sexta-feira, 9 de julho de 2010

REUNI

UFRGS prepara maior expansão de sua história


Universidade terá 60 obras e ampliará em 30% oferta de vagas no vestibular até 2012

Carlos Etchichury | carlos.etchichury@zerohora.com.br

A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) prepara as bases para a maior expansão em 75 anos de história. Cerca de 60 obras – algumas em andamento, mas a maioria em fase final de projeto ou licitação – garantirão uma ampliação de 30% nas vagas do vestibular até 2012. É como se uma nova universidade emergisse de dentro da universidade.

Serão 1,3 mil vagas a mais no vestibular nos cinco anos a contar de 2007, quando os ingressos eram 4,2 mil. Chegarão a 5,5 mil em 2012. A maior parte das vagas adicionais virá em cursos novos ou noturnos.

Na área da saúde pública, um Hospital Odontológico vai se transformar na primeira emergência pública do gênero na Capital. Com 150 consultórios, poderá atender a 450 pacientes por dia, com serviço de pronto-socorro e procedimentos como limpeza, restaurações, colocação de próteses e cirurgias. A universidade aguarda licença para iniciar as obras, cujo tempo de execução é de um ano e meio.

– O hospital abrigará um pronto-socorro odontológico destinado a emergências não traumáticas, como dor, hemorragia e infecção. É uma revolução no atendimento odontológico universitário, que vai beneficiar toda a Região Metropolitana – diz Rui Oppermann, professor da Faculdade de Odontologia e vice-reitor da universidade.

No campus do Vale, prédios equipados com laboratórios modernos, um novo restaurante universitário e uma casa do estudante com capacidade para 600 pessoas, entre mais de uma dezena de obras, prometem mais conforto para pesquisadores, estudantes da graduação e professores. No campus Olímpico, que abriga a Escola Superior de Educação Física, dois ginásios podem atrair eventos internacionais quando estiverem prontos.

Investimento é de R$ 90 milhoes

A transformação integra um processo mais amplo de reestruturação de todo o Ensino Superior do país, financiado pelo Programa de Reestruturação Expansão das Universidades (Reuni) do Ministério da Educação. A UFRGS, que conta com R$ 36 milhões garantidos pelo programa, contará com mais R$ 54 milhões assegurados graças a convênios com os ministérios da Saúde, Ciência e Tecnologia e Esportes.

– São recursos suficientes para expandir em 28% a área física da universidade, que terá mais 90 mil metros quadrados acrescentados aos 350 mil já existentes – diz o reitor, Carlos Alexandre Netto.

Desde 2007, quando uma metamorfose se iniciou na universidade, foram criadas 750 vagas em 12 novos cursos (Fonoaudiologia, Engenharia de Automação, Museologia, Fisioterapia, Licenciatura em Dança, Biotecnologia, Serviço Social, História da Arte, Políticas Públicas e Análise de Políticas e Sistema de saúde) e quatro cursos que passaram a oferecer aulas à noite (Química Industrial, Licenciatura em Filosofia, Psicologia e Odontologia).

Além de obras, 306 professores foram contratados e 466 funcionários, admitidos. Para os próximos dois anos estão previstos mais 201 servidores e outros 276 mestres e doutores.

Embora comemore as novidades, o presidente da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Cláudio Scherer, prefere cautela diante de décadas de imobilização.

– Aplaudo a expansão, mas ela ainda é tímida – pondera o professor.

Engenharia vai dobrar formação

As 13 faculdades da Escola de Engenharia vão dobrar a formação de profissionais nos próximos cinco anos.

Com a ampliação, que significaria 900 novos engenheiros por ano, a UFRGS se projeta para o futuro. De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, em 2015 o Brasil terá cerca de 1,1 milhão de engenheiros, mas, caso mantenha um crescimento de 7% ao ano, serão necessários 1,47 milhões de profissionais – um déficit de 370 mil.

– O desafio é ampliar com qualidade o número de engenheiros formados – constata Carlos Eduardo Pereira, vice-diretor da Escola de Engenharia.

Uma das principais apostas da Escola de Engenharia, que forma uma média de 480 engenheiros por ano, é o Centro de Energia da UFRGS. Os novos laboratórios vão permitir o desenvolvimento de pesquisas de ponta na área do petróleo – com materiais asfálticos, equipamentos para plataformas e sistemas de controle.

Profissionais versáteis e talhados para uma economia cada vez mais complexa, engenheiros saem da universidade empregados.

– Alguns dos nossos egressos chegam a receber mais de uma oferta de emprego antes mesmo de concluir o curso – diz Pereira.

A defasagem do Brasil se torna evidente quando se faz o cotejamento com países que experimentam crescimento econômico continuado, como Índia e China. Enquanto o Brasil forma por ano cerca de 50 mil engenheiros, a Índia diploma 200 mil, e a China, 600 mil.

Descentralização fica esquecida na expansão

Comemorada pela comunidade acadêmica, a ampliação da UFRGS não altera um perfil consolidado em sete décadas de existência da instituição: a instituição continuará concentrada na Capital.

Para o vice-presidente do Fórum dos Professores das Universidades Federais do Brasil (Proifes), Eduardo Rolim de Oliveira, a manutenção da instituição em Porto Alegre evidencia a ausência de um projeto estratégico.

– Acho que faltou um plano global, centralizado, que direcionasse a expansão, que ocorre de forma fragmentada. O plano de ampliação foi montado a partir das propostas das faculdades. Deveria ser feito o inverso – observa Oliveira.

Como consequência, diz o professor, que também integra o conselho universitário da universidade, perdeu-se a oportunidade de “interiorizar” a instituição.

– Poderíamos ter seguido o caminho de outras universidades federais, que se descentralizaram, mas continuamos apenas na Região Metropolitana – complementa.

Beneficiadas por verbas do Reuni, as universidades federais de Santa Maria, que criou um campus em Frederico Westphalen, e de Rio Grande, que construiu um em Santo Antônio da Patrulha, optaram por crescer em outras regiões do Estado.

Dos 32.708 inscritos no último vestibular da UFRGS, 2.659 residiam no Interior ou fora do Estado. A assessoria de comunicação da universidade não sabe precisar quantos dos 25.796 alunos na graduação e dos 8.755 da pós-graduação, distribuídos entre os 86 cursos, são de fora da Capital.

Conforme o reitor da UFRGS, Carlos Alexandre Netto, durante a elaboração do plano de expansão faculdades e institutos não apresentaram propostas de interiorização.

– Há universidades federais que garantem a cobertura quase completa do Estado – justifica Netto.

Nos próximo anos, porém, um movimento em direção ao Litoral Norte é esperado. No ano passado, a Associação dos Prefeitos do Litoral Norte solicitou que a universidade criasse algum tipo de extensão na região. O novo campus, em fase de estudo, seria sediado em Tramandaí.



Vagas no vestibular
2007 4.212
2010 4.961
2012 5.500

Fonte: ZERO HORA


Nenhum comentário: