terça-feira, 29 de junho de 2010

Dia sem Globo

Não é sobre futebol, é sobre tirania e juventude

Do blog Tijolaço, feito por Brizola Neto.

Esta madrugada [22 de junho] “bombou” no twitter a palavra de ordem #diasemglobo, que estimula as pessoas a verem o jogo entre Brasil e Portugal, sexta-feira, em qualquer emissora que não a Globo.

Não é uma campanha de “esquerdistas”, de “brizolistas”, de “intelectuais de esquerda”.

É a garotada, a juventude.

Também não é uma campanha inspirada na popularidade de Dunga, que nunca tinha sido nenhuma unanimidade nacional.

Na verdade, isso só está acontecendo porque um episódio sem nenhuma importância – um tecnico de futebol e um jornalista esportivo terem um momento de hostilidade – foi elevado pela própria Globo à condição de um “crime de insubordinação” inaceitável por ela.


As empresas Globo ontem, escandalosamente, passaram o dia pressionando a FIFA por uma “punição” a Dunga. Atônitos, os oficiais da FIFA simplesmente perguntavam: “mas, por que?”

A edição do jornal do grupo Globo, hoje, só não beira o ridículo porque mergulha nele, de cabeça.
O ódio a qualquer um que não abaixe a cabeça e diga “sim,senhor” a ela é tão grande que ela não consegue reduzir o episódio àquilo que ele realmente foi, uma bobagem insignificante.

Não, ela se levanta num arreganho autoritário e exige “punição exemplar” para técnico da seleção.Usa, logo ela, uma emissora de tanta história autoritária e tão pródiga em baixarias, a liberdade de imprensa e os “bons modos” como pretextos, como se isso ferisse seus “brios”.

Há muita gente bem mais informada do que eu em matéria de seleção que diz que isso se deve ao fato de Dunga ter cortado os privilégios globais no acesso aos jogadores.

E que isso lhe traria prejuízos, por não “alavancar” a audiência ao longo do dia.

Lembrei-me daquele famoso direito de resposta de Brizola à Globo, em 1994.

Não reconheço à Globo autoridade em matéria de liberdade de imprensa, e basta para isso olhar a sua longa e cordial convivência com os regimes autoritários e com a ditadura de 20 anos que dominou o nosso país.

Todos sabem que critico há muito tempo a TV Globo, seu poder imperial e suas manipulações. Mas a ira da Globo, que se manifestou na quinta-feira, não tem nenhuma relação com posições éticas ou de princípios.É apenas o temor de perder o negócio bilionário que para ela representa a transmissão do Carnaval. Dinheiro, acima de tudo.

Pois o arreganho autoritário da Globo, mais do que qualquer discurso, evidenciou a tirania com que a emissora trata o evento esportivo que mais mobiliza os brasileiros mas que, para ela, é só um milionário negócio.

Dunga não é o melhor nem o pior técnico do mundo, nunca foi um ídolo que empolgasse multidões. A sociedade dividia-se, como era normal, entre os que o apoiavam, os que o criticavam e os que apenas torciam por ele e pela seleção.

A Globo acabou com esta normalidade. Quer apresentá-lo como um insano, um louco incontrolável. Nem mesmo se preocupa com o que isso pode fazer no ambiente, já naturalmente cheio de tensões, de uma seleção em meio a uma Copa do Mundo. Ela está se lixando para o resultado deste episódio sobre a seleção.

De agora em diante, a Globo fará com Dunga como que fez, naquela ocasião, com a Passarela do Samba, como descreveu Brizola naquele “direito de resposta”: “quando construí a passarela, a Globo sabotou, boicotou, não quis transmitir e tentou inviabilizar de todas as formas o ponto alto do Carnaval carioca.”

Vocês verão – ou não verão, se seguirem a campanha #diasemglobo – como, durante o jogo, os locutores (aquele um, sobretudo) farão de tudo para dizer que a Globo está torcendo para que o Brasil ganhe o jogo. Todo mundo sabe que, quando se procura afirmar insistentemente alguma coisa que parece óbvia, geralmente se está mentindo.

Eu disse no início que esta não é uma campanha dos políticos, dos intelectuais, da “esquerda” convencional. Não é, justamente, porque estamos, infelizmente, diante de um quadro em que a parcela políticamente mais “preparada” da sociedade desenvolveu um temor reverencial pelos meios de comunicação, Globo à frente.

Políticos, artistas, intelectuais, na maioria dos casos – ressalvo as honrosas exceções – têm medo de serem atacados na TV ou nos jornais. Alguns, para parecerem “independentes e corajosos” até atacam, mas atacam os fracos, os inimigos do sistema, os que se contrapõem ao modelo que este sistema impôs ao Brasil.

Ou ao Dunga, que acabou por se tornar um gigante que nem é, mas virou, com o que se faz contra ele.

Eu não sei se é coragem ou se é o fato de eu ser “maldito de nascença” para eles, mas não entro nessa.

O ue a juventude está fazendo é o que a juventude faz, através dos séculos: levantar-se contra a tirania, seja ela qual for.

Levantar-se da sua forma alegre, original, amalucada, libertária, irreverente e, por isso mesmo, sem direção ou bandeiras “certinhas”, comportadas, convencionais.

A maravilha do processo social aí está. Quem diria: um torneio de futebol, um técnico, uma rusga como a que centenas ou milhares de vezes já aconteceu no esporte, viram, de repente, uma “onda nacional”.

Uma bobagem? Não, nada é uma bobagem quando desperta os sentimentos de liberdade, de dignidade, quando faz as pessoas recusarem a tirania, quando faz com que elas se mobilizem contra o poder injusto. Se eu fosse poeta, veria clarins nas vuvuzelas.

Essa é a essência da juventude, um perfume que o vento dos anos pode fazer desaparecer em alguns, mas que, em outros, lhes fica impregnado por todas as suas vidas.

E a ela, a juventude, não derrotam nunca, porque ela volta, sempre, e sempre mais jovem. E é com ela que eu vou.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Renda maior faz 2,2 milhões de famílias saírem do Bolsa Família

Dados do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) informam que até janeiro deste ano mais de 4,1 milhões de famílias tiveram o benefício do Programa Bolsa Família cancelado. O principal motivo do corte é a renda per capita familiar superior à renda mínima estabelecida pelo programa. Mais de 2,2 milhões de famílias (54% dos casos) abriram mão do benefício ou tiveram o auxílio suspenso pela elevação da renda.

Toda família com renda mensal por integrante de até R$ 140 tem direito ao benefício. O valor varia conforme o tamanho da família, o número de crianças e adolescentes na escola. O auxílio vai de R$ 22 a R$ 200 por mês.

O motorista Eduardo Rodrigues, que mora em Osasco, na região metropolitana de São Paulo, e é pai de uma menina, abriu mão de R$ 40 mensais porque passou em um concurso público. “Não era justo continuarmos recebendo”. Também suspendeu o benefício Sônia de Morais Mendes, moradora de Belo Horizonte. Mãe de três filhos, recebia R$ 112 por mês. Ela aumentou a renda familiar porque voltou com o ex-marido e conseguiu trabalho. “Eu hoje não preciso mais desse dinheiro, por isso fui à prefeitura e dei baixa”, contou.

O vendedor da Feira Livre de Marília (SP) Osvaldo Dutra de Oliveira Primo, pai de dois filhos, precisou do benefício do programa por cerca de três anos. “Foi uma época que estava desempregado, com problema de saúde. Eu praticamente alimentava minha família com esse dinheiro”, lembra. Depois de voltar a trabalhar não sacou mais o auxílio. “Eu usei na extrema necessidade. Assim que tive condições, procurei dar baixa para que outras famílias pudessem ter o benefício”.

Para o governo, os pedidos de cancelamento mostram que o programa tem porta de saída. “Sempre teve”, comentou secretária nacional de Renda e Cidadania, Lúcia Modesto, quando o ministério divulgou o perfil das famílias beneficiadas pelo programa em 31 de maio. A professora Célia de Andrade Lessa Kerstenetzky, do Centro de Estudos Sociais Aplicados, Faculdade de Economia da Universidade Federal Fluminense (UFF) pondera que é “incontestável” que há uma saída, mas “o significado dela é menos claro”. Ela “especula” que a razão principal para a saída do programa deva estar relacionada com a melhoria no mercado de trabalho, “essa hipótese parece forte, dadas as evidências de crescimento da renda e do emprego”.

Na avaliação do economista Serguei Soares, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a porta de saída do programa é o crescimento econômico. “Ótimo que essas pessoas conseguiram sair, espero que outras consigam também, mas não vai ser pelo fato de que alguns conseguiram sair que a gente pode ter um acento ejetor ou vá responsabilizar o MDS pelas saídas. Essas dependerão do crescimento econômico”, comentou.

