sexta-feira, 22 de abril de 2011

O PCdoB se desvirtuou?



Revista Isto É diz que entende de comunismo e acha que PCdoB se desvirtuou



Causa perplexidade amatéria escrita por Octávio Costa intitulada "Onde foram parar os comunistas?" e publicada na Revista Isto é de 04/04/2011. A matéria, que mais parece um editorial, é de uma fragilidade argumentativa notável. Procura defender a tese de que o PCdoB se desvirtuou ideologicamente pela sua participação no governo Lula e agora Dilma, conforme aparece no cabeçalho: "Quase 80 anos após a criação do primeiro Partido Comunista Brasileiro, os herdeiros de Luiz Carlos Prestes trocam o papel de paladinos da justiça social pelo de políticos famintos por cargos no governo federal". Na realidade, o texto revela o temor de classe diante do franco crescimento e aumento de influência política do PCdoB.


A tese se sustenta em três frágeis argumentos:


1) A disputa da Autoridade Pública Olímpica (APO), que segundo o jornalista é uma questão bem menos nobre e mais pragmatica do que os objetivos históricos do Partido;


2) A atuação do deputado Aldo Rabelo na defesa do novo Código Florestal, que segundo o texto coloca o PCdoB ao lado da bancada que representa o interesse dos grandes latifundiários brasileiros;


3) O ingresso no Partido do pagodeiro e agora vereador em São Paulo Netinho de Paula, que segundo Costa, "com certeza, não tem seu passado de militância comunista".


Vale registrar ainda o desconhecimento grosseiro do jornalista, que parece desconhecer o fato de que o PCB ainda existe e lançou candidatura própria a presidência nas últimas eleições.


Vejamos argumento por argumento para verificar a validade dos mesmos:


A participação do PCdoB no governo federal


O PCdoB apoiou Lula desde 1989. Quando finalmente Lula triunfou em 2003, foi uma decorrência lógica participar do governo. E de maneira brilhante, por sinal. O ministro Orlando Silva, dos Esportes, foi determinante para a vinda da Copa do Mundo e das Olimpíadas para o Brasil. O PCdoB ajudou Lula a fazer esse governo que teve mais de 80% de aprovação popular. E sempre teve claro que era um governo nos marcos do capitalismo. Porque se o jornalista não sabe, é importante lembrar que é esse o sistema que vige no país atualmente. E é dentro dos marcos o capitalismo que o PCdoB pretende construir uma sociedade mais avançada, uma sociedade socialista. E não poderia ser diferente para quem se pauta pelo materialismo dialético, que compreende que é a partir da realidade concreta que se deve atuar e não numa realidade ideal.


O novo Código Florestal


A polêmica do Código Florestal tem angariado muitas críticas ao deputado Aldo Rebelo (PCdoB/SP), relator da proposta de mudança, que tem sido taxado por ambientalistas de aliado dos latifundiários. Sem entrar no mérito do conteúdo do debate, vale destacar aqui o apoio da CONTAG a mudança de Aldo Rabelo. Para quem não sabe a CONTAG é uma Confederação sindical composta por agricultores familiares e não latifundiários. Vale destacar ainda a análise da EMATER que considera que o novo Código de Aldo favorece principalmente os pequenos agricultores que são os mais criminalizados pelas regras ambientais brasileiras, extremamente mais rígidas do que todass as legislações dos países da Europa, incluindo a Holanda, país sede da ONG GreenPeace, uma das maiores críticas de Aldo.


O vereador paulista Netinho de Paula


Essa última provocação do texto é o cúmulo da opinião preconceituosa e sem nenhum fundamento jornalístico. O texto decidiu sentenciar que o PCdoB "não tem formação ideológica nem ideais revolucionários". E exemplifica a tese com a entrada do pagodeiro Netinho de Paula, atualamente vereador pela sigla em São Paulo. O texto dispara a descrição preconceituosa do artista: "Pagodeiro, chegou ao partido como cacique trazendo consigo uma única credencial: a capacidade de aglutinar votos". Sobre isso, é importante dizer que o Partido não faz um teste de admissão e nem espera que ingressem em suas fileiras pessoas já formadas política e ideologicamente. Desta forma, é evidente que nem o Netinho de Paula e nem ninguém que entrou no PCdoB já entrou formado e preparado política e ideologicamente. O PCdoB, no entanto, tem sim uma escola de formação de quadros, uma Escola Nacional de Formação, da qual todos os militantes, inclusive o Netinho, participam durante toda a sua trajetória de militância, pois nem o o Netinho nem ninguém do Partido pode se dizer definitivamente formado. Desta forma, o PCdoB procura receber todas as pessoas que desejam se filiar sem preconceito, e foi para o Partido recebida com grande alegria a entrada de Netinho de Paula, pela sua trajetória a favor da população mais pobre e contra o racismo.


Ataque da Isto É revela que o crescimento do PCdoB está incomodando


Para a matéria da Isto é, o PCdoB se desvirtuou porque participa do governo, está redigindo o novo código florestal e admitiu a entrada do Netinho de Paula. Com todo respeito a esta revista importante dentro do contexto brasileiro, trata-se de uma opinião com pouca consistência. O PCdoB não abriu mão de seu programa socialista, e vem atuando diariamente tendo em vista seu objetivo estratégico. Para o PCdoB, o caminho para a construção de uma socioedade socialista é a construção de um Projeto Nacional de Desenvolvimento, e é isso que o Partido tem ajudado o governo Lula e agora Dilma a fazer. É legítimo que outras correntes de esquerda e que a sociedade em geral questione as ideias do PCdoB. Agora, que façam com fundamento. O texto de Octávio Costa nada mais é que uma artigo opinativo preconceituoso e raso que tem como único objetivo atacar a imagem do PCdoB tendo em vista o seu franco momento de crescimento e aumento de influência. O PCdoB está se tornando incômodo, pois está ficando grande, e isso ameaça e incomoda muita gente. Um fantasma assombra as editorias da imprensa burguesa brasileira: o fantasma do comunismo do Brasil, que tem a cara do nosso povo, que gosta de pagode, que entende a agricultura familiar, que coloca o país como sede da Copa e das Olimpíadas.


Vejo com bons olhos esse ataque. Sinal que estamos no caminho certo.


Igor Corrêa Pereira






Militante do PCdoB do Rio Grande do Sul.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Reforma Agrária

A Reforma Agrária é essencial para o combate a miséria
Sou um indivíduo urbano. Vivo na cidade, trabalho na cidade, enxergo o mundo dessa perspectiva. E na cidade convivo diariamente com a miséria de toda uma população, em grande parte jovem, que vive no desalento das ruas.

Tenho notícias do mundo rural que se organiza na agricultura familiar, na luta por reforma agrária, e me solidarizo com essa luta. Enxergo a necessidade dessa pauta no cotidiano de uma Porto Alegre dos miseráveis, subempregados, que tem pouca ou nenhuma oportunidade no meio urbano.

Crédito promovendo a reprodução da agricultura familiar
“A Reforma Agrária é essencial para o combate a miséria”, argumenta Willian Clementino, secretário de políticas agrárias da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag). E avalia que o governo Lula, apesar de não ter avançado “como gostaríamos, ou como deveria”, aumentou recursos em três programas que considera “o bojo da reforma agrária”: Pronaf [Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar]; Programa Mais Alimentos ; e Programa Nacional de Alimentação Escolar. Essa sua fala supera a compreensão de que reforma agrária se resume ao assentamento de famílias. Embora os assentamentos sejam essenciais, não basta só assentar, é preciso garantir que a agricultura familiar se reproduza e fortaleça.

Em relação ao PRONAF, para a safra de 2011-2012, a reivindicação dos agricultores familiares é que se mantenha o orçamento da safra anterior de R$ 16 bilhões para financiar a pequena produção. Conversando com o dirigente da FETAG do RS Cristian Wagner, fiquei sabendo que o Crédito Fundiário precisa ampliar seus recursos bem como democratizar seu acesso. Segundo sua avaliação, o jovem agricultor familiar têm muita dificuldade para acessar o crédito, o que consequentemente dificulta sua permanência no campo e aumenta o êxodo rural. É reivindicação antiga da FETAG um Programa Nacional de Crédito Fundiário com uma linha de crédito para compra de áreas rurais para jovens que queiram adquirir área individualmente e/ou estejam organizados em associações. Essa é uma medida que contém efetivamente o êxodo, já que muitos filhos de agricultores abandonam o campo pois chega-se ao limite de parcelamento das propriedades.

Fortalecimento da EMATER
Outra política muito reivindicada é a assistência técnica. Para permanecer no campo, não basta só acesso a terra, nem tampouco recursos para nela produzir. É essencial o acesso a orientações sobre preparo do solo, plantio, controle de pragas e doenças, colheita, manejo de animais, controle sanitário, melhoramento animal, etc. No Rio Grande do Sul, uma política de fortalecimento da agricultura familiar passa pelo fortalecimento da EMATER (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural), que foi sucateada pelos governos estaduais anteriores, e precisa urgentemente ampliar seu quadro técnico via abertura de novos concursos.

Agricultura familiar abastecendo a alimentação escolar
Com relação ao Programa Nacional de Alimentação Escolar, vinculado ao Ministério da Educação, o horizonte de aumento do programa, que tem orçamento para 2011 de R$ 3,1 bilhões, é a ampliação da porcentagem do PIB para a educação. Nesse ponto converge a pauta dos agricultores com os estudantes e trabalhadores da educação, que reivindicam 10% do PIB para o setor.

Atualmente 45,6 milhões de estudantes da educação básica e de jovens e adultos são beneficiados pelo Programa de Alimentação Escolar. Se considerarmos que o Programa não abrange a Assistência estudantil do Ensino Superior, que em boa parte conta com Restaurantes Universitários que precisam ser abastecidos diariamente com alimentos, temos uma enorme potencialidade de crescimento. É preciso garantir que seja a agricultura familiar a escolhida para abastecer a alimentação de nossos estudantes de todos os níveis. Isso aumenta e fortalece a produção, desenvolve o país, e consequentemente combate a miséria.

Vale a pena recordar as palavras emocionadas de Dilma em sua posse: "Não vou descansar enquanto houver brasileiros sem alimentos na mesa, enquanto houver famílias no desalento das ruas, enquanto houver crianças pobres abandonadas à própria sorte. O congraçamento das famílias se dá no alimento, na paz e na alegria. E este é o sonho que vou perseguir!". Ela mesma já disse que o caminho para perseguir esse sonho é o fortalecimento da agricultura familiar. O desafio está dado. O Brasil precisa erradicar a pobreza extrema, e esse objetivo não será alcançado sem uma decidida reforma agrária que passe por crédito rural, assistência técnica e políticas de permanência da juventude no campo.

Igor Corrêa Pereira
Direção de Jovens Trabalhadores da União da Juventude Socialista/RS

quinta-feira, 31 de março de 2011

Juventude da CTB em luta

Juventude da CTB/RS apresenta reivindicações a Assembléia Legislativa e Governo do RS

Esta quinta-feira (31) foi de intensas atividades para o Coletivo Jovem da CTB/RS. De manhã, o coletivo definiu as atividades para o próximo período, e redigiu o manifesto "Educação, trabalho e cultura são direitos da juventude", que seria apresentado aos deputados na Assembléia Legislativa do RS e ao coordenador de juventude do governo Tarso Maurício Piccin na parte da tarde. Na agenda do coletivo, foram definidos a realização de curso, encontro estadual, participação na conferência nacional de juventude. Ainda na parte da manhã, os jovens conversaram com o presidente da CTB, Guiomar Vidor, que saudou a iniciativa da participação da juventude no movimento sindical.


Educação, trabalho e cultura são direitos da juventude

Para o presidente do Sindicato dos Comerciários de Taquari Vitor Espinoza, o principal objetivo da vista aos parlamentares e reunião com o governo do estado é transformar o Conselho Estadual de Juventude em Lei. "O Conselho de Juventude é um espaço privilegiado de interlocução da sociedade com o governo. A juventude tem muito para contribuir na elaboração de políticas públicas. Essa é a função do Conselho, garantir essa interlocução. Mas esse instrumento precisa virar lei, para que não dependa de governos", ressalta o sindicalista, que lembra que o ano de 2011 é ano de Conferência Nacional de Juventude.

O coordenador do Sindicato dos Técnicos da UFRGS Igor Corrêa Pereira complementa que a juventude trabalhadora tem muitas reivindicações. "Educação, trabalho e cultura são os maiores interesses da juventude. Garantir que a juventude concilie trabalho e estudo é um desafio, é preciso ampliar e modificar o PROJOVEM trabalhador, formular o PROUNI RS pensando o PROUNI escolas técnicas no campo e na cidade, fiscalizar o cumprimento da lei dos estágios, implementar de fato o vale-cultura. É preciso atenção especial ao jovem do campo, com ampliação da oferta de educação do campo, assistência técnica e crédito rural com critérios que valorizem principalmente o jovem agricultor familiar. As tarefas são muitas, temos que tirar o atraso dos tempos de estagnação do governo Yeda", afirma.

