segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Voto distrital?

Prof. de História da UFSM refuta a idéia de "voto em candidatos da cidade" para deputados estadual e federal

A proposta de "voto distrital", que volta e meia retorna ao discurso dos políticos conservadores, teve espaço no Jornal A Razão de Santa Maria de 09 de outubro, onde políticos não-eleitos como Marcelo Bisogno reclamaram que "pessoas de fora da cidade" receberam votos de santa-marienses ao invés de candidatos erradicados no município. O Prof. de História da UFSM Diorge Konrad comentou a idéia refutando o voto distrital por favorecer o "voto a cabresto" e o "candidatos com maior poderio econômico". Leia abaixo o texto do professor na íntegra.

Voto em candidato de fora


É válida toda a campanha que procura valorizar a História, a cultura e a política local ou regional. Mas, se levado ao extremo, pode ser fonte de xenofobismo, quando não de incoerências.

No caso do voto em candidatos em uma eleição para deputados estaduais e federais ela é tão ambígua que salta aos olhos.

Na edição dos dias 9 e 10 de outubro de A Razão, o candidato Marcelo Bisogno se manifestou de forma mais contundente sobre a questão, manifestando o seu descontentamento.

Porém, em uma análise ligeira, se contasse apenas com os votos locais, de 7.844 ele baixaria para 5.930 votos, portanto mais longe ainda da eleição. Por outro lado, o candidato Paulo Pimenta teria em Santa Maria apenas 42.948 votos, não conquistando a cadeira de deputado federal em sua coligaçao, enquanto que, com a votação em todo o estado, obteve a primeira vaga de sua legenda, com 153.072 votos. Já o candidato a deputado estadual Valdeci Oliveira, o 10º mais votado do Rio Grande do Sul, se contasse somente com os votos dos santa-marienses teria seus 46.527 votos, ficando atrás da última eleita de sua coligação, a deputada Stela Faria, que somou 48.070 votos. PORTANTO, NÃO SERIA DEPUTADO ESTADUAL, NEM POR SANTA MARIA, NEM DO RIO GRANDE DO SUL. O mesmo aconteceria com Jorge Pozzobom, com a preferência de apenas 25.095 eleitores santa-marienses.

Candidato considerado local como Marchezan Jr teve apenas 9.924 simpatizantes de Santa Maria, enquanto que 21.293 porto-alegrenses, onde ele está radicado, confiaram em sua plataforma.

A imprensa poderia contribuir ainda mais com este debate, divulgando projetos e recursos de emendas parlamentares para Santa Maria e região de deputados reeleitos e que têm domicílio eleitoral fora da cidade. Seria interessante, também, proporcionar ou estimular uma análise do porque da votação de outros candidatos de fora que tiveram votos por aqui e estrearão na Câmara dos Deputados e na Assembléia Legislativa, bem porque candidatos de Santa Maria conquistam votos em várias cidades gaúchas.

Talvez, assim, uma idéia distorcida de política que tratou as recentes eleições como se fossem para a Câmara de Vereadores, pois deputados estaduais são eleitos para legislar para todo o Rio Grande do Sul, enquanto os federais para todo o País, não tivesse mais vez em eleições futuras.

A não ser que por trás destas campanhas está a defesa do voto distrital puro, o qual, numa realidade como a do Brasil, que tem em sua história política o “voto a cabresto”, tende a ser muito conservador, pois favoreceria mais do que hoje os candidatos com maior poder econômico. Que se aprofunde o debate.


Diorge Alceno Konrad
diorgekonrad@bol.com.br
Professor UFSM
Santa Maria


2 comentários:

Anônimo disse...

Aumenta a letra, camarada...

José Fonte de Santa Ana disse...

Reforma Política. Voto Distrital! Algumas bancadas evangélicas e sindicais pisam em ovos.
Como a quem não quer nada, defendem como simples mudança no sistema político. O que lhes daria poderes acima de qualquer outra organização brasileira. Diria que, talvez o comando da nação. O voto distrital.
Cujo sistema já falei um tanto de vezes junto ao Voto em Lista, denunciando seus fundamentos totalmente ditatoriais. Aonde de início acabariam com a maioria dos pequenos partidos e o multipartidarismo, implantando automaticamente o bipartidarismo, em duas gigantescas frentes que se autodenominariam como esquerda e direita.
Teríamos em ambos os casos. A distribuição de mandatos de vereadores, deputados e senadores, em escritórios, à portas fechadas.
Acabando com o de mais sagrado do povo, o seu livre direito de escolha, o voto para aquele candidato que muitas das vezes sua própria comunidade o escolheu para tanto, porque o consideram com mais afinidade aos seus anseios dentre tantos outros de vários partidos. Fazendo uso de sua única arma pacífica contra as ditaduras, o seu livre e soberano voto, a sua liberdade de escolha.
O sistema da proporcionalidade, repito, é perto do perfeito, porque aqueles que verdadeiramente auxiliam indivíduo a indivíduo, o seu próximo, incondicionalmente, seja através de associações, sindicatos, entidades filantrópicas e até individualmente. Juntos em alguma coligação, na maioria das vezes de pequenos partidos, elegem um ou mais dentre eles para representar suas comunidades.
Há o que se mudar para melhorá-lo, como a tudo de bom feito pela mão do homem.
Tantas críticas e nenhuma sugestão? Perguntaria o leitor, e eu respondo, na próxima postagem iniciarei tais sugestões. Ao menos aos pontos mais importantes, visando contribuir para melhorar ainda mais o sistema de votação atual, o do voto proporcional.
José Fonte de Santa Ana.