O Bolsa Família também foi tema de uma tese de doutorado defendida recentemente no Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília (UnB). Para a autora da tese, Ana Lúcia Figueiró, o programa tem méritos, mas “abandonou a perspectiva inclusiva e fez opção pela gestão da pobreza”. De acordo com ela, o programa previa além da transferência de auxílio, assistência social, geração de emprego e renda, e a participação política. Ela avalia que essas ideias iniciais, já estabelecidas nas ações da cidadania contra a fome e nas discussões do Conselho Nacional de Segurança Alimentar foram abandonadas. “A transferência de renda é vista como um fim em si mesmo. Isso não deveria retirar o foco de uma política emancipatória”, assinala.

Atualmente, 12,6 milhões de famílias recebem um total de R$ 1,1 bilhão do programa. A meta do governo é chegar a 12,9 milhões de famílias até o final do ano e atingir grupos vulneráveis ainda não alcançados como os moradores de rua.

Fonte: Agência Brasil

domingo, 6 de junho de 2010

Educação Antirracista

O Brasil precisa se descolonizar culturalmente

Com nosso pensamento histórico voltado a civilização européia, nas escolas esquecemos de contar a constribuição dos povos não-europeus para a nossa formação histórica, social, cultura e econômica.

Palestra na UFRGS abordou a necessidade de resgatar nas escolas a contribuição não-européia na formação do Brasil.

No dia 27 de maio, no mês do trabalhador e da luta contra a discriminação, tive o privilégio de participar do 3º Seminário Antirracista da ASSUFRGS, no Auditório da Economia da UFRGS. A palestra da tarde versava sobre o papel da Universidade na promoção da Lei 10.639.

A Lei 10.639, para quem não sabe, propõe como uma política de Estado a obrigatoriedade na educação básica de duas ações: a primeira é implementar a história e a cultura afro-brasileira e Africana nos currículos escolares e a segunda ação é a comemoração do 20 de Novembro como Dia da Consciência Negra. É uma lei importantíssima, sancionada pelo presidente Lula em janeiro de 2003, que ainda não se implementou suficientemente nas escolas nem tampouco nos curriculos das licenciaturas das Universidades.

Apesar de alguns meritosos esforços institucionais pela implementação da 10.639 nas IES, como o que acontece desenvolvido por Rita Camisolão, da Pró-Reitoria de Extensão da UFRGS, que promove cursos de formação continuada para professores da rede básica de ensino, o fato é que muitas resistências têm sido enfrentadas para que a lei saia efetivamente do papel.

Segundo o Professor Adjunto de História Afro-Asiática da UFRGS Luiz Dario Teixeira Ribeiro, existe uma resistência interna no curso de História da Universidade para se tratar este tipo de conteúdo. Desde 81 existe a disciplina de História da África, mas como cadeira eletiva e não obrigatória. A Lei 10.639 serviu como elemento para pressionar a realização de um concurso para Professor de História da África, mas segundo sua avaliação, as resistências persistem, pois na Universidade ainda prevalece um pensamento eurocentrista.

O dirigente da União dos Negros Pela Igualdade (UNEGRO), José Antonio dos Santos da Silva reafirmou essa carência. "Quem foi João Cândido? Aposto que muitos não sabem que ele é gaúcho", afirma ele, referindo-se ao marinheiro nascido em Rio Pardo no RS, que em 1910 liderou a chamada "Revolta da Chibata", realizada em 1910 no Rio de Janeiro, que reivindicava a abolição dos castigos corporais na Marinha de Guerra brasileira.

Sobre isso Luiz Mendes, diretor do Sindicato dos Servidores da Justiça (SINDJUS), complementa afirmando que a história contada nas escolas omite a participação dos negros. "Vocês conhecem o nome de algum negro que lutou na Revolução Farroupilha? Provavelmente não. Será que os negros não lutaram? Eram todos covardes?", ironiza ele, para exemplificar que a participação de negros parece "apagada" do currículo oficial das escolas.

Da mesma forma deve-se acrescentar a imensa contribuição histórico-cultural dos povos indígenas para a formação do povo brasileiro. Também essa história é relegada a um segundo plano nas escolas. Só para citar um exemplo do Rio Grande do Sul, pouco se fala sobre personagens como Sepé Tiaraju, que liderou os guaranis no confronto a tropas luso-espanholas na Guerra Guaranítica no século XVII, deixando seu legado na formação da cultura missioneira do RS e do Brasil como um todo.

