escolha é pelos movimentos sociais. Entre mudar atitudes na minha casa e esperar que o mundo mude porque estou dando exemplo, e lutar coletiva e militantemente nas ruas e em todos os espaços de tomada de de decisão, eu escolho o segundo caminho. Por que sei que não me posicionar, não propor, é o mesmo que ser conivente com a permanência das coisas como estão.

É por achar que o Brasil precisa avançar na reforma política que combata a corrupção, e que para além disso avance na reforma tributária que onere as grandes fortunas, e que avance no desenvolvimento do país, geração de empregos, distribuição de terras e de renda, sustentabilidade ambiental, minha opção é pela derrota de Serra e pela vitória de Dilma, porque Dilma está muito mais próxima dessas bandeiras democráticas do que Serra.

Mas para além do voto, acho que nossa intervenção deve ser desmesuradamente política. Não ter vergonha de levantar bandeira, de colocar adesivo no peito, de ter posição, ainda que se possa reconhecer eventuais erros na posição tomada. Ficar em cima do muro jamais. Vacilar jamais. Tem muita coisa em jogo. Tem gente passando fome na rua hoje, que vai dormir na rua não sei quanto tempo, e a gente só resolve isso pela intervenção política. Por isso não dá tempo de vacilar. Se trata de abrir o rumo.

A esperança precisa vencer a desilusão. Não aquela esperança que é um cruzar de braços e esperar. Mas aquela esperança que trabalha conscientemente na construção do amanhã coletivo.


sexta-feira, 22 de outubro de 2010

7ª Bienal da UNE

Lançado o manifesto da 7ª Bienal de Cultura e Arte da União Nacional dos Estudantes

Evento que acontecerá de 14 a 23 de janeiro na capital carioca lança manifesto com o mote Brasil no estandarte, o samba é meu combate. Leia abaixo aíntegra do manifesto:

Brasil no estandarte, o samba é meu combate”


E essa tal felicidade do povo brasileiro? Essa capacidade de transcender sobre o peso que pesa, de se iluminar sobre a dor que dói, de não esmorecer na batalha e fazer carnaval? E esse samba desse povo, que ninguém sabe se é alegre ou se é triste, que se entrega na noite mas se fortalece é no dia após dia, que lava alma de quem dele precisa? E esse país que ainda não raiou? Há quem diga que o samba é seu mal, a expressão preguiçosa de uma gente a quem não cabe muito celebrar nem antes nem depois da quarta-feira de cinzas. Seria o samba um falso remédio, um colírio ludibriante, um engano em compasso de dois por quatro?

Pra cima de mim não! O samba não tem erro e de malandro faz gigante. O samba é o recurso de quem não pode e se sacode, quem levanta, bate a poeira e dá voltas por cima do próprio destino. O samba é de quem sabe. Se viver é uma cruzada, a alegria é o estandarte, tamborim é a fé cega, o tantan a humildade, cavaquinho é luz de cima, o surdão toda vontade de o pandeiro dar o ritmo pra canção virar verdade.

Muito mais do que música, samba é o jeito de viver, gingar, pensar e decidir as coisas nesse pedaço de vastidão da América do Sul. É o traço de brasilidade que agrega toda a cultura nacional em sua complexidade e jogo de cintura. De que é feito o samba perguntam-se desde antropólogos como Hermano Viana no livro “O Mistério do Samba” até roqueiros convertidos como Marcelo Camelo em seu “Samba a Dois”, bem conhecido com o grupo Los Hermanos. Suas origens podem ter âncora na espontaneidade dos lamentos negros de ex-escravos em sua “semba” e, concomitantemente, na lucidez do pensamento modernista das décadas de 1920 e 1930 que ansiava promover as manifestações autenticamente nacionais no país.


A União Nacional dos Estudantes (UNE), uma das mais antigas e marcantes instituições da sociedade brasileira, junta-se à busca pelo samba em sua sétima Bienal de Arte e Cultura com o tema: “Brasil no estandarte, o samba é meu combate”. A UNE, em um grandioso evento de oito dias e mais de 60 mil estudantes no Rio de Janeiro, deixa-se provocar e enfrenta a incômoda teoria de que o samba e a felicidade do povo brasileiro são inférteis. A Bienal abandona, corajosamente, o medo de que o Brasil termine em um imenso carnaval, sem prazo para a última batida. Juntos, os estudantes brasileiros mostrarão que ser feliz também é o combate.

A 7ª Bienal representa um amadurecido trajeto em busca dos fundamentos basais da identidade nacional brasileira. Ao longo de 11 anos, as bienais pautaram a herança africana na cultura do país, os vínculos do Brasil com a América Latina, a cultura popular e as raízes de formação do Brasil. O samba aparece, naturalmente, em meio a esse caminho, sintetizando um pouco de todas essas referências em uma manifestação que tornou-se, praticamente, sinônima do nome da nação. Entendendo o momento histórico de crescimento do protagonismo internacional do Brasil, assim como da sua responsabilidade com a transmissão de valores positivos ao mundo, a Bienal da UNE recorre ao samba em sua dimensão complexa, festiva, crítica e redentora.

Em 2005, o samba de roda baiano foi incluído pela Unesco na lista dos Patrimônios da Humanidade. Em 2007, o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural do Brasil (IPHAN) definiu o samba como Patrimônio Nacional. A partir de um qualificado rol de convidados e mesas-redondas, grandes atrações culturais, assim como da transversalidade de linguagens como música, cinema, teatro, arte digital, literatura e artes visuais, a 7ª Bienal da UNE também consagra o samba como riqueza imaterial da sociedade brasileira, permeável para os mais diversos debates e propostas.

Do ponto de vista histórico e antropológico, a Bienal contribui para um resgate dessa manifestação, desde o século XIX, em cada um dos seus momentos como a semba africana, a umbigada, o samba de roda, samba de terreiro, samba corrido, samba de gafieira, samba de breque, samba canção e a própria bossa nova ou o pagode. A partir de 1917 e daquele tido como o primeiro samba gravado – “Pelo telefone” de Donga e Mauro de Almeida – o samba passa também a constituir, por si, uma narrativa do desenvolvimento social e político do Brasil nos últimos 100 anos.

Segundo Hermano Viana, recorrendo à imagem de um possível encontro entre os intelectuais Gilberto Freire e Afonso Arinos com o músico Pixinguinha, o samba é alçado a símbolo da "identidade nacional" em um elaborado processo de intermediações sociais entre o povo e as elites. Freire recorta o Brasil de seu tempo, início do século XX, apresentando o mestiço como elemento síntese das coisas nacionais, em busca do viés definidor da autenticidade do país. Nesse momento, a capital do Brasil, o Rio de Janeiro, vivia grande influência da cultura estrangeira, notada nas reformas urbanas de Pereira Passos (1922) e no apogeu da "Belle Époque" francesa.


Com a nova formação do estado brasileiro, pós revolução de 1930, firmou-se a construção de uma memória de identidade nacional elencando o samba como manifestação "genuinamente brasileira". No percurso que desponta dali até os dias atuais, o samba é tanto a denúncia melancólica e urbana de Noel e Cartola como a sanha libertária de Chico, armado até os dentes de samba na luta pela democracia do país. A Bienal da UNE, comprometida em valorizar o samba também pelo que diz e propõe, por seus enunciados e discursos, aposta neste legado para a contínua construção da cidadania e da liberdade no Brasil.

Do ponto de vista conceitual e estético, fazer o samba na Bienal é promover um grande desfile da diversidade, baseado no aplauso e no improviso. Uma grande roda de bamba onde se entra o tempo todo em um ticuntum de idéias, tecnologias, saberes e fazeres. A escolha do samba para o evento permite a quebra sincopada das estruturas hierárquicas do conhecimento, dando lugar ao coletivo e à contribuição de cada um e sua caixinha de fósforos. O fascínio um tanto místico que move uma escola na passarela, que leva um país a cantar junto, é replicado, entre a juventude brasileira da Bienal da UNE, em uma onda de motivação e práticas solidárias que se multiplicarão para muito além do evento, porque todo samba é de combate.

O samba da Bienal de 2011, revisitado e resignificado em uma cidade que se ensaia cosmopolita o bastante para receber, em 2014, a final da Copa do Mundo e, em 2016, os jogos olímpicos, é como a procura de um marco referencial da cultura brasileira. Adereçado de possibilidades e conexões como o samba-rock, a drum`n`bossa e as paradinhas do funk na bateria, o samba brasileiro tem grande contribuição a dar a outros povos mundiais. Prezando pelo alcance, a 7ª Bienal da UNE redistribui a nossa cultura, assumindo seus elementos de identidade na alteridade, miscigenação e antropofagismo cultural em direção a um novo grau civilizatório entre povos e nações que faça frente às constantes manifestação de intolerância, racismo e fundamentalismo pelo planeta. Isso vai dar samba.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

José FHC Serra

Bomba: "FHC diz a americanos que domou Aécio e que Nordeste não vai vencer São Paulo "

Laerte Braga: "FHC diz a americanos que domou Aécio e que Nordeste não vai vencer São Paulo."

Diário Liberdade - Laerte Braga -

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso deixou o Hotel das Cataratas em Foz do Iguaçu na manhã de segunda-feira por volta das oito horas. Junto com ele viajaram alguns dos 150 investidores estrangeiros que no sábado e domingo participaram de um evento organizado por um diretor do grupo Globo, para assegurar a venda de estatais brasileiras (Banco do Brasil, Petrobras e Itaipú), como compromisso de José “FHC” Serra.

Os demais investidores, em sua maioria, deixaram o hotel na terça após o café da manhã.

A conversa oficial de FHC com os empresários ocorreu na noite de domingo em um jantar cercad
o de toda a segurança possível e fechado à imprensa.

Ato contínuo ao jantar o ex-presidente, em conversa informal com os investidores disse, entre outras coisas, que o “Aécio está domado. É só um menino que acha que pode ser presidente por ser neto de Tancredo. É neto, não é Tancredo”.

FHC procurou afastar os receios dos investidores em relação às pesquisas que indicam vitória maciça de Dilma Rousseff no Nordeste. “Com o Aécio neutralizado o Nordeste não conseguirá derrotar São Paulo e Minas”. E acrescentou – “as coisas no Brasil hoje não se decidem em Brasília, nem no Nordeste, mas em São Paulo. Lá está a locomotiva, o resto da composição vem atrás sem poder contestar”.

Sobre os escândalos do governo José “FHC” Serra, principalmente o último, envolvendo o engenheiro Paulo Preto, Fernando Henrique Cardoso disse que “essa figura é um arranjo do Aloísio [referia-se a Aloísio Nunes, senador eleito do PSDB paulista], mas já está controlado. Coisa do Aloísio e da filha do Serra, a imprensa não vai tratar disso por muito tempo, está sob nosso controle”.

Segundo FHC, “o Serra vai continuar mantendo essa postura nos debates, ele sabe fazer bem esse jogo, e na última semana a mídia vai aumentar o tom das denúncias contra Dilma. Temos o apoio de alguns bispos e o povo brasileiro é muito influenciável em se tratando de religião. O D. Luís está disposto a tudo, é nosso sem limites, é amigo íntimo do Alckmin. A descoberta da gráfica foi um golpe de sorte do PT, um vacilo da nossa segurança”.

O receio da influência de Tarso Genro no Rio Grande do Su
l, foi eleito governador já no primeiro turno, também foi objeto de comentário do ex-presidente. “Vocês já notaram que quase não existe gaúcho negro? O eleitorado lá é branco em sua grande maioria e vai votar conosco”.

Marina Silva, na opinião de FHC “está fadada a ser uma nova Heloísa Helena, vai acabar sendo vereadora. O encanto do primeiro turno terminou, foi ajudada pelos nossos para forçar o segundo turno”.

Para o ex-presidente a privatização de Itaipu, Banco do Brasil e Petrobras “deve ser tratada com calma e paciência, vamos ter que contornar algumas dificuldades com militares e é preciso ir amaciando esse pessoal com calma”

E sobre bases militares norte-americanas no Brasil. “É o assunto mais delicado. Um tema explosivo, mas temos alguns apoios nas forças armadas e vamos ter que negociar esse assunto com muito tato”.

Perguntado sobre as reações de sindicatos, centrais sindicais, da população em geral contra a entrega da Petrobras, o ex-presidente afirmou que à época que privatizou a Vale do Rio Doce enfrentou essas resistências “com polícia na rua e pronto”.

“O brasileiro é passivo não vai lutar por muito tempo contra a força do governo”.

FHC falou ainda sobre a possibilidade de ressuscitar a ideia da ALCA – Aliança de Livre Comércio das Américas – “com outro nome, esse ficou marcado negativamente”.


E assegurou aos investidores norte-americanos que os acordos para compra de submarinos nucleares franceses serão revistos e dificultados. “Não temos necessidade desses submarinos”. Sobre a compra de aviões para a FAB foi sarcástico – “para que? Meia dúzia de brigadeiros brincarem de guerra aérea?”


Para FHC “quando um brasileiro nasce já começa a sonhar com São
Paulo. Não precisam se preocupar com o resto do Brasil, muito menos com Minas Gerais. Foi-se o tempo que os mineiros decidiam alguma coisa na política brasileira. São Paulo hoje é a capital real do Brasil”.

Fernando Henrique jactou-se que fosse ele o candidato e já teria liquidado a fatura a mais tempo. “Serra não é Fernando Henrique, costuma se perder em algumas coisas e não sabe absorver golpes, fica irado e acaba criando problemas desnecessários. Mas vou estar por trás e asseguro cada compromisso que assumi aqui.”


“Lula não tem coragem de debater comigo. É um analfabeto, não passa de um pobretão que virou presidente num golpe de sorte. Acabou o tempo dele. Não vai eleger Dilma e vai terminar seus dias no ostracismo”.
Foi o arremate do acordo que selou a entrega do Brasil. Breve nas telas, se José “FHC” Serra virar presidente, BRAZIL. Com “Z” assim e todos falando inglês.

FHC vai ser nomeado supremo sacerdote do novo País.

Fonte: Diário Liberdade

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Consciência de classe

Augusto Petta repudia a ideologia de desvalorização da política


Para o sociólogo e sindicalista Augusto Cesar Petta, a opinião de que o voto não tem qualquer efeito positivo no sentido de alterar a situação serve ao interesse das classes dominantes. Se política não fosse importante, porque a classe dominante investe tanto dinheiro nas campanhas?, questiona ele. Leia a íntegra do artigo abaixo?

Elevar nível de consciência política, grande desafio!

Augusto César Petta *

Durante a campanha eleitoral, ao abordar trabalhadores e trabalhadoras para convencê-los a votar em candidatos do campo progressista, pudemos observar reações diversas. Gostaria de destacar duas contraditórias entre si:

1. a valorização do voto como arma importante para manter ou alterar os rumos do país, e para melhorar a sua própria vida;
2. a opinião de que o voto não tem qualquer efeito positivo no sentido de alterar a situação.
Os primeiros consideram essa oportunidade como um momento fundamental da democracia, em que é possível participar de tal forma que o rico e o pobre se igualam, pelo menos, no ato de votar. Independentemente da riqueza material, do gênero, da etnia, da religião, todos têm direito a um voto. Desses que valorizam o voto, o fazem, ou visando interesses individuais, ou visando interesses coletivos, ou ambos.

Já, aqueles que desprezam o valor do voto, justificam a opinião, geralmente citando casos de denúncia de corrupção: “Tanto faz votar em A ou B, não muda nada” , “Eu prefiro não votar para não me comprometer”, “Se tivesse algum candidato que dissesse que quer ser eleito para melhorar a vida dele, eu votaria , porque seria honesto”, e assim por diante.

Desde há muito, ouço pessoas dizerem que “política não se discute”. Certamente é um ditado criado e difundido por membros das classes dominantes. Enquanto o povo tiver uma dose considerável de alienação, melhor para os poderosos. Já que não é para ser discutida, por que os membros das classes dominantes não abandonam a política? Por que investem vultuosas somas para elegerem seus candidatos?