Na visita a Assembleia Legislativa, os jovens visitaram vários parlamentares e entregaram manifesto com suas reivindicações. Os deputados Raul Carion (PCdoB), Catarina Paladini e Heitor Schuch, ambos do PSB, se comprometeram em levar as questões da juventude para o debate na casa, e se comprometeram em agendar uma audiência pública na casa para discutir políticas públicas de juventude. "Nós protocolamos essa semana projeto de lei que cria o Conselho Estadual da Juventude, é importante a CTB estar se organizando para pressionar", avalia Catarina. Schuch é sindicalista e fundador da CTB e saudou a juventude estar se organizando no Sindicato. "É mais do que necessário a renovação de quadros no movimento sindical", avalia.

Na sequencia o grupo visitou o plenário da Assembleia e se reuniu com Maurício Piccin, da coordenação da Juventude do Governo do Estado. Neste encontro, o coordenador saudou a organização da juventude da CTB. "Precisamos do protagonismo dos movimentos de juventude para consolidar a pauta no Estado. É nosso desafio construir o Conselho e uma grande Conferência Estadual", afirma. "O PROUNI RS está no horizonte do governo Tarso, e a juventude da CTB já está convidada para o Seminário de Juventude que realizaremos nos dias 20 e 21 de abril", informou. "O objetivo deste seminário é sistematizar um primeiro acúmulo do governo rumo a construção de uma política estadual de juventude", explicou.

Curso de formação e encontro estadual já tem data definida

Os jovens trabalhadores da CTB definiram data para curso de formação e encontro estadual. O curso ocorrerá nos dias 20 e 21 de maio, e deverá ter uma turma de aproximadamente 30 pessoas. O Encontro estadual da juventude da CTB ocorrerá nos dias 26, 27 e 28 de agosto, em local a ser definido, com objetivo de reunir 200 participantes. O Coletivo também participará também do 1º de maio unificado com identidade própria, além de ajudar a construir a Conferência Nacional de Juventude.

Participaram do encontro Vitor Espinoza e Raul Cerveira, comerciários, Igor Corrêa Pereira, servidor público, Tiago de Souza do Sindicato dos Sapateiros de Campo Bom, Liana dos Santos, agentes autônomos (Seaacom), Vinícius Homem, Sindilimp, Cristian Wagner, da Fetag, Cléber Soares, Luciano Carvalho e Leandro Weber, metalúrgicos de Caxias.

Texto de Igor Corrêa Pereira e Márcia Carvalho – Assessoria Fecosul

Porto Alegre

domingo, 27 de março de 2011

Plenária da FASUBRA

Plenária da FASUBRA decide intensificar a mobilização para a greve

Por 69 a 54 votos, Plenária da FASUBRA decide não deflagrar greve no dia 28 de março. A pouca mobilização, a abertura das negociações com o governo, e a necessidade de afinar a pauta de negociação foram fatores que justificaram a decisão. Dia 14 de abril, data da reunião da entidade com o Ministério do Planejamento, foi marcado um dia nacional de luta e mobilização contra a MP 520 e pela Campanha Salarial 2011.


Análise da chapa 2 O que nos Une se confirmou pelo Brasil afora

A posição defendida na Assembléia da AssufrgS do dia 16 de março pela chapa 2 O que nos Une de que a greve não teria grande adesão no dia 28 de março se confirmou no relato de vários delegados. Delegados da Federal do Acre, Bahia, Uberlândia, Goiás, São Carlos, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Viçosa, Lavras, Maranhão, Ceará, Pelotas e Rio Grande relataram dificuldades de mobilização, embora algumas dessas universidades tivessem aprovado o indicativo de 28 de março. “Não vou mentir e dizer que estamos mobilizados no Acre. Mas se a Plenária deflagrar greve, nós fazemos”, relatou o delegado acreano. Impressionou o relato da dirigente do Sindicato da Universidade Federal do Rio de Janeiro Neuza Luzia Pinto. O Sindicato que representa 18 mil trabalhadores reuniu uma assembléia com pouco mais de 40 pessoas. “Não temos mobilização para greve”, relata a dirigente do sindicato e presidente da CUT do Rio de Janeiro.

Aumentar a mobilização, ajustar a pauta e negociar com governo e legislativo

“A greve é um instrumento poderoso da luta dos trabalhadores. Não podemos banalizá-lo”, afirmou João Paulo Ribeiro, dirigente da FASUBRA e da CTB. “O momento é de ampliar a mobilização, criar um comando nacional de negociação com participação de dirigentes da base, que terão maior capacidade para dialogar com as bancadas legislativas dos estados. É preciso também articular com as outras categorias do Serviço Público, para construirmos uma pauta fortalecida e unificada”. Para o dirigente da APTAFURG e da corrente cutista CSD Celso Luis de Sá Carvalho, há uma urgente necessidade de ajustar a pauta. “Não temos uma pauta concreta para negociar com o governo. Muito se falou aqui na Plenária que o governo não quer negociar, mas é preciso inverter o olhar: o que nós estamos apresentando de concreto para negociar? É preciso aprofundar o debate, pensar numa nova carreira, formular propostas concretas que mobilizem os técnicos e sejam negociáveis com o governo”, defende.

Para a dirigente da Tribo e da FASUBRA Léia Rodrigues, a FASUBRA abriu a negociação com o governo com o indicativo de greve para o dia 28 de março. “O MPOG chamou a FASUBRA para negociar primeiro por causa do indicativo. Precisamos agora demonstrar que queremos negociar. Não se faz isso entrando em greve. É preciso intensificar a luta, construir uma grande jornada de mobilização no dia 14 de abril, ao mesmo tempo que ampliamos nossos apoios na sociedade, apoios de outras categorias, de deputados, da sociedade. O indicativo de greve foi aprovado aqui, precisamos construir essa greve fortalecida” afirma.


Ampliar aliados na luta pela campanha salarial e contra MP 520

A FASUBRA e suas entidades de base vêm angariando vários aliados no legislativo, judiciário, entidades da sociedade civil, todos contrários a Medida Provisória 520 que cria uma empresa estatal de fundo privado para administrar os Hospitais Universitários. Para encarar a luta pela campanha salarial, o caminho deve ser o mesmo, buscando aliança com as entidades sindicais do serviço público federal de outras categorias. O governo já deu o recado que pretende tratar a questão salarial do serviço público como uma questão que abranja o conjunto das categorias. Só mobilizados em conjunto poderemos ter avanços maiores.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Greve dos técnicos da UFRGS e UFCSPA

A banalização da greve como instrumento de luta interessa a quem?



Ontem, dia 15 de março, numa assembléia de pouco mais de 200 técnico-administrativos, a AssufrgS decidiu apoiar o indicativo de greve na Plenária da FASUBRA que ocorrerá em Brasília no dia 26 de março. A pauta é a campanha salarial 2011 e a MP 520 que cria a empresa brasileira de Hospitais para gerenciar os Hospitais Universitários aos moldes do que já acontece no Hospital de Clínicas.

Os ultimos sinais do governo Dilma são de retrocesso, aumentando os juros e deixando de atender as reivindicações sindicais. É hora de pressionar o governo para que avance no rumo de um projeto de desenvolvimento com valorização dos trabalhadores. Isso é consenso. No entanto, pressão de fato a gente faz com mobilização real.

A majoritária da AssufrgS, liderada pelo grupo que se organiza nacionalmente sob o nome Vamos à Luta, tem na nossa opinião uma concepção equivocada de movimento. Essa concepção infelizmente é maioria na FASUBRA hoje. Parte do princípio de que é possível fazer luta sem a presença massiva da categoria. Não é de hoje que temos assembléias esvaziadas, com no máximo 60 pessoas, numa categoria que hoje beira ao 3 mil técnicos. No entanto, para o Vamos à Luta, isso parece irrelevante, já que aqueles que comparecem são os que interessam. porque são os "de luta". O "resto", que é maioria, "não é de luta", é "traidor", etc.

É um equívoco dizer que o esvaziamento do movimento sindical significa que os técnicos em sua maioria se alienaram, ou tornaram-se “pelêgos”. Os tempos mudaram, mas a AssufrgS ficou presa ao passado, e essa falta de renovação foi distanciando a direção da base. A maioria dos técnicos tem dificuldades de se sentir representados pela AssufrgS, porque seu discurso majoritário é praticamente mesmo dos duros tempos do governo FHC.