Por tudo isso, está mais do que na hora de nosso país se descolonizar também no pensamento. Precisamos resgatar o que temos de africano, de indígena, para construirmos uma identidade nacional soberana, autóctone. Já temos avançado nesse sentido, mas muito ainda precisa ser feito. As bibliotecas precisam de livros que abordem o assunto, as Universidades precisam de disciplinas, projetos de pesquisa, extensão, as escolas da educação básica precisam mudar seus currículos, a televisão e o cinema precisam dar sua contribuição. É um esforço de toda a sociedade no resgate da nosssa História contada por todos os seus escritores.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

UJS

Com lema "Pra Ser Muito Mais Brasil", 15º Congresso da UJS está convocado

Atenção: Você já pode participar da comunidade do 15º Congresso da UJS no orkut! O link é http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=96577852.


A plenária nacional da União da Juventude Socialista (UJS) convocou, na última terça-feira, 9 de fevereiro, o 15º Congresso da entidade. A plenária final ocorrerá entre 17 e 20 de junho, na cidade de Salvador (BA), mas desde agora podem ser realizadas reuniões de filiados e apresentação do tema congressual para toda a juventude brasileira.

Com o lema "Pra Ser Muito Mais Brasil", a proposta de tese contou com dezenas de emendas e foi aprovada de maneira unânime pelos delegados presentes. Agora, o documento será debatido em todo o país, num fecundo processo democrático, até finalmente ter sua versão final aprovada na etapa nacional do Congresso.

Segundo a meta aprovada, mais de 100 mil jovens devem ser mobilizados em todas as fases do processo, sendo que serão computados apenas aqueles que efetuarem o cadastro pela "Rede UJS", sistema também lançado na plenária.

"Pra Ser Muito Mais Brasil"

A ideia central proposta pelos jovens socialistas é de que o Brasil, fruto do acúmulo das lutas do povo que redundaram nos avanços obtidos nos útlimos anos, tem uma oportunidade rara para se contituir em uma nação próspera, desenvolvida, soberana, justa e integrada de maneira solidária com outros países e povos do continente.

O documento elenca fatos concretos que levam o país a esta nova condição, como a descoberta do pré-sal e a escolha para sediar a Copa do Mundo e as Olimpíadas - levando em consideração que estas não são meras competições esportivas, mas foram possíveis graças à nova inserção do Brasil no mundo e podem significar importantes oportunidades para resolver entraves estruturais históricos, melhorando a vida do povo.

Outro eixo importante, decorrente do primeiro, é a percepção de que apenas com a união do povo e muita mobilização social será possível concretizar tal oportunidade em realidade. Ainda pela concepção da UJS, essa luta pela construção de um Brasil melhor está diretamente ligada ao projeto de transformação socialista do país. "Sabemos que, quanto mais as transformações acontecerem, ampliando os direitos do povo e melhorando o país, mais conseguiremos ganhar adeptos para a causa de derrotar o capitalismo e construir uma nova sociedade – e é isso que nos move", aponta o documento aprovado.

Eleições 2010: O Brasil entre o avanço e o retrocesso

Seguindo esta diretriz, os jovens socialistas colocam as eleições presidenciais como o centro da luta política em 2010 e propõem uma ampla mobilização em torno de bandeiras avançadas, que enfrentem os interesses do capital financeiro e seus representantes políticos (PSDB/DEM), e equacionem problemas que afetam centralmente a juventude, como a educação, o desemprego (do qual os jovens são as principais vítimas), a violência contra o jovem nas grandes e médias cidades e outros.

Para a UJS, tal programa avançado deve ser liderado por uma candidatura que consiga representar o legado dos governos de Lula e, ao mesmo tempo, apresentar uma perspectiva de renovação e aprofundamento das mudanças iniciadas.

Rede UJS e novo site: a UJS entra de sola no mundo virtual

Um dos pontos altos da plenária foi o lançamento dos novos sistemas de organização e comunicação da UJS.

A "Rede UJS" - rede social virtual que interligará todos os filiados da entidade, núcleos e direções - será o centro de mobilização do Congresso e proporcionará profundo conhecimento da militância e suas predileções, suas frentes de atuação, local de moradia, estudo e trabalho, enfim, um conjunto de dados que sirvam para visualizar e planejar o crescimento da entidade.

