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sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Socialismo com a nossa cara

É impossível ser feliz sozinho


Ao menos uma vez na vida você já se questionou sobre essa “verdade” que tentam nos enfiar goela abaixo por meio de instrumentos como o vestibular e o big brother de que é cada um por si e que vença o melhor? Se sim, temos algo em comum. Dizem por aí que a liberdade de cada um termina onde começa a liberdade do outro.

Prefiro acreditar que só sou livre por causa da liberdade dos outros.

Ou todo mundo é livre, ou ninguém é livre.

É impossível ser feliz sozinho, já dizia o poeta.

Já participei de Diretório Acadêmico e outras agremiações estudantis na Universidade. Só não havia participado de Grêmio Estudantil por que não havia estas modernidades em Alegrete. Ou melhor até havia... Mas sempre ouvi que era melhor não se meter nessas coisas...

A gente começa a se organizar coletivamente tentando consertar pequenas coisas. Eu comecei porque achava que podia melhorar o mundo dando aulas gratuitas para o vestibular. Podia ao mesmo tempo ser caridoso e me preparar para o mercado de trabalho, afinal, hoje em dia o mercado não está fácil.

Lamentava a queda do muro. É uma pena ter acabado o socialismo, uma pena ser inevitável essa nova ordem mundial. Então, fiz geografia para poder me inserir no mercado de trabalho e poder ao menos falar mal dos Estados Unidos nas minhas aulas, entre uma dica e outra para o vestibular.

Foi lento o processo da queda dos meus próprios muros. Foi cada vez me angustiando mais a ideia de que estaria reduzida àqueles pequenos remendos toda a minha atuação para transformar o mundo.

Faltava algo. Algo não se encaixava. Aquela “caridade” disfarçada de troca de saberes, aquele desconforto toda a vez que se queria ir além da preparação para o vestibular. “Não podemos misturar as coisas”, era o que eu ouvia toda a vez que tentava ir além da transmissão daquele conteúdo engessado para tentar melhorar a vida daqueles jovens e adultos, muitos deles trabalhadores...

Mas não dava para não misturar as coisas. Quando meus alunos deixavam de vir às aulas por não ter dinheiro para as passagens de ônibus, “as coisas” é que se misturavam, invadiam a sala de aula no meio dos macetes pré-prova.

Fomos pra rua. Pela meia-passagem para os estudantes dos cursinhos populares. Fomos brigar com os empresários de ônibus, por perceber que por mais que tentássemos não ver, a luta de classes nos chamava...

Uma lembrança me vinha a memória. A imagem de Ernesto tremulando numa bandeira branca com três letras escritas em vermelho em meio a uma multidão que ouvia a banda Ira! Cantar num Fórum Social Mundial. As letras eram o U, o J e o S. A imagem do Che era algo comum de se achar, estampada em várias camisetas, bonés, bótons, etc. Mas não sei por que, aquela imagem me chamava atenção. Aquele símbolo me perseguia, e a sigla UJS parecia me provocar. Fui espiar o site, achava bonito, moderno, descolado. Então era novo se falar em socialismo? Mas haviam me dito que estava fora de moda, que a nova ordem era incontestável...

O muro de Berlim dentro de mim foi ruindo de maneira inapelável. Acho que desabou no dia em que recebi de presente uma poesia de Thiago de Mello que dizia de um simples homem para quem “já a primeira / e desolada pessoa / do singular - foi deixando, / devagar, sofridamente / de ser, para transformar-se / - muito mais sofridamente - / na primeira e profunda pessoa / do plural”.

Com a queda do muro, pude enxergar mais claramente. Sozinho, não se muda nada. Cintilava nos olhos daquela menina simpática que estudava engenharia florestal e também daquele misterioso estudante de agronomia do qual vários falavam mal, de apelido “Barba”, e de outros singulares estudantes que fui conhecendo, as três letras vermelhas que já tinha visto antes: U J S. Depois fiquei sabendo que centenas de milhares de jovens de todo o país também erguiam bem alto essas três letras. E de repente, eu já não estava mais sozinho, e já não me sentia mais tão impotente.