Nessas eleições, também ouvimos muito a opinião de que tanto faz partido A ou partido B, o importante é o candidato. Vai ao mesmo sentido dos que dizem que não há mais esquerda ou direita. Outro argumento que favorece aos que dominam. Deixam de se valorizar os partidos que efetivamente defendem os interesses da classe trabalhadora e os iguala àqueles que defendem os interesses das classes dominantes.

Não fossem essas idéias que são lançadas pelos intérpretes dos interesses
dominantes e que penetram nas cabeças de muitos trabalhadores e trabalhadoras, Dilma teria sido eleita no primeiro turno com larga margem de diferença de votos. Se além dos candidatos, as análises se baseassem em programas, projetos, partidos que defendem a classe trabalhadora, certamente a diferença de Dilma para Serra cresceria vertiginosamente. Basta verificar a aceitação do Governo Lula, em que apenas 4 por cento da população o consideram ruim ou péssimo. Se há essa fantástica aceitação, seria normal, não fossem estas falsas idéias que são divulgadas sobretudo pela grande mídia, que, pelo menos, as pessoas que consideram o Governo Lula ótimo ou bom – cerca de 80 por cento da população –teriam votado em Dilma, em função da continuidade do projeto democrático e popular que está sendo implementado no Brasil.

Agora, o essencial é participarmos da batalha para a eleição de Dilma no segundo turno, aplicando todas as nossas forças para convencer as pessoas sobre a importância da continuidade e do aprofundamento do projeto implantado pelo Governo Lula. Já nesse processo, é fundamental trabalharmos pedindo o voto, mas ao mesmo tempo contribuirmos para que os trabalhadores e as trabalhadoras possam elevar o nível de consciência política. Essa elevação é fundamental na batalha política em curso, assim como em todas as outras que virão.

Marx já dizia que os valores dominantes de uma época são os valores das classes dominantes, mas que cabe aos dominados se unirem para se libertarem dessa dominação. E essa libertação depende do nível de consciência política que os dominados adquirirem. Trata-se de um combustível essencial para essa luta.


* Professor, sociólogo, Coordenador Técnico do Centro de Estudos Sindicais (CES), membro da Comissão Sindical Nacional do PCdoB, ex- Presidente do SINPRO-Campinas e região, ex-Presidente da CONTEE.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

5º Guerrilha da Paz

5º Guerrilha da Paz: o mic na mão da periferia


O direito a voz, à comunicação. Esse direito humano que é desrespeitado num país onde meia dúzia de famílias tem o controle de 90% do meios de comunicação foi reivindicado e exercido sábado, dia 16 de outubro na escola Rômulo Zânchi, pelo CORAP (Coletivo de Resistência Periférica), na 5ª edição do Evento Guerrilha da Paz. Organizado pela arte educadora Flávia Sortica Giacomini (Falvinha Manda Rima), Igor da Rosa Gomes (MC Magrão), Gabriela Paines da Silva (Gabi BitBox), Vico, Taz , Luana, B. Negão e Zé, o Guerrilha foi um evento onde os quatro elementos do hip hop comandaram. O rap, o break, o grafite e até o DJ (mesa de som alugada), deram o tom das oficinas que envolveram estudantes e professores da escola, ativistas sociais como a ONG Life pela livre expressão sexual, Terreira Ilê Axé Ossanha Agué, o Diretório Central de Estudantes (DCE) da UFSM, o Centro Marista de Insclusão digital (CMID), membros do Núcleo de Estudos Afrobrasileiros (NEAB) da UFSM, e integrantes da União da Juventude Socialista (UJS). O apoio da escola dirigida por Isa Cristina Barbosa Pereira e Tanier Botelho dos Santos foi essencial para que o evento acontecesse.

Oficinas culturais

A quinta edição do Guerrilha começou às 9h da manhã e durou o dia todo. Rolaram diversas oficinas, como as de skate, stancyl (modalidade do grafite), dança afro, fanzine, break, meta arte (reciclagem de lixo digital), rima de improviso, capoeira. Nelas a meninada da escola, os professores e visitantes como este humilde blogueiro, puderam ter contato com elementos da cultura popular, que tem muito da contribuição africana e indígena.