A rede social, que ainda terá novas fases de desenvolvimento nos próximos meses, também vai proporcionar criação de perfis e comunidades, veiculação de mensagens, fotos e vídeos, tal como fazem sites de relacionamento modernos e muitos utilizados pela juventude brasileira.

Avaliação do 38º Congresso da UBES

Também foi pauta da plenária a avaliação da participação da UJS no processo do 38º Congresso da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES).

O documento aprovado apontou que o resultado foi, no fundamental, positivo, pois os objetivos de ampliar a influência dos jovens socialistas entre o movimento secundarista e de construir ampla unidade em torno da bandeira de 50% do Fundo Social do pré-sal para a educação foram atingidos.

Também foram vistos como vitoriosos o novo método eleitoral da UBES, mais democrático e que permite eleições diretas nas escolas, e a diretriz de ampliar os esforços políticos destinados ao movimento secundarista. Ainda assim, foi registrada a necessidade de insistir nesse esforço, já que todos os dividendos dessa linha política não foram alcançados de imediato neste Congresso.
Fernando Borgonovi, para a página da UJS

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Fórum Social Mundial


Um Fórum da juventude

A região metropolitana de Porto Alegre/RS foi palco de um espetáculo de democracia. Diferentes visões se encontram no Fórum para repensar os rumos da construção de um projeto que supere o neoliberalismo. A juventude, e em especial a UJS, foram protagonistas do processo. Aqui, exibem-se os principais momentos dos cinco dias.





























Fotos: Dérique UJS/Chapecó


segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Combate ao racismo

UNE defende cotas raciais nas universidades

No blog UNE combate ao racismo, diretor da União Nacional dos Estudantes (UNE) Clédisson Júnior defende as cotas raciais nas universidades ressaltando a relação das desigualdades raciais com a estruturação de classes da nossa sociedade. Leia o texto na íntegra abaixo.




Porque defendemos cotas raciais

O racismo no Brasil

Para compreendermos o processo de formação da sociedade brasileira é fundamental entendermos que o racismo foi ideologia fundamental para a manutenção do Estado que se pretendia formar, isto é, não ocorre processo colonialista sem racismo.

O racismo sempre foi instrumento fundamental para manter a dominação, subjugando a todos que estão sob esse véu. O racismo como uma forma ideológica, é resultado da epistemologia européia a serviço da dominação sobre os outros povos.

O racismo como o vivenciamos dia a dia é um conjunto de ações e intenções que marcam as relações sociais entre os indivíduos que tem em sua fundamentação a superioridade de uma raça (branca) em detrimento de outra (negra e/ou indígena, etc).

É importante destacarmos que o contexto raça usado para fundamentar a nossa discussão é apresentada na perspectiva sociológica, ou seja, que raça existe em nossa contemporaneidade e é fruto de um conjunto complexo de fatores culturais e históricos, que sim foi balizador e critério para configurar a divisão social do trabalho no período colonial e nas ocupações dos diversos espaços de direção e poder de nossa sociedade.

As desigualdades raciais existentes em nosso país têm em suas bases uma estreita relação com a estruturação em classes de nossa sociedade.

Em uma sociedade regida por uma democracia liberal,amparada em preceitos burgueses, o preconceito racial,cumpre novas funções e ganha novas formas de aplicação, ainda mais eficientes no intuito de manter negras e negros fora dos espaços de formação e conhecimento que possam garantir algum tipo de ascensão social.

O negro e a negra na universidade brasileira

Atualmente o acesso a universidade publica se dá por meio de um processo de seleção a qual a maioria esmagadora dos aprovados são estudantes egressos de escolas privadas ou dês estudantes que possuem recursos necessários para o custeio de cursos preparatórios ao exame de admissão.

Como sabemos a população negra é a maioria esmagadora da população pobre e/ou miserável de nosso país, o que cria uma dinâmica de inversão proporcional no processo de inclusão no ensino superior publico no Brasil.

Defender a presença cada vez maior e efetiva de negros e negras na universidade publica brasileira pára nós é positiva, imprescindível e estratégica para combater o racismo e fortalecer o processo democrático.

O sistema educacional, políticas curriculares e bases teóricas que fundamentam a produção cientifica no Brasil, são construídas a partir de bases e referencias eurocentradas, não respeitando a diversidade étnica que compõe a realidade da população brasileira.