A universidade mudou nesses últimos oito anos, graças a inestimável contribuição da luta dos técnicos, mas também porque o governo Lula teve uma orientação diferente de FHC. Os recursos para as Universidades praticamente dobraram, tivemos vários avanços com a conquista de um novo Plano de Carreira, milhares de novos concursos foram feitos, as cotas foram aprovadas em grande parte das IES. O Vamos à Luta não percebeu isso, e faz hoje um discurso anacrônico, que não tem repercussão na realidade concreta da maioria dos técnicos e da sociedade.

O reflexo desse discurso atrasado é a falta de mobilização. Porque os técnicos vão participar de algo que não reflete sua realidade? Tem muito técnico que atua em outros espaços hoje porque não se sente representado na AssufrgS. São técnicos que interferem na gestão, na pesquisa, na extensão, com uma visão avançada, que tentam ganhar a Universidade para uma perspectiva mais comprometida com a classe trabalhadora, com o desenvolvimento do país. Esses técnicos não encontram espaço na AssufrgS. Porque há tempos a AssufrgS deixou de querer discutir e interferir nos rumos da Universidade e do país que queremos.

O que interessa hoje para o Vamos à Luta é o micro-debate da carreira, do reposicionamento de cargos específicos. A AssufrgS está presa no mais rebaixado corporativismo, que não consegue nem unificar a própria categoria, e nem negociar alianças da categoria com outras do serviço público, estudantes e sociedade.

Dentro desse cenário de desmobilização provocado pelo discurso anacrônico da direção majoritária, a aprovação do indicativo de greve foi uma decisão precipitada. Mesmo dentro da direção não existe motivação para a greve. Vamos às unidades participar da mobilização, debater, convidar, ouvir o que cada técnico e técnica tem a dizer. Mas será difícil convencer a adesão, porque a AssufrgS está muito desacreditada entre os colegas.

Trata-se de afirmar que existe diferença, que tem gente dentro da AssufrgS que não pensa de acordo com a maioria da direção. Para que a AssufrgS mude, dialogue mais com os técnicos, se renove, incorporando inclusive as pautas dos novos colegas que entraram nos últimos concursos, será necessário muito trabalho, muita militância. Eu acredito. Sou apaixonado pela minha Universidade, pelo meu país, por esse povo lindo que vive nessa terra. E acredito que melhores dias virão para nossa entidade, dias de maior pluralidade, democracia, criatividade, interferência real nos rumos da Universidade e do país.

Tudo começa com a decidida postura de não se conformar com a realidade atual e lutar para mudá-la.


Igor Corrêa Pereira
Oposição a majoritária da direção da AssufrgS

segunda-feira, 14 de março de 2011

Blog da UJS gaúcha



Lançamento do blog da UJS gaúcha ocorre em plenária estadual


Reuniu-se em Tramandaí nesse fim de semana cerca de 50 militantes da UJS gaúcha para Curso de formação e plenária estadual. O encontro fortaleceu a teoria da galera para planejar e enfrentar os desafios da entidade para o ano. A atividade foi marcada pelo lançamento do Blog da UJS gaúcha, inserindo de vez a entidade na blogosfera.

Acesse

O estudante de jornalismo da FEVALE e secretário estadual de comunicação da UJS gaucha Thiago Morbach é o responsável pelo blog. Sua ideia é estruturar uma rede de comunicadores da UJS que alimente o blog de notícias que ocorrem em Porto Alegre e no interior. "Para sabermos o que ocorre em todo o RS, precisamos de comunicadores da UJS das cidades do interior que alimentem o blog estadual com o que a entidade está fazendo no município, por isso a importância de formar um coletivo de comunicação que abranja as cidades e as frentes de atuação", explica.

O blog Igor de Fato saúda a iniciativa da UJS gaúcha e coloca-se a disposição para consolidar essa rede de blogueiros. Acesse http://ujsgaucha.blogspot.com/, opine, proponha. Vamos transformar esse blog no maior blog político da juventude do Rio Grande do Sul.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Coletivo Jovem CTB/RS

Coletivo Jovem da CTB/RS planeja Encontro Estadual

Lideranças da juventude trabalhadora ligadas a educação, cultura, sapateiros, comerciários, trabalhadores rurais se reuniram dia 25 de fevereiro na sede da FECOSUL em Porto Alegre/RS para discutir as ações da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Rio Grande do Sul na área da Juventude para o ano de 2011. A reunião do coletivo de Juventude trabalhadora da CTB gaucha teve a presença do dirigente estadual da CTB Henrique e ainda dos dirigentes nacionais Vicente Selistre e Vitor Espinoza.