Educação para as relações étnico-raciais

Vale destacar a importante contribuição do NEAB, que fez uma oficina com os professores da escola sobre a Desconstrução do pensamento Racista do sociedade brasileira. Organizada pela Prof.ª Carmen Deleacil Ribeiro Nassar, do departamento de Letras da Universidade Federal de Santa Maria, a atividade se justifica no momento em que a lei que institui o ensino de história afrobrasileira nas escolas já se encontra próximo ao oitavo ano sem uma implementação adequada. “A África é o berço da civilização moderna, mas para justificar o escravismo colonial os europeus tiveram que ‘apagar’ toda a contribuição africana. Esse ideário racista eurocêntrico permanece entranhado no pensamento brasileiro e se reflete nas escolas. Espero que o trabalho que estamos fazendo hoje supere esse pensamento, mesmo que seja um trabalho de décadas”, relata Carmen.

Palco com energia e musicalidade

Para o fim, a energia e a musicalidade. Subiram ao palco o grupo de rock Variantes, além dos grupos de rap Conexão Zona Oeste, Admirável Minas Rap, Rima Suprema e Consciência Periférica. A atividade contou ainda com distribuição de brindes para pessoas do público que mostrassem elementos do hip hop, o que suscitou belas apresentações de break (dança típica do hip hop), além de meninos e meninas que “representaram” subindo ao palco para “soltar a rima” no free style (modalidade de rap improvisado). Destaque ainda para o protagonismo das mulheres, que além de grafitarem, ministrarem oficinas, subiram ao palco para cantar o rap, que para muitos é considerado uma atividade majoritariamente masculina.

Avaliação positiva

Para a arte-educadora e ativista do CORAP Flávia Sortica Giacomini, mais conhecida como "Flavinha Manda Rima", o evento foi um sucesso. "O protagonismo das mulheres foi o ponto alto. Tivemos o caso da Geisi que pela primeira vez subiu ao palco estreando no Rima Suprema, a Gabriela que ministrou oficina e mandou ver no Beat Box (arte de imitar o som de batidas com a boca), além da Prof.ª Carmen do NEAB, a Profª Jane da Escola Rômulo Zânchi que deu um apoio fundamental, a Luana que ministrou oficina de samba e soltou a rima no rap, a Marilda que representou o movimento LGBT da ONG Life. Mas não foram só elas. Também fica o agardecimento a Nei de Ogum, Ricardo Ossanha, Mila, Mestre Fabiano da capoeira, B. Negão que fez um belo show de beat box com a Gabi e a bateria do Variantes, Jean, Jonatas Blade e Mano Zé que protagonizaram na oficina de skate, Vico que realizou oficina também, André do CMID Vagner e Alessandro, o Tiago da revista O Viés do curso de jornalismo da UFSM... Sem palavras, o Guerrilha está de parabéns, resume".

O 5º Guerrilha da Paz cumpriu seu principal objetivo: proporcionar o direito de expressão de uma parcela da juventude santa-mariense que, como diz a música, “sempre quis falar”, mas nunca teve chance. Se a tevê não leva o jovem a sério, o Guerrilha demonstrou que os próprios jovens estão se levando a sério. Com “mic” (abreviação de microfone) na mão, a periferia está cada vez mais afirmando sua dignidade.

Mais imagens

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Manifesto pró-Dilma

Assine o manifesto pró-Dilma da periferia

Lançado no dia 10 de outubro pelo blog Colecionador de Pedras do poeta do COOPERIFA Sérgio Vaz, o manifesto de apoio da candidatura Dilma Roussef a presidência já conta com centenas de assinaturas. O blog Igor de Fato se soma a este manifesto e convida seus leitores a se somarem na luta contra os tucanos e a direita racista, que não gosta de trabalhador, pobre, preto, índio, mulher na política, homossexual. Dilma neles! Tamo junto e misturado!

"A periferia nos une pela dor, pela cor e pelo amor"


Povo lindo, povo inteligente,

Não dá para assistir a tudo que está ocorrendo na política brasileira neste momento e fingir que nada está acontecendo. A Imprensa assumiu que é Serra, a direita também. Ora se eles tem o direito de manifestar, porque não manifestamos também?