Políticas de cotas raciais

Nos últimos anos é intensa a discussão acerca da emergência da aplicação de políticas de ações afirmativas na educação superior brasileira. Tais discussões visam reparar aspectos discriminatórios que impedem o acesso de pessoas as maiores “sorte” de oportunidades

Para nós do movimento negro a importância dada às ações afirmativas em principal a políticas de cotas raciais nas universidades publicas é instrumento estratégico para alterarmos o estado das coisas, na sociedade racista em que vivemos. Pressionar o poder publico a fim de aprovarmos esta política como parte integrante do texto constitucional vem sendo tarefa de todos nós, negras e negros conseqüentes.

Não somos alheios de que a igualdade formal, tão cara a concepção de Estado moderno, que visa consagrar a igualdade de todos e todas perante a lei, não é aplicado em sua acepção pratica, não correspondendo com o real sentido de sua existência.

Apresentar perspectivas que apontem para as políticas de cotas raciais, teor de inconstitucionalidade, reforça cada vez mais as criticas e questionamentos que nós dirigimos ao conceito de igualdade apresentada e defendida pela democracia liberal.

Quando observamos a constituição federal em seu artigo terceiro, a qual é alencando os objetivos da republica, tais como a construção de uma sociedade livre, justa e solidaria a garantia do desenvolvimento, a erradicação da pobreza e a promoção do bem para todos e todas sem preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outra forma de discriminação, podemos ver o quanto as políticas de cotas raciais para ingresso nas universidades publicas, possui forte conteúdo democrático e amplo apelo constitucional.

É preciso enegrecer a universidade

É papel da universidade fomentar a importante e indissociável articulação entre o ensino a pesquisa e a extensão, exigência intrínseca para a constituição de um centro de ensino que de fato exerça a sua função que é de produzir, conhecimento, tecnologia de fato uteis para a sociedade brasileira.

Uma universidade que aliado a pratica pedagógica, a produção do conhecimento cientifico, não se ater ao novo momento histórico que vivemos, diferente e desafiador e que cada vez mais reclama para si a busca pelo fortalecimento da democracia, não terá êxito na sua missão de transformação e contribuição para a instauração de uma nova consciência e fortalecimento da cidadania.

Assim como é importante a inclusão dos negros e negras nos bancos escolares do ensino superior, também se faz necessário e imprescindível para a universidade a presença e permanência destes.

A efetiva e militante presença dos negros e negras na universidade publica garantirá um redirecionamento no processo de produção cientifica, na elaboração de matrizes curriculares democráticas e em um processo extensionista cada vez mais comprometido com a promoção da classe trabalhadora.

Uma revolução nada silenciosa

Em um momento futuro, a ocupação quantitativa que queremos promover ao defender a políticas de cotas raciais nas universidades publicas se reverberá em uma maior participação dos negros e negras nos espaços de tomada de decisão e conseqüentemente na definição de rumos verdadeiramente democráticos e republicanos para a sociedade brasileira.

Tal engajamento nos instrumentaliza para a verdadeira disputa que enfrentamos cotidianamente desde o dia em que nascemos, aonde o combate sistêmico ao racismo é central na estratégia por uma sociedade solidaria, justa e democrática.

A luta dos negros e das negras ainda que por inúmeras tentativas não foram suprimidas, o processo de resistência a cada dia se torna mais forte e mobilizado.

Defender em alto e bom som a política de cotas raciais nas universidades publicas é trazer a tona em todo o Brasil, que ele é um país racista. A defesa das cotas é carregada de forte simbolismo, visando quebrar com uma dinâmica de manutenção do poder sustentado pelo mito da democracia racial.

Para que de fato possamos superar as distorções sociais gestadas pelos ideais racistas, é necessário compreende-lo para que a sua superação seja de fato definitiva. Este processo de compreensão nos traz a luz do conhecimento a relação dialética entre as lutas raciais e a luta de classes.



Clédisson Júnior é diretor de Combate ao Racismo da UNE

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Calendário de janeiro

Agenda cheia para movimentos sociais em janeiro

10º Fórum Social Mundial descentralizado; 1ª Feira Mundial de Economia Solidária em Santa Maria/RS; e 3º Encontro Nacional de Hip Hop em São Vicente/SP. Juventude, trabalhadores, movimentos sociais contra-hegemônicos construindo "um outro mundo possível".




