quinta-feira, 8 de julho de 2010

CQC II

CQC produz escândalos sem debater soluções



O escândalo da vez e o preconceito de classe

No seu 100º programa, apresentado dia 14/06/2010, o semanário "Custe o que Custar" (CQC), liderado por Marcelo Tas na TV Bandeirantes, reafirma a linha editorial do escândalo político midiático vazio de propostas. A repórter do Programa Mônica Iozzi vai a Brasília, no Congresso Nacional, com o objetivo de mostrar que a maioria dos políticos são negligentes, assinando documentos sem ao menos ler. A matéria, que possui um verniz de cidadania crítica, perde sua potencial positivo no momento em que procura mostrar a política como escândalo, com o único objetivo de aumentar a audiência.

Na reportagem, uma figurante é contratada para colher assinaturas para a criação de uma lei que insere a cachaça na Cesta Básica. O tom burlesco e sensacionalista da matéria é coroado quando o deputado Nelson Trad (PMDB-MS) agride a equipe jornalística. Pronto. Está criado o escândalo. Para completar, além de sensacionalismo barato, o quadro ainda resvala no preconceito raivoso contra o presidente-operário, no momento em que Rafinha Bastos solta a piadinha: "se essa Lei da cachaça chegasse ao presidente Lula, ele aprovaria fácil, fácil". Para quem não sabe, uma das principais "acusações" que a oposição de Lula conseguiu fazer a sua pessoa é chamá-lo de "cachaceiro", numa evidente demonstração da raiva de classe que certa parte da elite tem pelo fato de um torneiro mecânico ter virado presidente. Aliás a escolha do item "cachaça" revela essa sutil alfinetada.

Escandolatria vazia, falta projeto

O verniz pode parecer interessante, crítico, cheirar a matéria cidadã. Mas tudo isso já foi teorizado por John Tompson, faz parte do escândalo político midiático, porque a única intenção é demonstrar que não importa o Partido, todos os políticos são negligentes, estão mamando nos cofres públicos, etc.

No final da matéria aparece o Marcelo Tas fazendo piadinhas "inteligentes" que corroboram a tese editorial que o CQC defende: "política é uma piada, é um escândalo grotesco". Essa mensagem é boa para o capital , porque se todo mundo acredita nisso, será dominado com maior facilidade.

Essa fórmula pode dar audiência, certamente é mais divertido que o Zorra Total, mas não encara nossos problemas de maneira séria, com perspectiva de apontar soluções. Que tal debater sobre reforma política? Ah, claro, não dá dinheiro né Marcelo Tas? Não dá audiência. É mais fácil debochar de tudo, e deixar tudo como está.

Como muito bem disse o blogueiro Idelber Avelar, ao se referir no ano passado a outra iniciativa infeliz em que o carequinha da Band esteve metido:

"Sim, é evidente que há muita coisa que se moralizar no Congresso. Discutir qual é a reforma política que nos possibilitaria ter partidos fortes e representativos, reduzindo assim o fisiologismo e as negociatas, são outros quinhentos. Para essa discussão, não contemos com as Danielas Thomas e Marcelos Tas. Eles não estão interessados nisso. Essa discussão dá muito trabalho e nela ninguém pode posar de vestal da pureza".

O momento de eleições é rico para ver o que os candidatos estão pensando sobre reforma política, quais as propostas. Isso com certeza é muito mais produtivo do que essa cantilena vazia de que todos os políticos são corruptos e de que ao "cidadão" cabe reclamar de braços cruzados.

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