Todo mundo sabe que se a Dilma perder, os maiores prejudicados serão as pessoas da periferia, das favelas, da região norte-nordeste, os negros e as pessoas esclarecidas da classe média.

Aliás, “nunca antes na história deste pais” um governo, como o do Lula, investiu tanto na cultura, e principalmente em projetos oriundos da periferia, e se este processo for interrompido, nós artistas e agentes da cultura perdemos também, todo mundo sabe disto. Então, por que o silêncio?

O Artista é a última linha da sociedade, quando ele desiste, ou se entrega, é porque já não resta mais nada.

“A periferia nos une pela dor, pela cor e pelo amor”

Assinado:

Sergio Vaz – poeta/Cooperifa
Alex Pereira
Paulinho VL
Janaína Monteiro
Tiago Paixão
Ronaldo Vaz
Luiz Flavio Lima
Euller Alves (UMOJA)
MH2 Revolucionário
Ed Trawtmam
Avelina Martinez Gallego
Dani Ciasca
Wilsom Cunha Junior
Leandro Machado
Filósofo do Caos
@ral Hip Hop Style
Cíntia Naomi
Arthur Dantas Rocha
Clara Sato
Renato Rovai (Revista Fórum)
Natasha Nunes de Moraes
Neia Oliveira
Fernanda Rüntzel
Edilene Borges
Marta Celestino
Nilson de Vix
Janaína Leite
Antonio Arles
Marisa Zanir
Lu Magalhães
Geovane Neves
Jessica Figueiró
Leandro Possadagua
Sylvia Tavares
Sacolinha – Escritor
Ricarda Goldoni
Leiah Carillo
Rose Dorea – Cooperifa
Sonia GramachoVaz
Jairo Periafricania
Vicente D Figueiredo
Viviane – Cooperifa
Ricardinho
Paulo de Toledo
Thaynã Dias Neri
Jaqueline Silva
Luciana C. B. Silva
Cia. Daraus – Arte e Cultura – Zona Leste-SP
Monica
André Ebner
João Claudio de Sena
Paula Morgado
Rodrigo Ciríaco
Ester do Nascimento – NH
Edilene Santos
De Lourdes
Djalma Oliveira
Ali Sati
Raphael
Japão – Viela 17
Sales Azevedo – Cooperifa
Elvio Fernandes
Indiara
Tatiana Otrowski
Bruna Daniele Piacentini
Camila Borsari
Cleber Arruda
Nicole Quaresma
Rafael XT
Enkel
Rafael Gimenes
João Locke
Gil Mendes
Viviane Cardoso
Edson Baptista de Santana – Vice – UNE – RJ
Mats Oliveira
Rafael Ferreira
Werner Lucas
Maria Isabel
Gutto FS
Galdino – O Teatro Mágico
Fernando Gomes
Augusto Cesar
Daniel Michoni
Adriano Sinistro
Adriana Aquino
Bruna Mata Cavassani
Thaís Karam – Mc Curitiba
GOG – RAPPER
Juliana de Freitas Pinheiro
Will B P
Érica Zuzatti da Silva
Rodrigo Vidal Batista Celestino
Rafael Mendonça
Jaime Balbino Gonçakves Silva
Allan Silvério de Paula
Vivian Bárbara Camargo – Florianópolis
André Ruas de Aguiar – Pontão de Cultura UFSC
Jeferson Mariano Silva
Escadinha
Guilherme Varella
Lucas Farinela Pretti
Prof. Silvio Bonilha
Victor Rodrigues
Andrio Candido
Mariane Nascimento – DF
Danilo César
Gilberto Yoshinaga
Crônica Mendes
André Carvalho – jornalista ( couro de cabrito)
Marcelo Ribeiro
Eduardo Ribas – Blog Per Raps
Mara Farias – RN
Agatha Gomes Almeida
André Pinto Teixeira
Prof. Kuiz Antônio Andrade Raymundo
Camila de Jesus
Thaís Peixoto
Jandira Queiroz – Centro Cultural casa da mãe
Julio Dario
Antonio Neto – Jornalista
Leonardo Brito
Bia Peppe
Joceline Gomes
Mariana Brandão
Luiz Alberto ramirez
Felipe Lindoso
André Luiz Vasconcelos

Malik - Nação Hip Hop

Mano Oxi - Nação hip Hop

White Jay - Nação hip hop e Hip Hop sul

Alemão Naumild - CUCA da UNE

Igor Corrêa Pereira - ASSUFRGS

Luciele Alves Fagundes - Pós-Graduanda UFSM
Mauricio Scherer - APG UFRGS
Luiza Almeida - UEE Livre /RS
Eriane Pacheco - UNE
Diego Hamester - UGES
Leonardo Silveira - UBES

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Voto distrital?