Quando o muro caiu, tudo começou a voar. De repente estávamos na COHAB Santa Marta tentando contato com grupos de rappers para organizar a Nação Hip Hop. De repente, estávamos locando um ônibus para estudantes secundaristas participarem de uma etapa estadual da União Brasileira de Estudantes Secundaristas em Tramandaí. De repente, disposninilizei meu nome para ser candidato a vereador e dialogar com a juventude sobre a importância de participar da política.

Eu nem pisquei os olhos e me vi em Porto Alegre. Conhecendo um mundo novo de pessoas e de desafios. De repente, sindicato. Organizar trabalhadores. Quem diria?

De repente estave eu de frente com a lendária Leci Brandão me dizendo que estava muito feliz com seu país. Quase chorei. Porque concordava com ela. E apesar de nunca tê-la visto antes pessoalmente, eu tinha uma coisa em comum com ela. Eu também era Partido Comunista do Brasil.

Sei que muitos muros ainda terão que cair. Tem tanto jovem aí que desconfia da força da União, porque fazem uma campanha ferrenha contra qualquer forma de ação política. Mas se trata de abrir o rumo. Já é tempo. Convidar ao desafio, a virar o mundo do avesso.

Ir ao encontro, e aprender que tudo é troca. Conviver e aprender a sambar, a rebolar, as manhas e os jeitos, os signos e significados dessa gente criativa que inventou o Brasil. E que se reinventa. E que espera com profunda esperança algo para acreditar. Em cada favela, em cada fábrica, lojas, escolas, botecos, ruas, praças, milhões de pessoas buscam algo para acreditar. Trasta-se de ir ao encontro. De construir esse socialismo com nossa cara, com nosso jeito, esse socialismo que ginga, que forma roda, que é tão bonito.

O caminho já está aí. É esse projeto de dignidade, de valorização do trabalho, de envolvimento, de oportunidade. Dá uma chance pra esse povo que ele cresce. Se desenvolve. E não vai parar enquanto não espalhar a felicidade fruto do mutirão, onde todos em situação de igualdade poderão exercer a riqueza da diferença...

Viva a escola. A escola de socialismo. Viva a União da Juventude Socialista.

Viva o Partido. O Partido do socialismo. Viva o Partido Comunista do Brasil!


sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Guerrilha da Paz

Projeto Guerrilha da Paz ganha prêmio Preto Ghóez

O prêmio contemplou 135 grupos de hip hop de todo o país em cinco categorias. O Grupo Guerrilha da Paz foi um dos três ganhadores do RS na categoria Conhecimento. Também ganharam nessa categoria no estado o grupo Nação Hip Hop Brasil e a ONG Circulando Informação e Arte Urbana. O blog Igor de Fato parabeniza a todos os ganhadores e em especial ao Guerrilha da Paz de Santa Maria/RS, representando para o Brasil inteiro a força da cultura no interior do RS. Confira abaixo com exclusividade o som "Eu vou cantar", do Grupo Consciência Periférica, exibido no 5º Guerrilha da Paz que foi noticiado aqui no blog Igor de Fato.


"A gente não é inferior em nada, a gente tem capacidade de mudar a realidade, entendeu?"


As palavras acima são do rapper Igor Goulart da Rosa, o Magrão, um dos idealizadores do Guerrilha da Paz, ao lado de Flávia Sortica Giacomini e de Gabi, Zé, Taz, Luana, Jean, B negão, Vico e Maninho. O projeto Guerrilha da Paz aglutina artistas de hip hop da cidade Santa Maria/RS e promove oficina em escolas, associações comunitárias e outros espaços, procurando aliar arte e educação. A correria desses jovens para participar do Prêmio Preto Ghóez começou em abril, quando foi lançado o edital. Foi uma dificuldade a elaboração do projeto, mas eles contaram com a ajuda de Fábio Kossman, oficineiro vinculado ao Ministério da Cultura que orientou sobre os passos a serem seguidos.