O Coletivo de Juventude trabalhadora da CTB/RS aceitou o desafio estratégico que está colocado a CTB no próximo período: atrair a juventude gaúcha para o movimento sindical. Para isso, faz se necessária a tarefa de organizar um expressivo II Encontro estadual da Juventude Trabalhadora da CTB, que possa definir as principais bandeiras da juventude trabalhadora gaúcha e definir um programa unificado de luta da juventude da CTB no estado.

Trabalho, educação, cultura e lazer são direitos da juventude

Tal encontro, que deve ser propositivo para o II Encontro Nacional da Juventude Trabalhadora da CTB e II Conferência Nacional de Juventude, precisará discutir e propor políticas que possam garantir os direitos da juventude trabalhadora do campo e da cidade. Trabalho, educação, cultura e lazer são as principais preocupações dos jovens hoje, segundo institutos como o IBGE e o IBASE e IPEA. Conciliar trabalho e educação com acesso a produção e consumo do lazer e da cultura é uma dificuldade que se apresenta a juventude brasileira.

Como trabalhar e estudar ao mesmo tempo? Para o trabalhador estudante do campo, a dificuldade de responder a essa pergunta está na insuficiente oferta de educação no meio rural, bem como de crédito, assistência técnica e demais políticas de incentivo a permanência do jovem no campo. Tal carência de políticas acabam criando um cenário que dificulta a permanência do jovem no meio rural e a continuidade da agricultura familiar. Intensifica-se com isso a urbanização desordenada dos grandes centros.

Os jovens do meio urbano também encontram desafios. Conseguir um emprego acaba sendo o objetivo maior, mas deixar os estudos de lado é a senha para não conseguir melhores remunerações futuras. As longas jornadas de trabalho muitas vezes desestimulam o jovem a continuar estudando, produzindo altos níveis de evasão escolar desde o nível fundamental até a pós-graduação, mesmo que os últimos anos tenham sido marcado por aumento de vagas nos três níveis, em especial no nível superior. Tanto para os jovens que conseguem aliar trabalho e estudo, quanto para os que só estudam ou só trabalham, o acesso a cultura e lazer é dificultado, seja por falta de tempo, seja por falta de dinheiro.

Por tudo isso, é preciso formular um programa que unifique trabalhadores do campo e da cidade, da agricultura, indústria, comércio e serviços, em torno das especificidades do que é ser jovem hoje. O trabalhador e estudante precisa de políticas de garantia da conciliação dessas duas atividades, coibindo os abusos patronais como o trabalho aos domingos, ampliando a assistência para a mãe trabalhadora, ampliando políticas de estímulo a permanência do jovem no campo.

Vale-cultura: uma conquista que deve ser garantida

Como diz a canção dos Titãs, “a gente não quer só comida, a gente quer bebida diversão e arte”. Graças a luta dos trabalhadores e trabalhadoras, obteve-se o vale cultura, que é um vale de R$50 para trabalhadores com rendimento de até cinco salários mínimos, que poderá ser gasto em cinemas, teatros, shows, eventos esportivos, livrarias, etc. No entanto, para implementar a medida, os empresários precisam aderir ao benefício. É hora de colocar como pauta de negociação nas convenções coletivas a adesão ao vale-cultura tanto no serviço público como privado.

Não são poucas as demandas da juventude trabalhadora. A conquista de seus direitos contribui diretamente para o desenvolvimento do Rio Grande do Sul e do Brasil. Intensificar a mobilização e as lutas é o único caminho para construir um projeto de desenvolvimento que valorize os jovens trabalhadores, que na maioria das vezes estudam, e que não pode abrir mão de acessar e produzir cultura. O desafio do Coletivo da Juventude trabalhadora da CTB/RS está colocado. É hora de pisar no acelerador e fazer um 2011 cheio de lutas e realizações.

Vitor Espinoza

Diretor executivo da CTB

Presidente do Sindicato dos comerciários de Taquari

Secretário de jovens trabalhadores da UJS

Coordenador de jovens Trabalhadores CTB/RS

Josiane Einloft

Membro do Coletivo de jovens trabalhadores da CTB-RS

Secretária estadual de jovens trabalhadores da FETAG-RS

Igor Correa Pereira

Membro do Coletivo de jovens trabalhadores da CTB-RS

Secretário de jovens trabalhadores da UJS-RS