Prof. de História da UFSM refuta a idéia de "voto em candidatos da cidade" para deputados estadual e federal

A proposta de "voto distrital", que volta e meia retorna ao discurso dos políticos conservadores, teve espaço no Jornal A Razão de Santa Maria de 09 de outubro, onde políticos não-eleitos como Marcelo Bisogno reclamaram que "pessoas de fora da cidade" receberam votos de santa-marienses ao invés de candidatos erradicados no município. O Prof. de História da UFSM Diorge Konrad comentou a idéia refutando o voto distrital por favorecer o "voto a cabresto" e o "candidatos com maior poderio econômico". Leia abaixo o texto do professor na íntegra.

Voto em candidato de fora


É válida toda a campanha que procura valorizar a História, a cultura e a política local ou regional. Mas, se levado ao extremo, pode ser fonte de xenofobismo, quando não de incoerências.

No caso do voto em candidatos em uma eleição para deputados estaduais e federais ela é tão ambígua que salta aos olhos.

Na edição dos dias 9 e 10 de outubro de A Razão, o candidato Marcelo Bisogno se manifestou de forma mais contundente sobre a questão, manifestando o seu descontentamento.

Porém, em uma análise ligeira, se contasse apenas com os votos locais, de 7.844 ele baixaria para 5.930 votos, portanto mais longe ainda da eleição. Por outro lado, o candidato Paulo Pimenta teria em Santa Maria apenas 42.948 votos, não conquistando a cadeira de deputado federal em sua coligaçao, enquanto que, com a votação em todo o estado, obteve a primeira vaga de sua legenda, com 153.072 votos. Já o candidato a deputado estadual Valdeci Oliveira, o 10º mais votado do Rio Grande do Sul, se contasse somente com os votos dos santa-marienses teria seus 46.527 votos, ficando atrás da última eleita de sua coligação, a deputada Stela Faria, que somou 48.070 votos. PORTANTO, NÃO SERIA DEPUTADO ESTADUAL, NEM POR SANTA MARIA, NEM DO RIO GRANDE DO SUL. O mesmo aconteceria com Jorge Pozzobom, com a preferência de apenas 25.095 eleitores santa-marienses.

Candidato considerado local como Marchezan Jr teve apenas 9.924 simpatizantes de Santa Maria, enquanto que 21.293 porto-alegrenses, onde ele está radicado, confiaram em sua plataforma.

A imprensa poderia contribuir ainda mais com este debate, divulgando projetos e recursos de emendas parlamentares para Santa Maria e região de deputados reeleitos e que têm domicílio eleitoral fora da cidade. Seria interessante, também, proporcionar ou estimular uma análise do porque da votação de outros candidatos de fora que tiveram votos por aqui e estrearão na Câmara dos Deputados e na Assembléia Legislativa, bem porque candidatos de Santa Maria conquistam votos em várias cidades gaúchas.

Talvez, assim, uma idéia distorcida de política que tratou as recentes eleições como se fossem para a Câmara de Vereadores, pois deputados estaduais são eleitos para legislar para todo o Rio Grande do Sul, enquanto os federais para todo o País, não tivesse mais vez em eleições futuras.

A não ser que por trás destas campanhas está a defesa do voto distrital puro, o qual, numa realidade como a do Brasil, que tem em sua história política o “voto a cabresto”, tende a ser muito conservador, pois favoreceria mais do que hoje os candidatos com maior poder econômico. Que se aprofunde o debate.


Diorge Alceno Konrad
diorgekonrad@bol.com.br
Professor UFSM
Santa Maria