Dia 13 de dezembro o resultado com os ganhadores foi divulgado no Diário Oficial da União. Flávia Sortica Giacomini, do Guerrilha, só ficou sabendo que tinha ganhado pelo Programa Hip Hop Sul da TVE, do apresentador White Jay. A euforia foi enorme. O projeto receberá R$ 13 mil. Para além do dinheiro, o prêmio representa o reconhecimento do Estado Brasileiro do movimento hip hop, que sai da margem e da criminalização para ser colocado em evidência, em destaque.

O que é o Prémio Cultura Hip Hop 2010 - Edição Preto Ghoez

O Prêmio Cultura Hip Hop 2010 - Edição Preto Ghóez é a primeira ação de fomento e reconhecimento nacional realizado pelo Governo Federal, resultante de dois anos de diálogo com o movimento hip hop. Foram realizadas em torno de 150 oficinas de capacitação para inscrição em todo o território nacional, o que resultou em 1.100 propostas inscritas, 900 delas habilitadas, de todos os estados do país.

Foram ao todo 135 premiados, em cinco categorias, de todos os estados do País. Cada um receberá R$ 13 mil, em um total de R$ 1.755.000,00 de recursos do MinC. Desse universo, um foi para Miriam Bezerra, viúva de Preto Ghóez, homenageado nesta eidção do prêmio.

O Ministro da Cultura, Juca Ferreira, disse estar satisfeito com “todo o processo dessa primeira premiação para o hip hop”. Ele lembrou que teve a “sorte de conhecer Preto Ghóez” e que à época, Ghóez visitou o Ministério da Cultura para conversar sobre a necessidade de “reconhecimento do hip hop como uma manifestação cultural das mais ativas, das mais fortes, das mais potentes que o povo brasileiro produz”.

Para Juca Ferreira, o prêmio é parte de um processo mais amplo de “reconhecimento da diversidade cultural brasileira, da liberdade de criação e de expressão, em que ninguém tem o direito de dizer o que é brasileiro e o que não é, o que é meritório e o que não é, o que é importante e o que não é, quer dizer, é o conjunto que é importante, é essa liberdade de criação, de opção, de fusão, de amalgamento, de mistiçagem que o Brasil exercita desde que se entende por Brasil”.

Para o Secretário de Identidade e Diversidade Cultural, Américo Córdula, o prêmio foi uma surpresa em termos de quantidade e diversidade de inscrições , “vamos ter desde movimentos do hip hop em aldeias indígenas no Mato Grosso do Sul, uma grande participação das mulheres, das MCs, sendo reconhecidas pela importância da sua militância no hip hop, além de experiências como cinema voltado para o hip hop, a arte da rua, os graffitis.” Ainda segundo Córdula, “o Ministério da Cultura acredita estar colaborando com o reconhecimento do hip hop como um dos fatores importantes na construção da nossa identidade e da nossa diversidades cultural”.

Outro destaque do Prêmio Hip Hop 2010 foi a grande participação feminina. Dos 135 projetos selecionados, 30 foram protagonizadas por mulheres, ou seja 22% do total.

Os candidatos que não foram selecionados podem entrar com recurso até o dia 27 de Dezembro, tendo como base o modelo com link disponível abaixo, que deverá ser preenchido e enviado para o endereço premioculturahiphop2010@institutoempreender.org.

O prêmio foi regulado pelo Edital SID/MinC nº 05, de 15/04/2010, publicado no Diário Oficial da União em 16/04/2010.

Para maiores informações, inclusive a lista completa de premiados, clique aqui.

Texto de Igor Corrêa Pereira e Comunicação Social do Ministério da Cultura