O mês de janeiro está repleto de atividades importantes para quem luta por "um outro mundo possível". Na Grande Porto Alegre/RS, Salvador/BA, no Rio de Janeiro/RJ, em Madri (Espanha), na República Tcheca, Santa Maria/RS e São Vicente/SP serão palco de atividades que apesar de diferentes entre si, carregam características comuns: são atividades protagonizadas por jovens e trabalhadores que procuram coletivamente construir alternativas ao neoliberalismo e ao domínio do mundo pelo capital e por qualquer forma de imperialismo.


10º Fórum Social Mundial: desafios e propostas para um outro mundo possível

10 anos depois de sua criação, o Fórum Social Mundial realizará atividades descentralizadas pelo Brasil e pelo mundo, na grande Porto Alegre/RS, Salvador/BA, Madri (Espanha), Benin, República Tcheca, entre outros. Em todos esses locais, a ideia é pensar os desafios e proposta para um ouro mundo possível.

Vale destacar uma dessas atividades, que se dará na grande Porto Alegre, cidade onde ocorreu a primeira edição do Fórum. Estão previstas atividades nas cidades de Porto Alegre, Canoas, Sapucaia do Sul, São Leopoldo, Novo Hamburgo, Campo Bom e Sapiranga. A juventude será grande protagonista desse fórum, sendo que vários movimentos juvenis estão organizando o Acampamento Intercontinental da Juventude que ocorrerá entre os dias 23 e 29 de janeiro, na Sociedade Gaúcha Lomba Grande, em Novo Hamburgo. Neste acampamento, um intenso conjunto de atividades estão previstas em espaços temáticos que debaterão a avaliação do Fórum, promoverão atividades culturais, integração com a comunidade de Novo Hamburgo, debates sobre ecologia, economia popular solidária, cultura de rua, democratização da comunicação, entre outros temas de interesse da juventude. Mais informações sobre o Acampamento Intercontinental da Juventude são encontradas clicando aqui.


1ª Feira Mundial de Economia Solidária: 150 mil pessoas são esperadas em Santa Maria/RS

Santa Maria, que é considerada a acapital da economia popular solidária, será sede do 1º Fórum Mundial do tema entre os dias 22 e 24 de janeiro. A atividade celebra os 10 anos do Fórum Social Mundial debatendo as conquistas obtidas pelos trabalhadores na construção de uma outra economia, alternativa ao capital financeiro, que segundo os organizadores, já acontece. Conforme a coordenadora do Projeto Esperança/Cooesperança, Irmã Lourdes Dill, diversas caravanas de outros estados brasileiros já estão confirmadas, como Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo e Paraná, além de cerca de 15 representantes do continente africano, que já asseguraram presença. A expectativa da organização é de que aproximadamente 150 mil pessoas participem das atividades. A artista e militante do movimento hip hop Flavinha informa que o movimento participará do Fórum, lançando o segundo CD da União Santa-Mariense de Rua (USR), como alternativa concreta de geração de trabalho e renda para os artistas da periferia da cidade. Mais informações sobre o Fórum podem ser obtidas clicando aqui.

3º Encontro Nacional de Hip Hop: um mergulho na História

São Vicente (SP) vai se tornar entre os dias 28 a 31 de janeiro de 2010 a "capital do hip-hop". Segundo os organizadores do evento, a cidade reune as melhores condições para a atividade, que ocorrerá na cidade praiana durante o verão. Além disso São Vicente é um património histórico nacional, pois é a primeira cidade do país, no qual o encontro terá como tema: "Hip-Hop um mergulho na historia". Mais de mil pessoas são esperadas no evento, que contará com a participação de grupos como Face da Morte e Rappin Hood. O hip hop de Santa Maria/RS participará do encontro, é o que garante o rapper Nêgo Lula, presidente municipal da Nação Hip Hop, que está procurando levantar recursos com sindicatos, movimentos e poder público para que uma delegação da cidade possa ir ao evento. A Nação Hip Hop Brasil pretende levar um ônibus do RS ao Encontro, segundo o presidente estadual da organização, White Jay, que afirma ser esse encontro uma oportunidade única para quem enxerga no hip hop um instrumento de tranformação da realidade da juventude da periferia. Mais informações podem ser obtidas aqui.

Fonte:
http://fsm10.procempa.com.br/wordpress/
http://estudanters.blogspot.com/
http://www.forumsocialmundial.org.br/
http://fsmecosol.org.br/
http://www.nacaohiphopbrasil.com/index.php
http://mergulhonahistoria.blogspot.com/